Quem não tem cão e não caça com gato, caça mal

Este Domingo, há Clássico no Estádio do Dragão entre o FC Porto e o Benfica mas não serão, certamente, os adeptos das duas equipas os únicos a olhar para este jogo com interesse. Também os sportinguistas estarão atentos, enquanto fazem as contas na perseguição ao titulo. O maior foco, porém, terá de estar dentro da sua casa, quando os leões receberem o Arouca, logo após o final do jogo entre os seus rivais.

A sete pontos da liderança do campeonato e com uma vitória nos últimos cinco jogos na competição, a equipa orientada por Jorge Jesus, precisa urgentemente de uma vitória, independentemente do resultado que acontecer antes do seu jogo. Não há margem para errar mais.

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Fotografia retirada de: A Bola

Contudo, Jesus parece continuar a errar. Na conferência de imprensa de antevisão ao jogo, o treinador do plantel verde-e-branco afirmou que tinha previsto a quebra exibicional da sua equipa. Porém, pouco fez para a evitar ou, pelo menos, não houve resultados práticos a anular a sua previsão. E isso parece explicar-se pelo facto de Jorge Jesus estar agarrado ao passado. Na mesma conferência, o treinador justificou parte da quebra da equipa com as “caraterísticas individuais” dos jogadores que saíram, parecendo argumentar que tem jogadores de perfil diferente à sua disposição. É uma fácil conclusão. Gelson é um jogador diferente de João Mário e Bas Dost é um jogador diferente de Slimani. Se continuarmos o raciocínio, Alan Ruiz, Castaignos, André e Markovic são jogadores diferentes de Teo Gutiérrez e Joel Campbell será diferente de alguém, quando se fixar numa posição.

Tendo sido contratadas várias opções para o ataque leonino, de caraterísticas heterogéneas, e com o aval do seu treinador, este seguiu o caminho mais complicado ao querer transformar os seus novos jogadores nos seus antecessores, em detrimento de moldar o seu modelo aos novos pupilos. Um carro não consegue conduzir na estrada com duas rodas, mesmo que acrescente mais duas de uma bicicleta, tal como Jesus não pode manter o modelo, com peças que lá não encaixam. Enquanto houver uma miragem de um avançado argelino quando olha para Bas Dost e enquanto pensar em João Mário quando ouve “Nunca me esqueci de ti”, de Rui Veloso, o mais provável é vermos mais exibições como a que vimos frente ao Tondela.

O desfecho do Clássico e o resultado com o Arouca podem mudar o estado de espírito da equipa e os novos jogadores, com tempo, até podem atingir aquilo que o treinador pretende. O problema está nesse mesmo tempo que já gerou um atraso de sete pontos e um conjunto de exibições que deixam qualquer adepto preocupado.

Texto de Rafael Soares.

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