Hugo Viana, um pé esquerdo que já foi o mais caro do mundo

Em 2015 tinha ameaçado com a decisão que chegou um ano depois. Aos 33 anos, Hugo Viana, que já foi considerado o jovem mais caro do mundo, terminou a sua carreira.

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Em 2002, o Newcastle pagou 12,5 milhões de euros por Hugo Viana, então com 19 anos.

Na época de 2001/2002, o Sporting celebrava mais um título de campeão nacional. Numa equipa recheada de nomes como Paulo Bento, Pedro Barbosa, João Vieira Pinto, Ricardo Sá Pinto, ou Mário Jardel, houve espaço para para o despontar de uma jovem promessa do futebol português.

Hugo Miguel Ferreira Gomes Viana, ou simplesmente Hugo Viana, estava a começar a dar os primeiros pontapés na bola no campeonato nacional. Dono de um remate potente, boa qualidade de passe e visão de jogo, o jovem médio de 19 anos precisou apenas de 35 jogos (e um golo) para passar de promessa a confirmação.

Numa época de estreia que mais parece saída de uma história idealizada por um jogador do FIFA 17, Hugo Viana acabou por ver o seu nome incluído no lote dos 23 jogadores que António Oliveira levou ao Mundial de 2002, organizado pela Coreia do Sul e Japão, beneficiando do problema de Kenedy com o doping.

Apesar de não ter participado em nenhum dos três desafios (Estados Unidos, Polónia e Coreia do Sul), da selecção nesse Mundial, a ascensão meteórica do jovem Hugo não passou despercebida no panorama internacional.

A 21 de Junho de 2002, o Newcastle pagou 12,5 milhões de euros por um médio de 19 anos que tinha acabado de completar a primeira temporada na equipa principal do Sporting.

Hugo Viana tornava-se assim no jogador jovem mais caro do mundo.

A aventura em terras de sua Majestade foi uma amostra daquilo que viria a ser a carreira do médio: inconstante. Uma boa primeira temporada em Saint James’ Park, foi seguida por uma segunda menos regular.

Seguiu-se um regresso a casa numa temporada em que o Sporting deixou escapar o campeonato e a Taça UEFA numa semana negra para os “leões”.
A boa época em Portugal valeu-lhe uma aventura pouco conseguida em Espanha onde passou pelo Valência e Osasuna, sem nunca se afirmar como um indiscutível.

A inconstância nas exibições fecharam as portas da seleção a Hugo Viana. Depois do Mundial de 2002, ainda participou no Europeu sub-21 e nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004. Em 2006, Scolari deu-lhe um voto de confiança e levou-o ao Mundial da Alemanha com a camisola “10”, outrora pertença de Rui Costa. Ainda assim, o médio canhoto não fez qualquer jogo como titular, participando apenas nos duelos com Angola (fase de grupos) e Inglaterra (quartos-de-final). Foram os dois únicos jogos que disputou numa competição internacional com a camisola das quinas.

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Foi no Sporting de Braga (2009-13) que Hugo Viana passou a melhor fase da carreira

Em 2009 chega ao Sporting Clube de Braga para aquela que foi talvez a melhor fase da sua carreira.

Durante quatro temporadas foi peça-chave da formação bracarense, estando presente em alguns dos momentos mais marcantes da história do conjunto minhoto: O segundo lugar no campeonato (2009/10) e a final da Liga Europa (2010/11).

Em 2013, com 31 anos decidiu “pensar na família” e partir para os Emirados Árabes Unidos em busca da “reforma dourada”. Ao serviço do Al-Ahli conquistou ainda o segundo campeonato da carreira.

No ano passado, em entrevista, Hugo Viana disse que “se mais ninguém me quiser, termino a minha carreira, não me vou estar a arrastar”.

Um ano volvido, parece que mais ninguém o quis e o médio, que com 19 anos mostrou potencial e classe nos relvados da primeira liga, resolveu pendurar as botas, longe dos adeptos portugueses, quase anónimo.

Quem viu o jovem Hugo despontar no velhinho estádio de Alvalade não pode deixar de pensar que a carreira que teve não fez jus à qualidade presente naquele pé esquerdo.

Bruno Henriques

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