Mundial 2016 de Futsal. E pronto, ficamos por aqui

Texto de Tó Coelho

O início de jogo foi bastante físico por parte da Argentina e muito agressiva na 1º linha defensiva, com Borruto sobre Ricardinho e Taborda a marcar Cardinal, alternando com Fernando Wilhem, a equipa das pampas.Chegaram rapidamente às 3 faltas. Portugal entrou também bastante agressivo na 1ª linha, com os habituais Cardinal e Ricardinho, e dois homens de equilíbrio como João Matos e Bruno Coelho. A primeira portunidade para Portugal surgiu com um 2×1 de Cardinal e Ricardinho, por volta do minuto 4’, mas Cardinal falhou o passe/assistência. Na saída de pressão seguinte a Argentina chegou ao golo com um erro na pressão na 2º linha de Bruno Coelho a ser batido num movimento sem bola. Na ala, a bola entrouem balão nas suas costas e Borruto apanhou Bébé (erro grave) a meio caminho na tentativa da dobra e a fazer um chapéu para o 1-0. Logo de seguida, e após a primeira rotação/substituição de jogadores na seleção Portuguesa, Tiago Brito, após 1×1 na ala, isolou-se e quase conseguiu bater o guarda redes argentino, mas a dobra apareceu e evitou o golo em cima da linha de golo.

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A partir deste momento, a Argentina em termos de posse de bola, não correu riscos nenhuns e não se desgastou, apostando tudo numa 1º linha de marcação muita agressiva e adiantada, na saída de pressão portuguesa , e também nas bolas paradas ofensivas, apostando tudo em anular Ricardinho e esperar o erro português na posse de bola.

Portugal chegou ao empate após melhoria do desempenho defensivo tanto nas alas no 2º movimento argentino como na redução do elevado número de 2×1 na 1º linha que a Argentina sistematicamente conseguia resolver, criando desequilíbrios. No seguimento desta melhoria, sem Cardinal em campo, Portugal criou algumas situações de golo, maior parte de meia distância, mas a seleção mostrou maior consistência defensiva e controlouo jogo. Com a 3º rotação de jogadores de 4´em 4´ já em campo, Portugal chega ao golo por Ré numa excelente combinação entre Bruno Coelho e Cardinal, fruto do adiantamento da 1º linha argentina a bola. A bola entrou em profundidade no pivô, que isolou Bruno Coelho na ala.Foi ele quem assistiu Ré no 2º poste vindo duma 2º vaga do ataque num movimento sem bola muito oportuno. Ré novamente após um 1×1 na ala a desequilibrar se e a isolar-se falhando o 1×0.

A Argentina manteve a estratégia 2 passes e finalizou ou transferiu responsabilidade para o ataque português, que por sua vez optava por um ataque mais elaborado.

Aos 11’ o selecionador argentino parou o jogo e pediu para aumentar pressão no portador da bola com exceção de Ricardinho. Logo de seguida, Portugal sofreu o 2-1 num lance a papel químico do golo sofrido contra o Azerbaijão. A bola parada ofensiva foi bem defendida pela Argentina, a bola perdeu-sesem finalização na reposição e mais uma vez houve uma transição defensiva mal executada  por 3 jogadores na recuperação. Foram todos ao jogador da bola(já para não falar no 1º defensor a ser batido após perca de bola com entrada à “queima”) libertando os jogadores mais adiantados argentinos  e um deles fez o 2-1 ao segundo poste sozinho, após grande movimento sem bola de Borruto (melhor em campo até então) a arrastar (com uma desmarcação simples)  Ricardinho, o nosso último homem, para o 1º poste libertando o colega no 2º poste.

A Argentina explorou sempre o adiantamento de Bebe como 5º defensor (estratégia reforçada após 1º golo), enquanto Portugal explorou o apoio mais adiantado do pivô em profundidade, criando uma ou duas oportunidades também em situações de bola parada com reposição rápida. Cardinal caiu sistematicamente após receção de bola em posição favorável a não conseguir lidar com o jogo mais físico dos argentinos, com o árbitro a não sancionar esse jogo mais agressivo.

Até que, ao minuto 12’ após falta ou perca de bola do pivô português, assistiu-se a uma transição defensiva mal feita, com o jogador português mais perto da bola a largar a sua marcação junto à baliza nacional, o que pressionou o portador da bola. Mas ficou a meio caminho com este a assistir ao segundo poste de baliza aberta. E novo erro na transição defensiva.

Um minuto após nova rotação de quartetos, Miguel Ângelo fez um passe de risco: ala a ala na saída de pressão e o pivô argentino a roubar o passe e 1×0+gr a fazer golo contra Bébé.

A partir daí, Portugal, passou a depender imenso do portador da bola e do pivô para conseguir criar situações de finalização e a ter grandes dificuldades no confronto físico com os jogadores argentinos, que jogaram bem à maneira sul-americana. Neste contexto de jogo, a Argentina chegou à quinta falta a 3 minutos do fim da 1º parte, mas Portugal não conseguiu aproveitar. Sempre que a primeira linha portuguesa fez 2×1 na 1º linha de marcação, a Argentina conseguiu sair e criar perigo. No entanto há que realçar um lance no final da 1º parte em que os 4 jogadores portugueses na sequência de um canto remataram à baliza com a bola a bater dentro da área duas vezes num argentino e uma vez na barra da baliza.

Na segunda parte, Portugal esteve mais calmo e seguro na posse de bola e defendeu (sem 2×1 precipitados), a continuar a criar oportunidades (1 bola ao poste) nas bolas paradas ofensivas e no 1×1 ou combinações a 2 na ala finalizando mais ataques e evitando transições.

A argentina baixou a agressividade defensiva e começou a gerir os ritmos do jogo.

Como não marcou, e com uma desvantagem de 3 golos, o selecionador português decidiu arriscar ao minuto 10’: jogar com André Coelho como guarda-redes avançado. Inicialmente, procurou bloquear o pivô argentino para libertar Ricardinho na finalização não resultou.

Depois em 2.1.2 já com Bruno Coelho como guarda-redes após uma sobrecarga com 3 na ala contrária, Tiago Brito assistiu Bruno Coelho com este a falhar de baliza aberta.No time out argentino, Portugal tentou atrair a equipa contrária defensivamente para um lado e finalizar do outro lado. Responde a Argentina com 2.2 à zona fechando corredor central na ala.

Foi novamente após uma jogada individual de Ricardinho a passar por meia equipa da argentina, mas a finalizar contra o 3º defensor, que a Argentina beneficiou de um livre que deu origem ao 5-1. Portugal ainda conseguiu chegar ao 2º golo por Tiago Brito, na nossa melhor fase no 5×4 ofensivo, fruto da aposta no 2.3, mas tínhamos sido eliminados e perdido uma oportunidade única de chegar a uma final de um mundial.

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Em jeito de conclusão podemos dizer que quem assume o jogo e falha sistematicamente na transição arrisca-se a perder com seleções que usam essa estratégia no seu plano de jogo. Fisicamente, a Argentina foi também sempre uma seleção com vantagem nos duelos individuais, o que matou 50% da nossa capacidade ofensiva.

A Argentina, nos maus momentos do jogo, não sofreu golo e sempre que Portugal errou marcou nos seus bons momentos, ao contrário de Portugal que não marcou na maioria dos bons momentos e sofreu sempre nos seus maus momentos.

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