Quartos Mundial de Futsal 2016. Um jogo de excelências

Texto de Tó Coelho

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Portugal entrou em jogo com a lição bem estudada, optando por pressionar o Azerbaijão à saída da sua área e recuperar rapidamente a posse de bola. Era a estratégia para evitar o forte jogo de pivô de Tiago Bolinha e tentar finalizar todas as jogadas para não sofrer transições ofensivas. Ao mesmo tempo, o Azerbaijão apostava nas bolas paradas na transição ofensiva e em combinações simples com e sem pivô para chegar à baliza portuguesa sem grande desgaste nos seus jogadores.

Inicialmente prevaleceu a estratégia Azeri devido ao nervosismo inicial português perante a defesa, zona com linha de marcação bem atrás de meio campo por parte do Azerbaijão. No entanto, perante um bom punhado de defesas de Bebé, o resultado permaneceu 0-0 até ao minuto 7’, altura em que, com Djô na posição de Pivô, Portugal chega à primeira vantagem no jogo. Beneficiou por isso da grande atração das 1º e 2º linhas em torno de Ricardinho, que mudou o centro de jogo para a ala contrária no lugar de André Coelho, que criou um 2×1 no ala contrário do Azerbaijão. Assistiu Djs, que finalizou ao primeiro poste perante a má saída do Guarda-redes contrário, permitindo o remate certeiro ao primeiro poste.

Apesar do golo, o Azerbaijão manteve a estratégia e, mesmo permitindo na mesma movimentação do golo e em algumas percas de bola na saída de pressão algumas oportunidades de golo, não se desorganizou e manteve a coesão defensiva e um jogo sem erros no ataque. E foi neste contexto de jogo que Portugal acabou por cometer um erro num fora ofensivo sem finalização, que originou uma transição defensiva muito lenta e posicionalmente (a começar por Cardinal, marcador da reposição lateral) mal feita: conseguiu apenas com 2 jogadores contra 3 jogadores portugueses chegar ao golo no contra ataque com uma finalização ao segundo poste de Tiago Bolinha aos 12’, ou seja, 5’ após o golo Português.

Este golo teve o condão de tornar Portugal mais dinâmico e mais agressivo, tanto ofensivamente como defensivamente, e conseguiu criar um punhado de situações de finalização, permitindo também algumas delas por parte dos azeris com o seu jogo mais direto. Prevaleceu mais uma vez Portugal neste equilíbrio de forças chegando ao 2-1 numa bola parada ofensiva muito bem executada por Bruno Coelho e João Matos, explorando a defesa zona do Azerbaijão. Foi ele quem simulou bloqueio, e desfez no meio da área, e recebeu uma assistência de Bruno Coelho com trajetória aérea para fazer um golo de cabeça bem executado a 3´do intervalo.

Na segunda parte, Portugal assumiu defensivamente a estratégia de baixar a linha de marcação após  finalização ou bola parada defensiva do Azerbaijão, procurando evitar ou anular as transições e jogo de pivô do Azerbeijão bem como a sua meia distância.

O Azerbeijão manteve a sua estratégia de defender nos últimos 12 metros procurando levar o marcador equilibrado até perto do final do jogo. Ofensivamente as duas equipas continuaram muito calculistas com preocupação de não errar e de não se desgastar muito no caso do Azerbeijão. E foi com a estratégia de sobrecarga na ala contrária da bola e 1×1 para chamar a cobertura e chamar o lado contrário da defesa Azeri que Portugal chegou ao 3-1, com uma assistência fabulosa de João Matos a rasgar o quadrado defensivo adversário com um passe na diagonal para Ricardinho na posição de pivô, desviando de calcanhar com um toque de génio a fazer o 3-1.

A 8 minutos e 41 segundos do fim, o Azerbeijão apostou na estratégia de 5×4+gr com Eduardo na posição de guarda – redes avançado, apostando em passagens de 1.2.2 para 2.3, criando várias situações de finalização no fundo nos dois alas pivots principalmente quando um dos jogadores da 2º linha ofensiva saltava para uma das alas criando uma linha de 3 na mesma ala. Portugal demorou algum tempo a perceber como defender esta estratégia, chegando mesmo a sofrer um golo perto da linha de fundo por Eduardo a 6’ do fim, a colocar nova incerteza do vencedor. Portugal pediu um tempo de desconto e acertou a postura defensiva da 2º linha defensiva passando quase para um 2.2 quando a bola estava no jogador mais recuado no corredor central do Azerbaijão. Esta estratégia matou as finalizações na linha de fundo mas permitiu finalizações de meia distância no corredor central. E aí surgiu Bebé com um punhado de defesas espetaculares após remates de meia distância, a última das quais a 1’ do fim pós reposição lateral da equipa adversária.

Destaques individuais para Ricardinho, sempre decisivo, André Coelho (inclusive a defender Pivô), grande revelação de Portugal no mundial, Bebé em grande forma, Bruno Coelho e João Matos, uma vez mais decisivos nas assistências e equilíbrio da equipa. Djô fez uma grande exibição tanto defensivamente como ofensivamente.

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