United de Mourinho incapaz perante City de Guardiola

 

O Manchester United de José Mourinho perdeu, em Old Trafford, por 1-2 frente a um Manchester City organizado e que nunca pareceu ter dificuldades em controlar a partida durante a maior parte dos 90 minutos. Resumindo, um desinspirado United incapaz perante um City dominador.

No 17º confronto entre Pep Guardiola e o treinador luso, o espanhol levou a melhor, aumentado assim para 8 o número de vitórias sobre o Special One.

Formação Man Utd: de Gea, Valencia, Bailly, Blind, Shaw(81, Martial); Fellaini, Pogba, Mkhitaryan(45, Herrera), Rooney, Lingard(45, Rashford); Ibrahimovic

Formação Man City: Bravo, Sagna, Stones, Otamendi, Kolarov; Fernandinho, Siva, Sterling(60, Sané), De Bruyne(90, Zabaleta), Nolito; Iheanacho(53, Fernando)

 

 

Com a liderança do campeonato em disputa, era de esperar que tanto United como City quisessem manter uma maior solidez defensiva em detrimento de um ataque mais vertiginoso. E se Mourinho seguiu essa máxima, Guardiola manteve-se fiel a si próprio e colocou um número elevado de jogadores no meio campo adversário, não só para dar mais linhas de passe aos seus pupilos mas também para cortar o maior número de linhas de passe ao adversário e assim recuperar a bola o mais rapidamente possível. Além disto, pressionou alto a saída de bola do United, algo que os da casa preferiram não fazer, esperando pelo adversário no seu próprio meio campo. Estas decisões traduziram-se num maior domínio da equipa treinada pelo espanhol, com a primeira parte a ser maioritariamente disputada no meio campo do Manchester United.

 

O conjunto de José Mourinho saía rápido para o ataque mas com poucos jogadores, pelo que não havia linhas de passe e consequentemente perdiam a bola. Além disto, falharam demasiados passes, entregando a posse de bola ao adversário e assim era impossível concretizar qualquer jogada que fosse. O que não ajudou foram as exibições de Mkhitaryan e Lingard cujas funções passavam, também, por dar profundidade aos corredores mas como isso não aconteceu, o ataque vermelho e branco tornou-se bastante débil.

Já o Manchester City, com um posicionamento bastante preciso dos seus jogadores, não permitiu saídas de bola perigosas aos seus rivais e saía com muitos jogadores para o ataque. Ataque esse que baralhava as marcações de Pogba e Fellaini no centro do terreno, já que De Bruyne e Silva fugiam para as alas e levavam com eles os respetivos marcadores (Pogba e Fellaini), deixando o espaço central a descoberto que era aproveitado pelos extremos e avançado da equipa de Pep Guardiola.

 

E sem ter nada a ver com o que acabámos de explicar, o City chega ao golo através de uma bola longa que é, primariamente, cabeceada por Iheanacho e, posteriormente, antecipada por Kevin De Bruyne que, com um toque subtil, retira da jogada o passivo Blind que fica pregado ao chão. Isolado, De Bruyne faz o primeiro para os visitantes que ainda antes do intervalo iam chegar ao segundo golo por intermédio de Iheanacho após remate ao poste de De Bruyne. E quem pensa que estes foram os únicos que se destacaram no Man City, engana-se porque Silva e Fernandinho fizeram um jogo de encher o olho.

Contra a corrente de jogo na primeira parte, a equipa de José Mourinho reduz para 1-2 com golo de…Ibrahimovic. Saída mal calculada de Bravo, como foi costume na partida desta tarde, e o sueco aproveitou para, com um remate de primeira, fazer balançar as redes adversárias.

Este foi o resultado com que as equipas foram para o balneário no primeiro…e no segundo tempo. Não houve alterações no placar, embora o técnico luso, tenha, obviamente, feito por isso. Ao intervalo Lingard e Mkhitaryan ficaram no balneário, tal não era a produtividade que estavam a ter em campo. Entrou Herrera, que ocupou a posição de trinco, dando uma maior liberdade a Pogba e Fellaini de subirem no terreno e fazerem uso da estatura, fosse para guardar a bola, fosse para ganhá-la no ar, até porque o jogo dos red devils foi mais direto na segunda metade. Rashford também entrou para dar a profundidade que Lingard não conseguiu oferecer e, ainda que agitando as coisas, não conseguiu ser decisivo como tantas outras vezes o foi. Isto permitiu uma quebra da hegemonia do Manchester City, pelo menos nos primeiros 20 minutos do segundo tempo. A partir daí o jogo ficou partido e se é verdade que Old Trafford podia ter festejado mais um golo da sua equipa, os seus rivais também o poderiam ter feito, já que ambas as equipas conseguiram criar oportunidades para tal.

 

Texto: Diogo Vicente
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