FC Porto 3-0 Vitória SC: Vitória sem espinhas antes da jornada europeia

FC Porto de duas caras derrota um Vitória aguerrido mas incapaz de contrariar a tendência do jogo. Os azuis e brancos seguem atrás de Benfica e Sporting.

Previa-se uma noite complicada para os dragões, na receção ao Vitória SC, que chegava motivado após duas vitórias consecutivas para o campeonato. Nuno Espírito Santo engenhou um 4x4x2 para esta partida e fez algumas alterações no onze em relação à equipa que jogou em Alvalade. Óliver juntou-se a Danilo no meio-campo e Depoitre foi a escolha para fazer companhia ao jovem André Silva, que beneficiou da companhia do avançado belga para assumir uma postura de “vagabundo” neste encontro.

Dispostos a surpreender, foram os vimaranenses a lançar o primeiro aviso com um remate de Xande Silva – a render Marega no onze – para uma boa intervenção de Casillas, logo aos 2 minutos. Pouco depois, Hurtado, com um livre venenoso, obrigou o guarda-redes espanhol a mais uma intervenção. Até ao intervalo, os vimaranenses não voltaram a ter mais lances perigosos mas denotava-se trabalho de Pedro Martins, havendo uma intenção clara de atacar pelo lado esquerdo, procurando explorar as subidas de Layún, para além da aposta nas bolas paradas.

Numa primeira parte mais combativa do que espetacular, o primeiro lance ofensivo digno de registo, do lado da equipa da casa, aconteceu aos 19 minutos, sendo também o lance mais controverso do encontro. Na sequência de um canto do lado esquerdo, André Silva colocou o esférico dentro da baliza mas o golo foi anulado, entendendo Jorge Sousa que o avançado jogou a bola com o braço.

Os dragões apresentaram algumas dificuldades para criar perigo em bola corrida, nos primeiros 45 minutos. Como “quem não tem cão caça com gato”, foi na sequência de dois lances de bola parada que Depoitre (boa exibição do ex-Gent) e, logo a seguir, André Silva, estiveram perto de inaugurar o marcador, quando já tinha sido decorrida meia-hora de jogo.

Acabaria por ser um defesa a fazer o trabalho que os avançados não conseguiram fazer e, claro está, de bola parada. Aos 38 minutos, Layún bate um canto do lado direito e Depoitre desvia a bola de cabeça para Marcano, que aparece ao segundo poste para bater Douglas.

Com pouco tempo para jogar até ao intervalo, ainda houve tempo para mais uma oportunidade de golo. Miguel Layún, de livre direto, viu o poste negar-lhe um belo golo.

O FC Porto entrou com o pé direito na segunda parte. Logo no primeiro lance de ataque da equipa, Otávio rematou de fora da área para o segundo golo do jogo, com alguma sorte à mistura – a bola bateu em Óliver antes de entrar.

A partir daí, o jogo passou a ter sentido único, com a equipa da casa a trocar a bola com maior fluidez e com os seus jogadores a mostrarem-se cada vez mais soltos e confiantes. Do outro lado da moeda, o Vitória não foi mais capaz de batalhar tão arduamente a meio-campo como tinha sido no primeiro tempo.

Assim, o terceiro golo surgiu naturalmente. Aos 55 minutos, Layún cruzou do lado direito eJoão Aurélio, numa tentativa de corte, marcou na própria baliza.

O jogo já estava resolvido e não houve muita mais história para contar. O Vitória ainda tentou chegar à baliza algumas vezes – Raphinha obrigou Casillas a uma boa defesa – mas o jogo estava, efetivamente, controlado pelos azuis e brancos.

O ritmo foi baixando enquanto o tempo passava, possivelmente com o Porto a pensar já no encontro a meio da semana para a Liga dos Campeões, e Nuno ainda deu a oportunidade a Diogo Jota de se estrear na sua equipa.

Aos 86 minutos, Corona, que entrou para render Otávio, conduziu um contra-ataque de forma categórica mas, na hora da verdade, quis entregar a bola a Layún. Estava lá Raphinha para cortar a bola e evitar um resultado ainda mais expressivo.

O Porto acabou por conseguir uma vitória importante, não deixando fugir os rivais, e deixou uma imagem positiva, no segundo tempo, depois de uma primeira parte não tão conseguida.Segue-se agora um desafio diferente, na quarta-feira, com a receção ao Copenhaga.

Já o Vitória, apesar da derrota algo volumosa, deixou indicações positivas no primeiro tempo, estando sempre bem organizada em campo. Ainda há muito para melhorar mas com o tempo e com mais opções – importa relembrar que o melhor marcador da equipa, Marega, não esteve presente, e Hernâni ainda não foi opção -, Pedro Martins deve ter condições para lutar arduamente pelo regresso à Europa.

Melhor em campo (FC Porto):

Óliver Torres: Foi o jogador mais esclarecido da equipa, durante o tempo em que esteve em campo, e aquele que mais se galvanizou no segundo tempo. A sua qualidade de passe, inteligência e criatividade estão bastante acima da média, quando olhamos para as restantes opções que Nuno tem no plantel. Acabou por ser substituído aos 76 minutos, possivelmente a pensar no encontro de quarta-feira.

Melhor em campo (Vitória SC):

Raphinha: Foi o jogador mais desequilibrador do Vitória, durante a primeira parte. No segundo tempo, como já foi referido, ainda obrigou Casillas a uma boa defesa (60) e negou o quarto golo do adversário, com um grande corte (88).

Rafael Soares

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