Saiba como Rui Vitória vai incluir Rafa no onze do Benfica

Rafael Alexandre Fernandes Ferreira Silva é um nome que pode não dizer muito à maioria das pessoas. Este é o nome completo de Rafa Silva, a última aquisição do Benfica para a nova temporada e o protagonista da maior novela do mercado de transferências. Os contornos da negociação foram algo caricatos, com os presidentes do Sporting de Braga e do Benfica a tentarem resolver divergências até aos últimos minutos do defeso, mantendo um suspense ao nível de uma novela mexicana: todos os dias Rafa estava mais perto do Benfica, no mesmo dia ou no dia a seguir já estaria mais perto do Porto e até contou com uma tentativa de plot-twist – característica necessária de um bom filme de suspense – por parte do Sporting. Rafa tornou-se mesmo jogador do Benfica no último dia do mercado de transferências, dia 31 de agosto.

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A carreira de Rafa foi iniciada nas camadas jovens do Atlético Povoense, clube de Póvoa de Santa Iria, sendo que com 11 anos fez uma curta viagem até Alverca, para representar o clube local. Rafa ficou no FC Alverca até aos seus 18 anos e foi-se destacando, mostrando desde cedo atributos como a sua velocidade e capacidade de segurar a bola em progressão, tendo o Feirense feito uma proposta de contrato profissional, aceite pelo atleta.

Um dado curioso, que o Box-to-Box conseguiu apurar,  é que consta que aquando Rui Vitória iniciou a sua carreira de treinador no Vilafranquense, era professor de Educação Física em Alverca e terá chegado a ser professor de Rafa Silva na escola básica Jacques de Magalhães em Alverca.

Rafa acabaria por fazer uma temporada nos juniores do Feirense, cumprindo a normal fase de adaptação, e na temporada seguinte, na sua primeira temporada como profissional, fez uma grande época, tendo agarrado a titularidade desde inicio, participando em 47 jogos e fazendo 11 golos. Na temporada seguinte, em 2013/2014, o jogador acabaria por seguir para Braga, apesar do assédio do Sporting. Nessa temporada, faz 32 jogos e marca por nove vezes, agarrando um surpreendente lugar na lista final de Paulo Bento para o Mundial do Brasil.

Em 14/15 tem uma época de menor rendimento, faturando cinco golos em 43 jogos. Na temporada passada volta à sua melhor forma, fazendo grandes exibições tanto na liga portuguesa como na Liga Europa e ajuda a equipa do Braga a vencer a Taça de Portugal, marcando na final frente ao FC Porto. Chega então ao Benfica já com provas dadas na primeira liga portuguesa, com o estatuto de craque e principalmente como campeão europeu. Numa equipa que passa 80% dos jogos a atacar, caso do Benfica, vai poder mostrar os seus pés de veludo e melhorar a sua acutilância na hora de finalizar.

Extremo ou Avançado? O Box-to-Box responde à dúvida de muitos adeptos

Rafa, no Braga, atuou quase sempre pela ala esquerda, seja num 4-4-2 clássico utilizado por Paulo Fonseca ou num 4-3-3 de Peseiro. A sua velocidade com e sem bola fazem dele um jogador que pode jogar em qualquer posição do ataque. É um jogador de técnica apurada que preenche bem o espaço central dando o corredor ao lateral que jogar atrás dele, pois gosta de fletir para zonas mais centrais do terreno, sendo um destro a jogar na esquerda.

Mas sendo extremo e o Benfica já contar com nomes para a posição como Salvio e Pizzi, a contratação bomba Carrillo, a contratação argentina do super-sónico Cervi, outra contratação de um campeão do mundo sub-20 e um dos jogadores jovens mais entusiasmantes a nível mundial Zivkovic, qual a necessidade de contratar Rafa? Na verdade, um bom jogador é sempre bem vindo num plantel e para além disso, o Benfica mostrou o seu poder a nível financeiro e o nível de influência tanto ao impedir que um jogador do calibre de Rafa fosse para um rival direto como ao mostrar que pode pagar 16 milhões de euros por um jogador – foi uma demonstração de força de um clube que quer quebrar a hegemonia de outro clube para ser ele próprio a detê-la. E Rafa é um jogador que pode fazer o lugar de Jonas, sem que a equipa fique refém de alguém que saiba correr com bolas e cortar linhas de pressão, vindo buscar a bola atrás, distribuir jogo e ainda aparecer na área a finalizar, e ao Benfica fazia falta alguém assim no plantel. Verdade, Jonas é um jogador de craveira mundial e é insubstituível, mas já conta com 32 anos e com uma temporada tão longa pela frente, o internacional brasileiro vai precisar de descansar. E é na posição onde atua Jonas, um pouco mais atrás do ponta de lança, que Rafa pode aparecer também variadas vezes esta temporada.

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No entanto Rafa, como jogador jovem que é – tem apenas 23 anos – tem ainda algumas lacunas, normais, no seu jogo. Um aspeto a melhorar será o empenho defensivo, pois por vezes parece algum reticente em correr atrás da bola. Também a melhorar será a finalização, pois ainda claudica algumas vezes em frente ao guarda-redes e numa equipa grande os adeptos exigem mais. Outro aspeto em que pode melhorar será o momento de libertar a bola, pois como é normal na sua idade, gosta de ter a bola colada ao pé por vezes demasiado tempo. No entanto, terá em Jonas alguém que o pode ajudar bastante a melhorar esse aspeto.

Eis as opções táticas de Rui Vitória para incluir Rafa no onze das águias: 

1 – Esta será, porventura, a posição que Rafa mais desempenhará no plantel do Benfica. A sua capacidade de partir da ala para o miolo do terreno permite ao lateral esquerdo procurar a profundidade do corredor desiquilibrando a equipa adversária que se movimenta no sentido de procurar o portador da bola que vem para dentro. Este movimento permite a Jonas vir mais atrás e procurar movimentos nas costas dos defesas e tabelas, à semelhança do que faz com Pizzi no lado direito. O problema de jogar com Rafa e com Pizzi em simultâneo prende-se com facto de o jogo benfiquista poder ficar afunilado, pois nenhum é extremo de ir à linha e cruzar, o que pode prejudicar o jogo de um ponta de lança mais estático como Mitroglou. De referir, a importância de Rafa ter de defender mais e melhor do que fazia em Braga.

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2 – Ocupando a posição de Jonas, Rafa terá de procurar movimentações parecidas com as do brasileiro. Pegar no jogo mais atrás, fazendo com que os centrais adversários acompanhem a sua movimentação deixando as suas costas mais vulneráveis. Mais importante ainda, e que Jonas tão bem faz, é a ligação do ataque com o sector intermediário. Numa tática que utiliza apenas dois médios e em que apenas um dele é, declaradamente, de contenção, o jogo benfiquista precisa de alguém que apoie a dança tática dos médios. Rafa poderá desempenhar bem essa função, pois apesar de ser um jogador diferente, partilham ambos de um toque de classe apenas ao alcance dos bafejados pelo talento e do facto de conseguirem trocar a bola com os colegas com um espaço tão pequeno como uma cabine telefónica. Esta posição permite ainda a Rafa descair para as alas e atacar a baliza com menos preocupações defensivas do que teria atuando a extremo.

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3 – Em jogos mais complicados, quando as equipas são teoricamente mais fortes e com maior propensão ofensiva, como por exemplo frente ao Nápoles para a Champions League, Rui Vitória pode optar por lançar Jonas e Rafa soltos na frente. Isto porque utilizando um ponta de lança mais fixo seria prejudicial, pois teoricamente estes jogos pedem transações ofensivas mais rápidas, em poucos toques e os jogadores têm pouco tempo para decidir. Com Rafa jogando um pouco atrás de Jonas, a primeira linha de pressão seria feita por ambos e o português, com a sua velocidade e técnica, poderia jogar em toda a linha avançada, seja descaíndo para as alas, seja procurando apoios centrais ou até funcionando quase como um terceiro médio ou um 10.

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Texto de Ricardo Pereira
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