Campbell: o desejo de Jesus

Texto de Ricardo Pereira

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Joel Campbell chega a Portugal depois de muito desejado por Jorge Jesus desde os tempos de Benfica. O costa-riquenho começou nas camadas jovens do Deportivo Saprissa, o principal clube da Costa Rica, e estreou-se nesse mesmo clube com apenas 17 anos, em 2009. Foi emprestado na época seguinte ao Puntarenas, do mesmo país, e que pela altura jogava na Libertadores, competição em que Joel Campbell aproveitaria para se destacar, ao mesmo tempo que se ia destacando na selecção A do país natal.

As exibições de Campbell despertaram a atenção de grandes clubes e o Arsenal ganhou a corrida a clubes como o Sevilha e a Fiorentina. Em 2011, Campbell assina um contrato por 5 temporadas com os “gunners”. Tapado por estrelas na equipa inglesa é emprestado ao Lorient, onde se destaca pelos atributos pelos quais tinha sido contratado: a velocidade e a técnica. Regressa ao Arsenal apenas para ser emprestado novamente, desta vez ao Betis de Sevilha. A experiência não corre de feição e faz uma temporada intermitente, jogando ainda assim 31 jogos e 22 a titular, apontando 2 golos. Na temporada seguinte, 2013-2014, é novamente emprestado, indo jogar para o crónico campeão grego, Olympiakos. Esta é, por ventura, a época mais produtiva de Campbell e é por esta altura que entra no radar de Jorge Jesus. A técnica que sempre revelara, a velocidade de ponta que faz parecer que em vez de pisar a relva com as botas desliza majestosamente por ela, aliadas, àquilo que faz o futebol ser o que é: golos. Em 43 jogos pelo clube grego anota 11 golos, um deles na competição que todos os jogadores de futebol sonham jogar, a Champions League, e logo ao Manchester United.

Volta ao Arsenal em julho de 2014 onde, novamente, não se consegue destacar, sendo emprestado ao Villareal a meio da temporada onde também não consegue assumir um papel de relevo e onde não conseguiu explanar todas as suas capacidades. No final da época regressa a Londres com o objectivo de, finalmente, se fixar na equipa do Arsenal. Começou como suplente, mas num plantel do Arsenal assolado por lesões, nomeadamente de Alexis Sanchez e Özil, ainda iniciou alguns jogos de inicio marcando, inclusive, alguns golos. Regressadas as estrelas da companhia, Arséne Wenger renegou-o novamente para a penumbra do banco de suplentes. A época termina sem glória, nem para o Arsenal nem para Campbell.
Chega o defeso e o treinador do Arsenal parecer, novamente, não contar com o costa-riquenho, mas a paixão de Jesus por Campbell não diminui. Tentou contratá-lo para o Benfica em 2014 depois de Campbell ter aniquilado a defesa benfiquista no torneio Emirates. Este ano era prioridade para Jesus para reforçar o ataque do Sporting. E o presidente do clube leonino fez-lhe a vontade e Jesus vê o seu desejo consumado como um milagre religioso à muito desejado. O costa-riquenho junta-se ao compatriota Bryan Ruiz no plantel leonino e alarga o leque de opções para o técnico dos verdes e brancos. Para além disso, o costa-riquenho não tem grandes dificuldades em jogar em qualquer posição do meio campo para a frente.
No atual modelo, o Sporting de Jorge Jesus jogo no seu característico 4-4-2, já sobejamente conhecido deste os tempos de Benfica. Dois alas que tanto atacam como defendem. E Jesus exige que os seus alas defendam. Gelson tem velocidade e técnica, mas ainda não tem a cultura táctica que Jesus pretende. E Bryan Ruiz tem técnica e uma classe fantástica, mas a velocidade nunca foi o seu forte, qualidade que Jesus gosta que os seus extremos tenham para fazer as recuperações defensivas. Bruno César é mais um médio interior do que um extremo pois a sua tendência é para flectir para o meio e João Mário, que ao que tudo indica está de saída, tem as mesmas e mais virtudes do que o brasileiro, e a sua tendência é para jogar por dentro, dando sempre cobertura e fechando os espaços nas costas do defesa lateral que tenha acompanhado a jogada de ataque da equipa.

No entanto, na equipa, faltava alguém que tivesse velocidade e fantasia no 1 vs 1 e que vá sem problemas à linha e tire um bom cruzamento. Faltava alguém que tanto pudesse polvilhar o jogo lateral de magia como pintar um golaço no centro do ataque e Jesus viu nesse alguém Joel Campbell. Para além de poder jogar nas alas como extremo num 4-4-2, pode jogar na frente de ataque ao lado de um ponta-de-lança mais fixo como Slimani. E se Jorge Jesus pretender mudar o esquema tático, com Campbell em campo tem sempre essa mais valia, podendo jogar num 4-3-3 encostando Campbell a uma faixa. Campbell chega por empréstimo ao Sporting e chega numa altura em que tem tudo para explodir definitivamente e se afirmar no panorama futebolístico europeu. E tem em Jorge Jesus um treinador que gosta de potenciar jovens jogadores. O costa riquenho terá, por sua vez, de se adaptar às tarefas defensivas que Jorge Jesus exige dos seus alas, ponto onde terá de melhorar bastante.
Numa liga como a portuguesa, Campbell tem tudo para ter uma época ao nível da que fez no Olympiakos ou até melhor.

Eis as opções táticas com Joel Campbell ao dispor de Jorge Jesus:

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1– A posição onde Joel Campbell mais atuou pelo Arsenal e Olympiakos, encostado à direita, oferecendo uma velocidade vertiginosa à ala. Fazendo toda à ala direita até À linha de fundo, fazendo os apoios aos avançados mais por dentro, sem descurar o apoio ao defesa lateral. 

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2– Basicamente as mesmas obrigações da faixa contrária, sendo que sentar o compatriota Bryan Ruiz, que à partida terá lugar cativo, não será fácil. No entanto, possuem características bastante diferentes e oferecem dinâmicas diferentes ao jogo dos leões.

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3 – Sem tantas preocupações defensivas, é nesta posição que Campbell está habituado a jogar pela sua selecção. Aqui poderá explanar a sua qualidade técnica, vindo buscar jogo mais atrás, podendo descaír para ambas as alas, dependendo do desenrolar da jogada.

PS.: Destaque para a atual capacidade do Sporting ser atrativo para jogadores com algum nome a nível internacional, quando à uns anos isso seria bem mais difícil de acontecer. A chegada de Jorge Jesus a Alvalade contribuiu muito para isso, como se percebeu pela chegada de Bryan Ruiz e Aquilani, e este ano há entrada direta na Champions.

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