Michael Ribeiro – tetra em Portugal e agora também Campeão Universitário da Europa

Dez dias depois da seleção se sagrar Campeã da Europa com a vitória por 1-o frente à anfitriã França, outra equipa composta por jogadores lusos logrou resultado semelhante. A equipa de futebol da Universidade do Minho, orientada por Michael Ribeiro, que já no ano anterior com um terceiro lugar no europeu fizera história, abrilhantou ainda mais o livro dourado do Desporto Universitário português ao vencer a equipa da Universidade de Bochum por 2-1.

Nunca orientou qualquer equipa de futebol federado. Como jogador, o máximo que conseguiu foi chegar à então terceira divisão nacional, hoje Campeonato Nacional de Seniores. Mas no que toca a desporto universitário, Michael Ribeiro, de 40 anos, é figura maior.

A trabalhar na Universidade do Minho desde 2006, o técnico minhoto tem feito história com a equipa de futebol. Nos últimos cinco anos o conjunto, composto por atletas, na maioria federados e que, em simultâneo, estudam em Braga, esteve presente em cinco finais do campeonato nacional, sendo que nessas apenas por uma vez, na primeira (em 2012), não conseguiram ganhar. Daí para cá, quatro títulos consecutivos e respetiva presença no campeonato europeu Universitário.

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Ano inesquecível para Michael e os seus pupilos: depois de vencer o Campeonato Nacional, o improvável  Campeonato Europeu! Foto: FADU

Almeria, aqui ao lado em Espanha, marcou a estreia dos minhotos nestas andanças. Nesse ano ficaram-se pelo sétimo lugar. Em 2014, na segunda presença europeia, a prestação dos campeões nacionais piorou – 17º. Mas o tricampeonato alcançado no ano seguinte serviu de estímulo para o que seria o europeu de 2015. Os jogadores de Michael Ribeiro ficaram em terceiro na prova que teve lugar em Osijek, na Croácia.

Da palestra que serviu de lançamento a esta época que agora terminou com dois títulos – nacional e europeu – o treinador recorda: “Disse-lhes que a nossa história ainda não tinha acabado. O nosso objetivo foi, e continua a ser, fazer sempre melhor. Apesar do ano passado ter sido atingido algo histórico, queríamos melhor.”

Desengane-se quem pensa que o facto de estar presente num europeu pela quarta vez consecutiva eliminaria todas as dificuldades. Os bracarenses sentiram isso na pele em todas as edições, como de resto atestam as classificações díspares alcançadas no torneio. Ainda assim, o técnico é taxativo quando toca a apontar a principal dificuldade: vamos sempre as cegas porque nunca sabemos o real valor das restantes equipas. “Sabíamos que estavam presentes seis que vinham do ano passado, mas as restantes era impossível saber alguma coisa.” A observação ao adversário só foi possível assim que os futuros adversários entraram, também eles em prova. Isso permitiu a observação por parte de um membro da equipa técnica dos minhotos. Equipa técnica que, como reforça Michael Ribeiro, sempre as melhores condições para trabalhar com os jogadores no pouco tempo que tinham disponível. O mérito também é da Universidade do Minho.

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O momento da conquista e do sonho realizado. Foto: FADU

Depois de quatro anos como campeão nacional universitário e, agora, como campeão europeu, não é de estranhar que surjam convites para orientar equipas federadas, mas até ao momento nada se concretizou. De estranhar, isso sim, é o facto de até à data desta entrevista, os campeões europeus universitários não terem recebido, oficialmente, nenhum reconhecimento, nem da parte da Federação Portuguesa de Futebol nem do Governo português. O treinador considera os títulos europeus de sub-16 e de séniores uma realidade diferente daquela que é a conquista deste título, mas espera que contribua para a progressão dos seus atletas.

Quanto ao europeu do próximo ano que se irá jogar no Porto, para já ainda não faz parte das contas do técnico. O primeiro objetivo passa pelo penta campeonato. Depois a ideia é sempre a mesma – fazer sempre melhor.

Artigo de David Agostinho

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