Um Borussia de outro mundo para atacar a hegemonia bávara

Os tempos onde o Borussia pareceu tremer com uma iminente falência, da qual foi salva pelos seus eternos rivais, o Bayern de Munique, com um empréstimo de dois milhões de euros, parecem ter ficado definitivamente para trás. Depois da falência em 2002, o sucesso afastou-se da Vestfália e as prestações da equipa de Dortmund não passavam do meio da tabela com ocasionais apuramentos para a já extinta Taça UEFA. Tudo parecia estar a mudar no início da época de 2008/2009.

Entra Klopp

A entrada do antigo treinador do Mainz foi o que devolveu a vida a uma equipa que tinha perdido a mística como o Dortmund. Contratações estratégicas como Subotic, Lewandowski, Kagawa, Bender, Mkhitaryan e uma aposta na formação, extraindo produtos como Gotzë e Sahin catapultaram a equipa outra vez para o caminho do sucesso. Um bicampeonato (2010/2011 e 2011/2012), uma Taça da Alemanha e duas supertaças foram o legado que Jürgen Klopp deixou em Dortmund, para além de uma final da Liga dos Campeões em 2012/2013. A equipa voltava a respirar. Um campeonato mais cinzento em 2014/2015 anunciava a necessidade de uma mudança de ares. Em Abril de 2015, Klopp anunciou a sua saída para tirar um período sabático. Conseguiu deixar acabar a época em sétimo lugar depois de a meio da temporada a equipa ter chegado a submergir nos lugares de despromoção.

Klopp e o seu estilo efusivo devolveram a glória a Dortmund.

Klopp e o seu estilo efusivo devolveram a glória a Dortmund.

Começa a Era Tuchel

Tal como o seu antecessor, Thomas Tuchel também treinou o Mainz com relativo sucesso antes de se sentar no banco do Borussia. Manteve muita da espinha dorsal da equipa de Klopp e voltou a conseguir o regresso de um Dortmund forte a bater-se taco a taco com os maiores. Não alcançou nenhum título mas finalizou num sólido segundo lugar, devolvendo à equipa um lugar na Liga dos Campeões, uma final da Taça da Alemanha e na Liga Europa caiu perante o Liverpool que era orientado pelo antigo timoneiro do Borussia, Jürgen Klopp. Foi, essencialmente, um ano para começar a reconstruir a equipa de modo a encontrar o caminho para os troféus.

Mais contido mas não menos genial, Tuchel foi o escolhido para repor o Borussia no trilho das vitórias.

Mais contido mas não menos genial, Tuchel foi o escolhido para repor o Borussia no trilho das vitórias.

Ataque a 2016/2017 com uma forte presença no mercado de transferências

Perspectivava-se que a equipa passasse mal no mercado com as saídas de pilares como Mats Hümmels, Ilkay Gündogan e Henrikh Mkhitaryan que iriam entrar na última época de contrato. Posto isto, a direcção do Borussia de Dortmund entendeu obter encaixe financeiro com as suas vendas para reforçar a equipa. Assim o fez. Definidos os alvos de mercado o Borussia fez contratações que deram profundidade às escolhas de Tuchel e juntaram um misto de juventude e experiência à equipa alemã prometendo que esta vai dar uma enorme luta ao Bayern de Munique de Carlo Ancelotti na Bundesliga.

Na baliza não vão existir alterações permanecendo da época anterior Bürki e o veterano Weidenfeller. Para a defesa entraram Marc Bartra (ex-Barcelona) e Raphaël Guerreiro (ex-Lorient). Bartra que não conseguiu encontrar o seu espaço no centro da defesa do Barcelona chega a Dortmund para jogar ao lado Sokratis, trazendo consigo boa capacidade para pensar o jogo, sair a jogar e reforçando o jogo aéreo também servindo de alternativa para a lateral direita. Na esquerda, o português Raphaël Guerreiro vai lutar com Erik Durm pelo lugar. Avança, por enquanto, como o favorito ao lugar pela segurança que oferece, pela capacidade nas bolas paradas e pela consistência e solidez das suas exibições ao contrário de Durm.

O centro do meio-campo será uma dor de cabeça enorme para Thomas Tuchel. Gonzalo Castro, Weigl, Röde e Sahin são os nomes que figuram. A chegada de Röde oferece mais uma solução e maior versatilidade à equipa da Vestfália na hora de sair a jogar.

Para o ataque a criatividade abunda. No apoio ao ponta-de-lança regressa Götze que começou a perder espaço no Bayern Munique e assim ganha mais uma oportunidade de brilhar ao serviço do clube que o viu crescer. Nas alas moram Reus, Dembelé e Merino. Estes últimos dois reforços de Verão e uma clara aposta na juventude e para um futuro que há-de ver. Dembelé que acrescenta criatividade, poder de explosão e imprevisibilidade ao conjunto alemão mais Merino, contratado Osasuna e onde foi preponderante na campanha de regresso da equipa de Pamplona à La Liga. Do outro lado moram Emre Mor – jovem internacional turco de apenas 18 anos – que muitos já apelidam de “novo Messi” pela sua habilidade individual e um dos reforços mais sonantes, contratado ao Wolfsburgo, André Schürlle, que traz consigo velocidade, bom controlo de bola e óptima capacidade de finalização. Pode jogar tanto como extremo ou segundo ponta de lança. A sua chegada e a de Emre Mor podem ser um mau prenúncio para Jakub Błaszczykowski que vê assim esfumarem-se a sua oportunidade de ser titular nesta equipa.

Quem agradece este reforço certamente será Pierre-Emerick Aubameyang. O goleador gabonês e Ádrian Ramos vão ter uma guarda de luxo ao seu serviço e as equipas adversárias terão muito que trabalhar frente a um Borussia de Dortmund que, bem trabalhado, poderá conquistar para além de terras germânicas e acabar no cimo do trono europeu de futebol.

 

Conheça o plantel completo do Dortmund para a época 2016/2017: 

Guarda-redes: 

  • Weidenfeller;
  • Bürki

Defesas: 

  • Piszczek;
  • Erik Durm;
  • Marc Bartra;
  • Ginter;
  • Sokratis;
  • Bender;
  • Raphael Guerreiro;
  • Subotic;
  • Schmelzer.

Médios: 

  • Emre Mor;
  • Mário Gotze;
  • Kagawa;
  • Marco Reus;
  • André Schurrle;
  • Ousmane Dembélé;
  • Mikel Merino;
  • Kuba;
  • Sahin;
  • Pulisic;
  • Sebastian Rode;
  • Felix Passlack;
  • Gonzalo Castro.

Avançados: 

  • Pierre-Emerick Aubameyang;
  • Adrián Ramos.

 

Texto de José Piteira
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