Os cães de fila continuam a ladrar. E, no final, tu é que viste a caravana passar, Bruno

Peço que todos os adeptos que seguem esta página não pensem que com este texto de opinião estou a assumir uma cor clubística. Antes pelo contrário e a transparência é muito importante, sou sportinguista. Desde pequenino. Mas algo que se enraíza mais enquanto vamos crescendo e, especialmente, na área onde quero trabalhar que é o jornalismo ela tem de existir, é a imparcialidade. E eu gosto de pensar que a possuo.

Foi um campeonato que começou a ser disputado fora das quatro linhas há um ano. No dia em que Jorge Jesus foi contratado pelo Sporting, o mundo do futebol português ficou em polvorosa. O homem que tinha levado o Benfica a três campeonatos, duas finais europeias, cinco Taças da Liga, uma Taça de Portugal e duas supertaças, saltava para o outro lado da 2ª Circular. Era o início de uma guerra que se viria a estender ao longo da época. Uma guerra de palavras. Foi constante o “bola cá, bola lá”, não tão emocionante como um bom jogo de ténis entre Rafa Nadal e Novak Djokovic. Mesmo assim conseguiu as atenções do público português que viu o renascer de uma rivalidade há muito adormecida.

Foi Pedro Guerra, foi João Gabriel, foi Luís Filipe Vieira, foi Rui Gomes da Silva… um sem-fim de nomes a quem, quando dada a oportunidade, Bruno de Carvalho aproveitava para “fincar o dente”, optando por uma enorme estratégia de barulho. A pessoa que por inúmeras vezes disse que os cães de fila continuavam a ladrar, optou por uma estratégia que, no mundo da comunicação, é conhecida como a estratégia “rotweiller”. Os resultados desta estratégia são prejudiciais. Para a imagem de Bruno e para a imagem do clube, infelizmente. O desgaste começa a acentuar-se e perde-se a identidade histórica do clube, arriscando a que este caia no ridículo.

Trio de Odemira

Bruno de Carvalho, Pedro Guerra e João Gabriel fizeram parte de uma intensa guerra de palavras ao longo da época.

 

Percebe-se o que o presidente do Sporting está a fazer. E ninguém o julga. Um acérrimo defensor da verdade desportiva e da erradicação dos fundos de investimento. Causas que teriam mais apoio caso Bruno de Carvalho fosse mais contido nos seus comentários e não vivesse constantemente escondido numa trincheira como soldado encurralado a tentar disparar sobre tudo o que pensa ser inimigo.

O problema aqui é que falar, por vezes, tem os seus custos, e os sportinguistas estão a pagar por isso. Falou-se a época toda sobre o Benfica, rival que merece o nosso respeito acima de tudo e apesar das picardias, mas esqueceu-se um pouco o que é essencial. Uma equipa para ser grande, que é o estatuto que o Sporting Clube de Portugal tem e almeja cimentar cada vez mais, deve focar-se mais em si e depois, preocupar-se com os seus rivais. Falhou-se nessa área e assim foi impossível colher os frutos de uma excelente época na qual se formou um conjunto forte que permite os “leões” sonhar com sucessos vindouros.

O título esta época escapou. Um pouco pela falta de modéstia e pela mania da perseguição. É caso para dizer que Bruno de Carvalho “ladrou” mas no final, em vez de ser ele na caravana que tanto ambicionava, acabou por a ver passar.

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