FC Porto: A obrigação de ganhar

O campeonato está aproximar-se dos momentos de decisão e continua tudo em aberto na luta pelo título. A diferença entre o 1º e o 3ºclassificado é de seis pontos, quando ainda há 36 pontos em disputa – a contar com a jornada deste fim de semana. Com este cenário é importante analisar o que os três primeiros classificados já fizeram até agora e o que ainda têm de jogar até ao fim do campeonato.

O erro de manter Lopetegui

Após uma época sem ganhar qualquer troféu, permitindo ao Benfica conquistar o bicampeonato, é imperativo no Dragão a conquista de títulos, com o campeonato como principal objetivo. E a direção reforçou-se nesse sentido. A chegada de Casillas, Maxi Pereira, Imbula – apesar de não ter correspondido – e Corona são exemplo desse mesmo investimento.

O problema foi a manutenção do treinador Julen Lopetegui. No ano e meio que esteve no comando dos “dragões”, o espanhol só conseguiu atingir a liderança da Liga por uma ocasião e durante uma semana. Apesar de a equipa estar na luta pelos objectivos – chegou mesmo em 1ºlugar a Alvalade – o futebol apresentado era muito embrulhado e, em certos momentos, sem ideias. O treinador apostou num futebol rendilhado, com muita posse de bola e pouco acerto ofensivo.

Lopetegui

Num ano e meio no Dragão, Lopetegui só atingiu a liderança por uma ocasião e durante uma semana

Ficou claro que Lopetegui nunca conseguiu retirar todo o valor aos dois planteis que teve à sua disposição – e foram dos melhores que os azuis e branco tiveram nos últimos anos.

Além disso, a ligação com os adeptos foi outro problema e que, provavelmente, cavou a sepultura do técnico no clube. A “química” entre o relvado e as bancadas era muito fraca e, sempre que algo corria menos bem, os adeptos cobravam com assobios e contestação.

O momento decisivo foi a derrota frente ao Dínamo de Kiev (0x2), que levou à eliminação dos “dragões” na Liga dos Campeões. Após esta partida, o FC Porto perdeu frente ao Sporting (2×0), em Alvalade, e empatou, em casa, frente ao Rio Ave (0x0) – se contarmos apenas os encontros do campeonato.

A entrada de José Peseiro e os reforços

Foi após a partida frente ao Rio Ave que Lopetegui deixou o comando técnico dos azuis e branco. Até à chegada de José Peseiro, Rui Barros comandou a equipa, tendo uma derrota em Guimarães, que pode ter complicado muito as contas do título.

A entrada de Peseiro trouxe mais acerto ofensivo à equipa e mais verticalidade – a equipa simplificou processos e não usou tanto a posse de bola para chegar à baliza adversária. A vitória no Estádio da Luz exemplifica bem as mudanças mencionadas.

Quanto aos reforços, os verdadeiros foram os menos sonantes. De todos os jogadores que chegaram ao Dragão este ano, há que destacar André André, Danilo e Layun.

André André

André André leva 29 partidas esta temporada e 6 golos marcados

Os dois primeiros vieram do campeonato nacional e ganharam lugar no meio-campo sem grande dificuldade. Danilo é um monstro, um clássico 6. A capacidade de recuperação de bola, o bom posicionamento e o músculo que dá à equipa tornam-no num dos melhores da sua posição em Portugal. Já André André veio dar polivalência, resistência e visão de jogo ao centro do terreno. O internacional português já foi utilizado no meio-campo, como também jogou como falso ala numa posição mais adiantada. Foi um dos melhores no início da temporada e só uma lesão, contraída na seleção, tirou-o do onze.

Em relação a Miguel Layun foi um verdadeiro achado. O mexicano chegou por empréstimo do Watford e tornou-se um jogador indispensável. Além da segurança defensiva que oferece no lado esquerdo, Layun é o rei das assistências na Liga, sendo um especialista nas bolas paradas. A polivalência é outra das suas qualidades. O internacional tanto joga no lado esquerdo como no direito, tendo mesmo já atuado a defesa-central esta temporada – decisão de recurso no jogo frente ao Borussia de Dortmund.

A época atribulada e o que falta disputar

A temporada não tem corrido de feição no Dragão, e as três derrotas – Sporting, V. Guimarães e Arouca – e os quatro empates no campeonato – Marítimo, Moreirense, Sp. Braga e Rio Ave – são exemplo da época atribulada que os azuis e branco têm realizado.

Até ao fim da Liga, as deslocações a Belém, Braga e Paços de Ferreira e a receção ao Sporting prometem ser provas de fogo para os “dragões”. O FC Porto está um pouco mais atrasado na corrida pelo título, mas promete dar luta até ao fim.

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