Benfica: Mudar o paradigma com ambição de sempre

O campeonato está aproximar-se dos momentos de decisão e continua tudo em aberto na luta pelo título. A diferença entre o 1º e o 3ºclassificado é de seis pontos, quando ainda há 36 pontos em disputa – a contar com a jornada deste fim de semana. Com este cenário é importante analisar o que os três primeiros classificados já fizeram até agora e o que ainda têm de jogar até ao fim do campeonato.

O início atribulado: as guerras e a herança de Jesus

A época ainda não tinha começado e já se perspectivava um ano difícil para os lados da Luz. A saída de Jorge Jesus para um rival direto, a pré-época mal organizada, com muitas viagens e pouca preparação, e a saída de Maxi e Lima, dois pilares do bicampeonato, anteviam uma temporada de desafios e superação. A derrota na Supertaça frente ao Sporting só veio confirmar esta mesma teoria.

A chegada de Rui Vitória aos “encarnados” foi, portanto, tudo menos fácil. O treinador foi apanhado num fogo cruzado entre Benfica-Jorge Jesus-Sporting, não tendo a tranquilidade necessária para desenvolver o seu trabalho e colocar o seu cunho pessoal.

Além desta intranquilidade toda em redor da equipa, Rui Vitória parecia, no início, muito colado às ideias do seu antecessor. A equipa praticava um futebol pobre, sem uma ideia de jogo definida e que vivia dos rasgos individuais dos seus melhores jogadores, principalmente de Gaitán. As três derrotas frente ao Sporting, que valeram a Supertaça, a Taça de Portugal e três pontos em casa, prejudicaram ainda mais a confiança da equipa.

Gonçalo Guedes

Esta época, Guedes leva 26 jogos realizados e 4 golos marcados. Fonte: Facebook Benfica

No início da época, a única mudança que se notava no Benfica de Rui Vitória era a aposta nos jovens. Na saída de Maxi e na ausência de Salvio, o treinador apostou em Nélson Semedo e Gonçalo Guedes, não mostrando qualquer receio na aposta de jovens sem experiência.

A entrada de Pizzi e Renato Sanches na equipa

Apesar das constantes lesões de jogadores importantes, como Luisão, Salvio, Gaitán, Lisandro e Fejsa, aos poucos, Rui Vitória começou a definir a sua ideia de jogo e a colocar as suas ideias em prática. Os resultados começaram aparecer – os golos marcados dispararam – e a equipa passou do 3ºlugar para 2º, chegando mesmo, durante uma semana, a igualar o Sporting na liderança do campeonato.

O principal fator para esta mudança foi a afirmação de Rui Vitória. O treinador saiu da sua zona de conforto e afastou-se, definitivamente, das ideias de Jorge Jesus. Exemplo disso foi a entrada de Pizzi e Renato Sanches no onze, que provocaram uma mudança no futebol do Benfica.

Pizzi, mais encostado à direita, reforçou o meio-campo. O internacional português faz o papel de terceiro médio, no momento defensivo, dando equilíbrio e tentando que a equipa não fique em desvantagem numérica na luta no centro do terreno. No momento ofensivo, trouxe imprevisibilidade e visão de jogo, graças ao seu jogo interior com várias tabelas, algo que Gonçalo Guedes não oferecia. Apesar de jogar mais descaído para a direita, é normal vermos Pizzi no meio e na esquerda.

Renato Sanches e Pizzi

Dois dos principais obreiros da recuperação do Benfica. Fonte: Facebook Benfica

A entrada de Renato Sanches teve o condão de puxar os companheiros e os adeptos, numa altura em que os “encarnados” estava na mó de baixo – o primeiro jogo foi frente ao Tondela, entrou aos 75′, depois da derrota em casa frente ao Sporting. O jovem impôs-se como o 8 que a equipa tanto precisava, dando músculo e resistência física ao meio-campo. Apesar de ainda falhar muitos passes, algo normal na sua posição visto que tem de arriscar, e de ainda ter de melhorar muito no posicionamento sem bola e no momento de pressão defensiva, Renato Sanches consegue levar a equipa para frente, sendo o único médio do plantel com capacidade de condução de bola em velocidade. Por enquanto oferece mais à equipa ofensivamente, tendo de melhorar o aspeto defensivo, mas a maturidade que apresenta, com apenas 18 anos, não deixa ninguém indiferente.

Os dois portugueses mudaram a forma do Benfica jogar, mas houve outros jogadores que também merecem destaque. A experiência de Júlio César, Jonas e Gaitán foi fundamental para a equipa manter a objectividade e permitir a entrada de jovens na equipa.

O que passou e o que ainda aí vem: as derrotas com os rivais

O campeonato das “águias” tem sido muito irregular. Quando entramos na fase final da Liga, os “encarnados” já levam quatro derrotas e um empate, não conseguindo vencer qualquer clássico até ao momento. Aliás, essa é a principal espinha encravada na garganta de Rui Vitória. Em três jogos com os rivais para o campeonato, dois frente ao FC Porto e um contra o Sporting, o Benfica perdeu os três, tendo um saldo de dois golos marcados e seis sofridos. A última derrota, frente aos “dragões”, valeu a liderança, partilhada com o Sporting, e mostrou que os “encarnados” não são assim tão demolidores como parecia noutros jogos. O outro desaire aconteceu frente ao Arouca (1×0), logo na segunda jornada.

Em relação ao que falta jogar, o Benfica é quem tem o calendário, teoricamente, mais fácil. A deslocação a Alvalade e a Vila do Conde e a recepção ao Sporting de Braga são os testes que se advinham mais complicadas para a turma de Rui Vitória.  Na reta final da Liga, as “águias” estão a três pontos da liderança e têm mais três pontos que o FC Porto. A luta promete ser animada até ao fim…

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