Marítimo: Os vermelhos ao rubro

Durante este fim-de-semana, decorreu a primeira jornada da segunda volta da Liga NOS. O Sporting, atual líder, deslizou, em casa, diante do lanterna vermelha Tondela; Benfica venceu no terreno do Estoril, aproximando-se dos seus eternos rivais lisboetas; Porto foi derrotado, em Guimarães, pelo Vitória.

Porém, houve um outro jogo que captou muitas atenções, por ter sido algo “quentinho”, digamos assim.

No Estádio dos Barreiros, defrontavam-se Marítimo e União da Madeira. A vitória sorriu aos comandados de Norton de Matos. Jhonder Cádiz foi o herói da partida, ao marcar o tento vitorioso. Até aqui, nada de anormal. Contudo, se formos dar uma vista de olhos às estatísticas do jogo, cedo nos deparamos que o árbitro esteve muito atarefado. Resultado: 10 cartões amarelos (5 para cada equipa) e 3 cartões vermelhos para os homens de Ivo Vieira. Desengane-se quem pensa que se tratou de um caso isolado.

Durante esta época, num total de 23 jogos, os jogadores insulares já foram tomar banho mais cedo em 18 ocasiões! É obra e não será do acaso.

Raul Silva, defesa contratado no anterior mercado de inverno – desde que assinou já viu 6 vermelhos!-, e Rúben Ferreira são os líderes desta gritante estatística, ambos com 3 cartões vermelhos. Tiago Rodrigues, Edgar Costa e Dirceu “só” viram por duas vezes.

No entanto, podia-se pensar que a equipa estaria em condições alarmantes na tabela classificativa, mas tal não se verifica – 10º lugar, a 5 pontos do 6º classificado, Vitória de Guimarães.

Mas o que levará a este jogo tão fora das leis por parte dos jogadores do Marítimo? Ninguém saberá responder, com certeza, mas, ontem, os dirigentes do clube e Ivo Vieira chegaram ao divórcio, tendo acordado seguir caminhos distintos.

600

Ivo Vieira já tinha lamentado, em outubro, o número de expulsões na sua equipa: “Se fizermos uma avaliação ao número de jogadores expulsos e à forma como foram expulsos, apenas duas a três das sete foram justas», afirmou. Desde então, sucederam-se mais 11. Fonte: Maisfutebol

A equipa não pratica mau futebol – pelo contrário -, tendo inclusive, há menos de um mês, derrotado o FC Porto, e pleno Dragão (1-3). Mas será que este excesso de agressividade terá pesado na decisão de Ivo Vieira para se demitir? A verdade é que o treinador acaba sempre por levar com as culpas de tudo o que de mal se passa na equipa, e mais do que derrotas, o elevado número de expulsões terá sido determinante para a sua saída da equipa. 18 é um número demasiado grande, não podendo nunca ser ignorado – ainda para mais tendo em conta que só se disputou agora a primeira jornada da segunda volta do campeonato. Se a partir de agora, a equipa vai ou não continuar a ver cartões vermelhos com tanta frequência, é uma questão de tempo para verificarmos isso mesmo.

A equipa do Marítimo é realmente um caso de estudo, especialmente tendo em conta que não se viu nada assim nos últimos anos. Uma outra equipa que muito se falou do seu tipo de jogo mais “duro” foi o Boavista orientado por Jaime Pacheco, no ano em que se sagraram campeões nacionais. Porém, por muito ríspidos que os jogadores fossem, em nada se comparou com o que se vive por terras madeirenses. A equipa de Jaime Pacheco viu uns “míseros” 5 cartões vermelhos durante esse áureo ano.

Façam-se soar as sirenes. A equipa precisa de 11 elementos em campo para continuar a sua batalha no campeonato.

306657_galeria_v_guimaraes_x_maritimo_liga_nos_2015_16_campeonato_nbsp_jornada_13.jpg

Salin recebe ordem de expulsão, em Guimarães. Cenário que se repetiu em mais 17 ocasiões. Fonte: Zerozero

Anúncios