Vitória Sport Club 0-1 Benfica; Menino Renato Sanches embala Benfica no Berço

Em Guimarães, jogava-se um jogo de extrema importância para ambos as equipas. Se por um lado o Vitória desejava vencer para se aproximar da zona europeia, o Benfica estava praticamente obrigado a levar os 3 pontos, tendo em conta que, mais tarde, se disputava o clássico, que opunha o Sporting ao Porto, pelo que uma vitória significava uma maior pressão para os seus rivais. Um jogo que marcava o regresso do antigo técnico vitoriano à Cidade do Berço, agora do lado dos encarnados.

Como seria expectável, Rui Vitória procedeu a várias mudanças na equipa, tendo em conta o desafio, disputado a meio da semana, para a Taça da Liga, contra o Nacional da Madeira. A grande novidade era o regresso de Nico Gaitán ao onze titular, recuperado de lesão, após 4 jogos de ausência.

Onze Vitória de Guimarães: Miguel Silva; Bruno Gaspar, Josué, Pedro Henrique e Luís Rocha; Cafú, Bouba Saré, Otávio e Licá; Xande Silva e Dourado

Onze Benfica: Júlio César; André Almeida, Lisandro López, Jardel e Eliseu; Ljubomir Fejsa, Renato Sanches, Pizzi e Gaitán; Jonas e Raúl Jiménez

 

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O Vitória lançou o apelo aos adeptos na sua página de Facebook, e os adeptos responderam em massa, ao formar uma bela moldura humana no emblemático Estádio D. Afonso Henriques. Fonte: Facebook oficial Vitória Sport Clube

 

O Vitória apareceu nos primeiros dez minutos com uma linha defensiva muito sólida, procurando explorar a velocidade dos seus avançados no lançamento de rápidos contra-ataques. Aos 9′, Xande Silva arrancou muito bem com a bola em condução, porém perante dois adversários e sem apoio, nada de relevante conseguiu fazer; ficava o aviso.

Aos 13′, foi a vez do Benfica dizer presente no jogo. Renato Sanches, num remate de ressaca, ia apanhando o guardião vimaranense desprevenido, mas o jovem conseguiu defender para canto.

O jogo estava intenso e o público agradecia pelo espectáculo energético que ambas as equipas estavam a proporcionar. Muita disputa, muita luta pela bola, o que causou alguns duelos mais ríspidos entre elementos dos dois lados, levando a que Carlos Xistra fosse obrigado a intervir e a acalmar os ânimos. À passagem da meia-hora já tinham sido cometidas 14 faltas – 11 para o lado do Vitória; 3 para o Benfica.

Aos 35′, Xande Silva conduziu um contra-ataque venenoso. Primeiro, serpenteou com elevada nota artística por André Almeida, depois ao assistir, de trivela, Licá, que tentou jogar para a entrada da área, mas Renato Sanches surgiu ‘in extremis’ a anular o ataque vimaranense. Pouco depois, na cobrança de um livre bem distante da baliza encarnada, Júlio César ia sendo surpreendido pelo facto de ninguém ter tocado na bola levantada para a área.

Aos 45′, o Benfica fica perto de inaugurar o marcador em duas ocasiões. Primeiro foi Jonas a testar a atenção de Miguel Silva, que passou com mérito no teste. Depois, novamente o duelo entre o brasileiro dos encarnados e o guarda-redes  do Vitória; Renato Sanches cruza para o remate de primeira de Jonas, mas Miguel Silva agigantou-se, fazendo uma enorme defesa, segurando assim o nulo – resultado com o qual o jogo foi para intervalo.

Jogo de ritmo muito elevado, pese embora com poucas chances de golo – excepção feita a estes dois últimos lances a terminar o primeiro tempo, e algumas investidas de Xande Silva, que não tiveram a melhor conclusão. Quem teve muito trabalho foi Carlos Xistra, tendo puxado da cartolina amarela por 5 vezes, admoestando 3 jogadores do Vitória e 2 do Benfica.

 

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Jonas esteve muito perto de marcar por duas vezes, à beira do intervalo, mas Miguel Silva não deixou. Fonte: Record

Tanto Sérgio Conceição como Rui Vitória lançaram os mesmos jogadores que começaram o jogo.

Dois minutos decorridos e… não, não foi uma jogada perigosa para nenhuma equipa. Foi, isso sim, Carlos Xistra a mostrar novamente um cartão amarelo, desta feita a Cafú – erradamente, diga-se.

Aos 52′, Xande Silva, junto à bandeirola de canto, consegue descobrir Otávio no meio, que se conseguiu desembaraçar bem dos seus oponentes, deixando a bola em Licá, mas o extremo português, em posição privilegiada, disparou para a bancada. O Vitória entrava mais mandão e com vontade de conseguir mais do que um ponto.

Aos 60′, novamente a equipa da casa a criar perigo. Valeu Júlio César – qual líbero -, que conseguiu antecipar-se ao passe de Henrique Dourado destinado a Cafú, após excelente trabalho individual do avançado brasileiro, a meio-campo.

5 minutos depois, Pizzi esteve muito perto de marcar, mas o suspeito do costume voltou a ser enorme; Miguel Silva respondeu com mais uma bela intervenção.

Aos 67′, a primeira mexida no jogo. Saía Gaitán, que fez um jogo claramente condicionado, entrava Carcela.

Sérgio Conceição respondia com a entrada de Ricardo Valente, que entrava para o lugar do infeliz Licá.

Aos 74′, o primeiro golo do jogo, marcava a coqueluche benfiquista, Renato Sanches. Livre marcado, junto à linha, por Pizzi, que foi rapidamente cortado por um defesa do Guimarães. No entanto, a bola fica à mercê do jovem de 18 anos, que à segunda tentativa, desfere um remate fortíssimo, sem qualquer hipótese para Miguel Silva, que desta vez nada conseguiu fazer para travar o remate, apesar de ainda ter tocado com a mão na bola.

Miguel Silva, pouco depois, conseguiu evitar novo golo benfiquista ao defender um remate perigoso de Pizzi para canto. Na sequência do lance, Jonas cabeceia por cima.

A 2 minutos dos 90′, era a vez de Cristante contabilizar mais alguns minutos, entrando para o lugar de Raúl Jiménez.

Pouco depois, já em período de compensação, foi Mitroglou a ir jogo, substituindo Jonas.

O Vitória baixou os braços e nada mais houve para contar acerca do jogo. Terminava uma partida, que foi muito intensa mas nem sempre bem jogada.

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Cafú e Renato Sanches, ambos formados no Benfica, travaram intenso duelo a meio-campo. Fonte: Sapo

 

Destaques Benfica:

Renato Sanches – O jovem jogador está a crescer a olhos vistos, e hoje foi mesmo o mais esclarecido da sua equipa, sendo sempre ele o motor. Deu a vitória num remate com tanta agressividade quanto a que marcou presença nos duelos físicos que se fizeram sentir no relvado.

Nico Gaitán – O argentino voltou à competição, depois de 4 jogos de fora por lesão. Notou-se que ainda estava muito preso de movimentos, e as coisas simplesmente não lhe saíam como certamente desejaria. Este algo quezilento, num particular despique travado com Bruno Gaspar.

Pizzi/Jonas – O internacional português fez um jogo de altos e baixos. Teve lances de especial beleza artística, mas faltou sempre ‘a machadada final’. Foi algo inconstante, mas foi dos que mais tentou puxar a equipa. Quanto ao brasileiro, hoje não marcou, mas fartou-se de trabalhar em prole do coletivo. Nota de destaque para o facto de não serem raras as vezes em que vemos o avançado a recuar para ir buscar jogo junto a Jardel.

Destaques Vitória Sport Clube:

Miguel Silva- 20 anos, aposta pessoal de Sérgio Conceição mais que ganha. Muita qualidade. Foi uma autêntica muralha e defendeu quase tudo, mas nada pôde fazer no remate indefensável de Renato Sanches. Está aqui um valor de futuro com muita margem de progressão, sem dúvida.

Cafú – Um guerreiro no meio-campo. Muito forte no confronto físico e no transporte de bola, foi fundamental no melhor período da equipa, sendo a alma de uma equipa extremamente competitiva, à imagem do seu treinador.

Otávio/Xande Silva/Licá – O criativo brasileiro foi algo inconsequente durante o jogo, mas deu muito que fazer, sendo muito forte no jogo entre linhas. Quanto a Xande Silva, enquanto teve pernas, foi uma seta apontada à baliza encarnada, sendo sempre muito perigoso nos contra-ataques. Já o internacional português foi uma desilusão, tendo desperdiçado duas belas oportunidades, quando o jogo ainda estava empatado. Uma sombra daquilo que já mostrou

 

 

 

 

 

 

 

 

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