Benfica 1-0 Nacional da Madeira; O ‘bailinho’ teve dança mexicana

Na Luz, em jogo a contar para a fase de grupos da Taça da Liga, ambos os treinadores optaram por dar minutos a jogadores menos utilizados. Ederson, Lindelöf e Cristante eram os destaques no lado do Benfica, sendo que tinham neste jogo uma boa oportunidade para demonstrarem serem uma opção viável para Rui Vitória.

Benfica: Ederson; Sílvio, Lisandro López, Victor Lindelöf e Eliseu; Bryan Cristante, Samaris, Pizzi, Mehdi Carcela e Talisca; Kostas Mitroglou

Nacional: Gottardi; Nuno Campos, Alan Henrique, Miguel Rodrigues e Sequeira; Washington, Boubacar, Camacho e Luis Aurélio; Gustavo Henrique e Witi

 

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O Estádio da Luz recebia o último jogo do Benfica em 2015. Fonte: Facebook oficial do SL Benfica

 

O jogo começou com o Nacional a mostrar que vinha para este jogo com intenções de surpreender o Benfica perante os seus adeptos. Washington, no primeiro minuto, testou Ederson, que teve que se esmerar para defender o remate do brasileiro. Pouco depois foi Talisca a tentar a sua sorte, mas o remate saiu desviado da baliza.

Carcela era um dos jogadores que queria aproveitar este jogo para se mostrar. Nos primeiros dez minutos, foi o grande agitador do lado encarnado, conseguindo, em duas ocasiões, criar perigo, mas ambos os remates saíram fracos.

Com 30 minutos de jogo decorridos, era visível a apatia e lentidão de processos do lado dos visitados. Com bola, a equipa de Rui Vitória, apesar de ter maior posse e iniciativa de jogo, pouco ou nada de relevante conseguia produzir. Os maus passes e maus domínios de bola começavam a ser uma constante. O Nacional ia tentando explorar o contra-ataque, jogando na expectativa e no erro do adversário.

Aos 35′, a melhor oportunidade de golo, até então. Carcela, após boa combinação com Mitroglou – belo passe de calcanhar -, e bom trabalho individual, ficou numa posição privilegiada para inaugurar o marcador, mas desviou a bola em demasia de Gottardi, falhando o alvo. O extremo marroquino era dos poucos a tentar mexer com o jogo.

Em cima do apito final, Gottardi segurou o nulo no resultado, mostrando altos índices de concentração, ao defender livre cobrado por Talisca. Após este lance, o árbitro dava por terminada a primeira parte.

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Carcela foi o grande dínamo da equipa na 1ª parte, mas perdeu fulgor na segunda metade. Fonte: Maisfutebol

 

No reatar da partida, Renato Sanches foi chamado a jogo, entrando para o lugar de Cristante. No lado do Nacional, saiu Camacho e entrou Willyan.

No primeiro minuto do segundo tempo, Lisandro atrasa para Ederson, não se entende com o brasileiro e por pouco não marca na própria baliza.

A turma de Manuel Machado apareceu mais espevitada, pelo que aos 47′, foi Luis Aurélio a ficar perto de marcar, mas Ederson respondeu com uma boa defesa. Aos 51′, nova chance dos insulares; Willyan disparou por cima da baliza de Ederson. O Nacional não tirava o pé do acelerador e, aos 55′, Boubacar lança Gustavo, mas o avançado, apesar de ter tirado Ederson do caminho, não conseguiu finalizar.

O Benfica continuava com uma filosofia de jogo que se resumia a uma posse de bola inconsequente, e o Nacional dispunha das melhores oportunidades de golo. Rui Vitória não esperou mais e retirou Talisca – esteve em campo? -, colocando Jonas no seu lugar. Manuel Machado não ficou a ver e mexeu na sua equipa; sacrificou Gustavo, substituindo-o pelo habitual titular, Soares.

Aos 62′, Soares desperdiçou uma grande oportunidade de golo – talvez a melhor da sua equipa -, falhando a baliza, após grande passe de Luis Aurélio.  Na resposta, Pizzi deu o pior seguimento a um lance em que se encontrava sozinho na área adversária. Tentou marcar de primeira, mas falhou redondamente.

O Benfica começou a endireitar o passo, ganhando um maior acerto nas suas acções e, ao aproximar-se o último quarto hora de jogo, previa-se uns últimos quinze minutos de grande pressing por parte dos encarnados, como tantas vezes já se sucedeu esta temporada. Como tal, Rui Vitória lançava Raúl Jiménez para o lugar de Mitroglou. Nenê Bonilla substituía Boubacar.

Aos 78′, Sílvio e Jonas não se entenderam, já dentro da área do Nacional, desperdiçando aquela que poderia ser uma boa chance de golo.

Os comandados de Rui Vitória começavam a apertar o cerco, mas sem nunca conseguirem dar o melhor seguimento aos lances.

Aos 88′, o golo do Benfica. Na fase em que a equipa da Madeira acusava um maior desgaste e desconcentração, Raúl Jiménez finaliza na perfeição um cruzamento de Pizzi. Pouco depois, foi Jonas que esteve perto de marcar, mas não acertou bem na bola.

Sem muito para contar até final, o árbitro finalizou a partida. Um jogo pobre, embora com muitas oportunidades de parte a parte. A sorte acabou por sorrir aos da casa, mas a equipa encarnada revelou muita deficiência na gestão e na criação de oportunidades de golo, durante grande parte do jogo.

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Raúl Jiménez decidiu o jogo na única oportunidade que dispôs. Fonte: Facebook oficial SL Benfica

Destaques Benfica:

Ederson/Lindelöf/Cristante – As três estreias que Rui Vitória promoveu – o italiano já tinha jogado, mas nunca a titular. O guardião esteve seguro entre os postes, respondendo bem sempre que foi chamado. O defesa sueco mostrou alguma deficiência no capítulo do passe, mas cumpriu bem na vertente defensiva, formando boa parelha com Lisandro. Quanto ao italiano desaproveitou por completo a oportunidade que lhe foi concedida, sendo que nem hoje exibiu a sua melhor qualidade: grande capacidade de passe. Saiu ao intervalo.

Lisandro López – Há males que vêm por bem, e que o diga Lisandro. Na sombra de Luisão e Jardel, aproveitou a lesão do capitão benfiquista para agarrar com unhas e dentes a titularidade. Tem vindo a crescer de jogo para jogo, e, hoje, voltou a demonstrar uma elevada competência e a garra que lhe é reconhecida. De dispensado a fundamental, nesta fase da época.

Carcela – Foi o grande impulsionador da sua equipa na primeira parte, com muitas investidas, quer pela direita, quer pela esquerda. Perdeu fulgor no segundo período do jogo, mas ganhou alguns pontos.

Samaris/Eliseu – O grego tem vindo a descer o seu nível exibicional, demonstrando hoje, mais uma vez, especial apetência para o conflito. Perdeu demasiadas bolas e nunca conseguiu ser o elo de ligação entre o meio-campo e o ataque. O internacional português rubricou uma das piores exibições ao serviço do Benfica, não acertando praticamente um lance durante toda a partida. Sentiu a pressão da contratação de Grimaldo?

Raúl Jiménez – Já havia marcado no último jogo diante do Rio Ave, e hoje voltou a fazer o gosto ao pé. Foi o seu 5º golo. Entrou com um objetivo e cumpriu-o.

Destaques Nacional:

Witi – À imagem de Carcela, começou muito bem na primeira parte, mas perdeu gás na segunda metade. Veloz e forte no 1×1, o jogador que já passou pelas camadas jovens do clube da Luz foi sempre um jogador difícil de travar. Quando se evaporou, a sua equipa ressentiu-se disso mesmo.

Miguel Rodrigues – O central de 22 anos perdeu esta temporada o seu lugar para Rui Correia e Zainadine, mas hoje provou que é um belo ativo. Ainda muito jovem, tem uma considerável margem de progressão. Forte na antecipação e na leitura de jogo.

Boubacar – Um poço de força. É um elemento que joga com tudo o que tem e o que não tem. É dono de uma capacidade física impressionante, e fez-se valer na batalha a meio-campo, ganhando inúmeros lances a Samaris e companhia.

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