Michu: E (quase) tudo o joelho levou. Agora, vale-lhe o irmão

Na época 2012-2013, havia um jogador a brilhar na Barclays Premier League. Ao serviço do Swansea City, Miguel Pérez Cuesta, vulgo “Michu”, era um autêntico pesadelo para as defesas adversárias.

Antes de lá chegar, começou a sua carreira no modesto Real Oviedo. Apesar de ser um avançado, marcou apenas 13 golos em 103 jogos, nas 4 épocas ao serviço do emblema espanhol. No entanto, o Celta de Vigo viu nele potencial, recrutando-o para a sua equipa ‘B’, decorria a época 2007-2008.

Deu, depois, o salto natural para a equipa principal, ainda nessa mesma temporada, e ficou em Vigo durante outras 4 épocas, sempre na Liga Adelante. A sua relação com o emblema ‘Celeste’ terminou com a subida ao altar do futebol espanhol, pela mão do Rayo Vallecano. 1 milhão foi quanto custou, em 2011.

 

rayo-vallecano-michu

Michu foi um dos grandes destaques da Liga BBVA, em 2011-2012

 

Nos arredores de Madrid, bastou apenas uma época para despertar a cobiça de várias equipas estrangeiras. A sua temporada de estreia na Liga BBVA coincidiu com a melhor época de sempre de Lionel Messi – goleador máximo nesse ano, com “apenas” 50 golos apontados. Embora com números mais modestos, mas não obstante ao facto de alinhar num emblema de pequena dimensão, faturou por 15 vezes na principal liga espanhola – 17 no total.

No final da época, recebeu vários convites. Optou por viajar para terras de Sua Majestade.

Na sua primeira experiência fora do seu país, encantou toda a gente. Ninguém ficou indiferente à sua veia goleadora. Marcava e dava a marcar. Foram 22 golos, o que o levou a ser alvo de forte assédio – foi fortemente ligado ao Arsenal, embora sem nunca ter havido qualquer declaração oficial por parte dos ‘Gunners’. As suas exibições chamaram a atenção de toda a gente, e Del Bosque não foi excepção.

 

bonymichu

Michu e o agora avançado do Man City, Wilfried Bony, formaram uma parelha de grande sucesso. Tiveram destinos bastante distintos, porém.

 

A sua estreia ao serviço da ‘La Roja’ ocorreu num encontro a contar para a Qualificação para o Mundial ’14, frente à Bielorrússia. Porém, foi o único jogo pelo seu país.

 

327508_heroa

11.10.2013; Estreia de Michu pela seleção espanhola, envergando a mítica camisola 7, outrora pertencente a Raúl.

 

A partir daqui, quando se esperava que a sua carreira não parasse de subir, foi sempre a descer. Passou por um longo e desgastante calvário, muito por culpa do seu joelho, que foi muito fustigado. Era lesão atrás de lesão; não o largavam. O seu rendimento, obviamente, nunca mais se equiparou ao que o elevou a internacional espanhol. Despediu-se do País de Gales com um cartão de visita de 28 golos em 67 jogos, em dois anos. Na temporada passada, Rafa Benítez, na esperança de o recuperar, resgatou-o por empréstimo para Nápoles, mas o internacional espanhol apenas por 6 ocasiões se deu a conhecer aos exigentes adeptos napolitanos. Nenhum golo marcado.

Findada a época, e Michu dava por si no desemprego. A poucos dias do final do ano 2015, é oficializada a sua transferência por parte de um clube da 4ª divisão espanhola (!) – Langreo. Como se esta notícia não fosse surpreendente o suficiente, o seu treinador será… o seu irmão.

Dá-se assim o regresso às origens de um humilde jogador de 29 anos, que chegou a voar bem alto, mas depressa se viu a ser empurrado para baixo.

michu-490x578

Michu já a treinar com os seus novos companheiros, no Langreo

 

Anúncios