FORA DE JOGO #9 – NORMAL ONE NA TERRA DO TÉDIO

A conferência de imprensa de apresentação do novo treinador do Liverpool teve tanto de mediático como de curioso: Jürgen Klopp não só causou impacto ao intitular-se (segundo ele, sem intenção) de “Normal One”; como disse aquilo que um presidente de um clube inglês precisa de ouvir em tempo de crise.

Se pensarmos no último treinador em Inglaterra que se auto apelidou assim que chegou, o nome José Mourinho vem-nos imediatamente à cabeça. Não porque tenha sido, em rigor, o último. Mas porque foi o que causou mais impacto.

Na altura, e quando regressou agora, o treinador português fê-lo com a intenção de que resultaria assim. Pelas palavras do ex-Dortmund, este não o fez de forma intencional.

Mas não é a alcunha de Normal One que deverá deixar o presidente do Liverpool satisfeito. Para além do currículo de Jürgen Kloop, que deve ser o motivo da contratação, já que o alemão foi à final da Liga dos Campeões com um plantel quase dez vezes menos valioso do que o do adversário (leia-se, Real Madrid), há outra razão para o contentamento dos responsáveis do Liverpool.

O que deve ter posto um sorriso nas caras de John Henry e Tom Werner, os “chefes” do clube inglês, foi Klopp ter garantido que não ia ao mercado sem primeiro olhar para os jogadores que tem no clube. E mais: o técnico alemão descartou qualquer hipótese de “milagre” e pediu tempo.

Ora, numa terra (país futebolístico, entenda-se) onde a “dança” de treinadores é um tédio, Jürgen Klopp acertou na mouche. Saiu de um clube pela porta grande, porque foi ovacionado na despedida; entrou noutro e “sem querer” apelidou-se de Normal One, colando a palavra estabilidade à sua própria imagem; e, ainda por cima, quer afastar a pressão para poder treinar um clube inglês que (atipicamente) triturou treinadores nos últimos tempos.

As declarações de Jürgen Klopp podem ter sido proferidas de improviso. Podem. As palavras que levaram José Mourinho a ser imortalizado como Special One também podem ter sido pensadas no instante em que foram ditas. Podem.

Mas é difícil de acreditar que não estejam relacionadas com a capacidade (cada vez maior) dos treinadores em causarem sensação pelos soundbytes que lançam como setas para a comunicação social. Se José Mourinho, o Special One, se queria afirmar como um homem dotado para ganhar, Jürgen Klopp está a querer ser o Normal One na terra do tédio.

 

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