Sérvia 1-2 Portugal; Moutinho é um pequeno gigante

Portugal foi à Sérvia já com passaporte direto para o Campeonato Europeu, no próximo ano em França. Por isso, Fernando Santos poupou vários titulares e entre as várias novas escolhas, estreou Nélson Semedo e deu oportunidade a André André de começar a de início em jogos oficiais. No esquema tático, o técnico português jogou outra vez numa variante de 4x3x3 com três avançados móveis na frente (Quaresma, Danny e Nani).

Portugal começou o jogo em grande estilo

Portugal começou o jogo em grande estilo

Foi exatamente destes últimos dois nomes que surgiu o golo de Portugal, logo no começo do jogo. Aos 5 minutos, Danny numa belíssima jogada individual, passou pela defesa da Sérvia, chutou a contar, Stoijkovic defendeu para o lado e Nani na recarga e com a baliza aberta encostou para o golo das quinas. A partir daqui continuou o jogo de gestão a que Fernando Santos tem habituado os portugueses: trocas sucessivas de bola mais pelo corredor direito, tentar controlar o jogo e parar as ofensivas sérvias. Na primeira parte resultou. Na segunda nem tanto.

A Sérvia entrou no segundo tempo com força e mais intensidade. Os extremos Tosic e Tadic e o avançado Mitrovic deram uma valente dor de cabeça à defensiva portuguesa. O golo da equipa dos balcãs é sinónimo desta superioridade. Jogada de Kolarov do lado esquerdo, passa por Nélson Semedo, ganha a linha de fundo, cruza rasteiro para a entrada da área e como nenhum dos centrais se saiu à bola nem o meio-campo defensivo fez a dobra (fica na retina Miguel Veloso) e Tosic marca de primeira, sem hipótese de defesa para Rui Patrício. Curiosamente, mal o golo sofrido, Fernando Santos tirou João Moutinho do banco de suplentes e substitui-o por Veloso. A verdade é que a partir daqui a seleção ganhou intensidade de jogo e consistência. Também foi dos pés do médio do Mónaco que Portugal marcou o segundo golo, num remate fora de área e pleno de efeito para o poste mais distante do antigo guardião do Sporting.

A partir daqui o jogo perdeu jogo e deu lugar a faltas e as consequentes cartolinas: Kolarov (que já tinha sido substítuido) e o ex-Benfica, Matic foram expulsos. Nani ainda teve tempo para dar uns rasgos de criatividade mas a partida estava feita. Portugal venceu a Sérvia por 2-1, conseguiu pela primeira vez sete vitórias consecutivas numa fase de apuramento e mais um jogo a vencer pela margem mínima. Portugal não é uma Grécia mas Fernando Santos constuiu uma base consistente, vitoriosa e com muitas opções.

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Destaques do jogo:

João Moutinho: o pequeno gigante faz tudo. Se o médio português tinha também sido um dos destaques no jogo contra a Dinamarca, a verdade é que hoje, mesmo só jogando 20 minutos, deu energia ao centro do terreno e aos restantes companheiros. Consistência tática, intensidade com bola no pé e um golo de levantar o estádio (não estivessem as bancadas quase vazias). Veloso que foi substituído por ele, não conseguiu fazer nem metade em 70 minutos e até fica com algumas culpas no golo da Sérvia.

O trio atacante: Quaresma, Danny e Nani. Destes três, só Nani é o titular e percebeu-se hoje porquê. Mesmo sem fazer um grande jogo, foi o mais inconformado na frente de ataque. Danny até começou bem (é dele que nasce o primeiro golo) mas foi-se arrastando pelo campo no restante tempo). Não é jogador de seleção. Éder entrou mas voltou a não causar mossa.

Nélson Semedo: estreia agridoce. O lateral que se tem destacado no SL Benfica não teve a estreia mais fácil. Teve de se dar várias vezes com o possante Kolarov e os irrequietos Tosic ou Tadic. A primeira parte foi muito complicada. O jogo fez-se sempre do seu lado e algumas vezes não se conseguiu controlar com sucessivas faltas (levou cartão amarelo). No segundo tempo atinou mais defensivamente mas mesmo assim é do seu lado que se constrói a jogada para o golo da Sérvia. Mostrou ainda estar um bocadinho verde para a seleção principal.

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Tadic: o elemento mais desiquilibrador. Seja à esquerda, ao meio ou à direita, o jogador do Southampton é muito rápido e forte tecnicamente. Causou alguns calafrios no último terço do terreno. Dos poucos jogadores da Sérvia que não merecia sair do campo com a derrota.

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