FORA DE JOGO #8 – ESSE COLOSSO QUE NÃO O É

Às vezes frases marcam épocas, tendências, ações, reações, turbulências, polémicas. Desencadeiam pensamentos, opiniões. Justificam atos, ainda que injustificáveis. Tentam fugir às perguntas, rumando-as para outra margem. Remando-as para outros destinos, opostos à intenção da interrogação.

Se há frases que marcam o dia de hoje, 6 de outubro, são as de Bruno de Carvalho (BdC). Foram as de Bruno de Carvalho, ontem, 5 de outubro, dia da República festejada sem o representante máximo presente. Quem marcou lugar na televisão, lá para o final da noite, assistiu a uma luta muito mais aguerrida, qual campanha eleitoral.

Na TVI24, o presidente do Sporting decidiu ali que era o sítio apropriado para “espingardar” os demais clubes rivais, no geral… Os adeptos, ou funcionários, de um clube rival em particular: o Benfica. Com Pedro Guerra a lutar sem medo contra o discurso imperialista (como é hábito) de Bruno de Carvalho, o programa futebolístico da estação de informação da TVI gerou material em bruto, e “à bruta”.

Frases e mais frases, acusações sem fim, “provas” elaboradas pela oralidade insuficientemente elaborada para se entenderem em concreto. Acusações de jantares, almoços… Enfim, prendas alimentícias, alegadamente, dadas aos árbitros pelo clube da Luz. 250 mil euros? “Peaners”. Quantos assuntos são possíveis de introduzir num programa de segunda à noite numa estação televisiva?

Desde os jantares pagos pelo Benfica; o acerto de sócios encarnados; o Football Leaks; o voleibol da Luz; as tochas em Madrid; as cadernetas de cromos que suspenderam Bruno; os clubes como base do futebol português; arbitragem e o medo de sair à rua; um jogador que troca um clube por outro que paga menos; os traumas do SLB; os processos judiciais infinitos; os problemas impossíveis de resolver; a cobardia de Luís Filipe Vieira; a cláusula ilegal do tiro na cabeça; as dívidas dos clubes…

Não fossem os compromissos publicitários ou a grelha definida da TVI24; esta entrevista tinha ido mesmo a Prolongamento. Falou-se de tudo o que se conseguiu, ao máximo. Para quê? Para conseguir afirmar, de uma vez por todas, que André Carrillo não quer jogar no Sporting, aos olhos do presidente? Para dizer que Carrillo, afinal de contas, “é bom ou não”? Bruno de Carvalho, sem mais nem menos, questiona, e acho que devíamos tentar não refletir sobre o seguinte ponto de argumentação de BdC, correndo o risco de perdermos o sentido lógico de um qualquer raciocínio sóbrio.

“Se [André Carrillo] é bom, só aparece a proposta do Leicester, esse colosso do futebol mundial?”. O peruano corre o risco de ir para o Cucujães, Mérida. Ou então o Sporting está a correr o risco de vê-lo a jogar no FC Porto ou Benfica, na próxima época. É fazer como Marcelo e só decidir depois de perceber e ponderar. Método que parece não ser moda para os lados de Alvalade. É só frases, e mais frases…

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