Atlético de Madrid 1-2 Benfica; Miúdo Gonçalo Guedes dá a vitória em jogo de adultos

Na segunda jornada da Liga dos Campeões, o Benfica deslocava-se ao temível Vicente Calderón, em Madrid. A expectativa para ver como se comportava o Benfica fora da fortaleza da ‘Luz’ era muita.

De um lado, o já consagrado Diego Simeone apostava num onze composto por: Jan Oblak; Juanfran, José Giménez, Diego Godín e Filipe Luís; Gabi, Tiago, Ángel Correa e Oliver Torres; Antoine Griezmann e Jackson Martínez. De entre os jogadores ‘colchoneros’, este jogo tinha um sabor especial para Jan Oblak, Tiago, mas também para os ex-portistas Jackson Martínez e Oliver Torres. Este jogo marcava também o regresso de Pizzi e Raúl Jiménez ao Vicente Calderón.

Do outro lado, o ainda inexperiente nestes palcos, Rui Vitória fazia apenas uma alteração, relativamente ao último encontro, que opôs a sua equipa ao Paços de Ferreira. Saía Kostas Mitroglou e entrava o ex-jogador do Atlético de Madrid, Raúl Jiménez, pelo que este era também um jogo especial para o mexicano, visto que para além de jogar contra a sua antiga equipa, era a sua primeira titularidade, desde que aterrou em Lisboa.

As duas equipas vinham de dois resultados muito diferentes nos jogos do fim-de-semana. Enquanto a equipa da casa havia perdido ante o Villarreal por 1-0, o Benfica derrotara o Paços de Ferreira por esclarecedores 3-0. Contudo, nada disso contava para este embate.

Quanto ao jogo, os primeiros 20 minutos foram muito disputados de parte a parte, com o Benfica a encarar o Atlético olhos nos olhos. As oportunidades mais flagrantes surgiram primeiro do lado da equipa da casa, com André Almeida a desviar para canto um remate que tinha selo de golo de Tiago. Do lado do Benfica, Gonçalo Guedes viu-lhe ser negado, por Filipe Luís, em cima da linha, aquele que seria um belo golo.

Passados os primeiros 20 minutos, e após bela jogada coletiva dos jogadores do Atlético, Correa, assistido por Griezmann, inaugurou o marcador, à passagem dos 22 minutos.

Pouco tempo volvido, e era o Atlético a estar novamente próximo do golo. Já depois de Jackson ter falhado na cara de Júlio César, Correa dispara para as nuvens com a baliza à sua mercê.

O Benfica, depois de uma fase inicial em que consentiu em demasia o golo sofrido, reagiu bem e aos 36 minutos consegue o golo do empate (o primeiro golo ‘fora de portas’ da época) por intermédio de Nico Gaitán. Nélson Semedo subiu muito bem pelo seu flanco, cruzou para Jonas, mas o brasileiro e os defesas do Atlético não chegaram à bola, tendo esta sobrado para o argentino, que não vacilou perante Oblak.

Até final do primeiro tempo, Benfica e Atlético continuaram a jogar intensamente numa busca incessante pelo golo, embora sem sucesso. As equipas iam para o balneário com o 1-1 no marcador.

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Duelo entre Raúl Jiménez e José Maria Giménez que espelha bem a intensidade da primeira parte. Fonte: Maisfutebol

Pouco depois do início da segunda parte, já os adeptos do Benfica estavam a festejar. O menino Gonçalo Guedes marcou pelo segundo jogo consecutivo, respondendo bem a um cruzamento de Gaitán, e o Benfica passava, pela primeira vez no encontro, para a frente do marcador.

Nos 15 minutos posteriores ao segundo golo benfiquista, houve uma grande reação por parte da equipa espanhola, com muitas jogadas e ocasiões de perigo, mas Júlio César disse presente. Depois dessa quinzena de minutos, os pupilos de Simeone entraram numa fase mais ansiosa, sem conseguir ligar o seu jogo. Mérito para a estratégia benfiquista, que conseguiu enervar os jogadores adversários.

Até final, o Benfica soube sofrer e suster as tentativas dos visitados, almejando sempre as rápidas transições em contra-ataque. Grande espírito de sacrífico dos comandados de Rui Vitória que alcançaram, aqui, um excelente triunfo (o primeiro fora de casa).

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No final, a festa foi portuguesa. Fonte: Record

Destaques Benfica:

Nico Gaitán – O mago argentino está numa forma tremenda (quiçá a pedir outros voos) e, hoje, voltou a marcar na Liga dos Campeões, já depois de o ter feito diante do Astana. Emprestou muita qualidade técnica e foi sempre o grande impulsionador das saídas rápidas em contra-ataque, tendo ainda assistido Gonçalo Guedes para o segundo tento encarnado (também havia sido o jogador natural do país das pampas a assistir o jovem português para o golo diante do Paços de Ferreira).

Jonas/Raúl Jiménez – Bela exibição dos dois avançados. Rui Vitória arriscou ao dar a titularidade ao mexicano e com certeza não se terá arrependido. Muito esforçado, deu-se muito ao jogo e batalhou até à exaustão, altura em que deu o lugar a Mitroglou. Já o brasileiro, ainda não foi desta que fez o gosto ao pé na liga milionária, mas foi fundamental na vitória encarnada. Muito experiente, sereno e com uma técnica claramente acima da média foi sempre muito difícil de travar.

Nélson Semedo/Gonçalo Guedes – Que crescidos estão os meninos da Luz. Grande exibição de ambos. Ambos desempenharam um papel muito importante para o resultado final; o primeiro fez a assistência para Gaitán e Gonçalo Guedes marcou o golo da vitória. Com este golo, Gonçalo Guedes tornou-se no português mais jovem de sempre a marcar na Champions.  Estes jogos serão cruciais para os seus desenvolvimentos enquanto jogadores, sem dúvida.

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Gaitán continua em grande, tendo marcado o primeiro golo da sua equipa. Fonte: Record

Destaques Atlético:

Ángel Correa –  Belo jogo do virtuoso argentino. Foi dos mais inconformados do conjunto de Simeone. Desconcertante, fez uso de toda a sua qualidade técnica para ser uma autêntica dor de cabeça para os seus opositores. Viu a sua exibição premiada com um golo, embora de nada tenha valido. A reter.

Jackson Martinez/Antoine Griezmann – Ambos os jogadores foram destaque pela negativa. O ex-Porto está uma sombra daquele jogador que outrora tanto furor causou na Invicta. Desconcentrado, foi muitas vezes presa fácil para Luisão e Jardel. Já o francês só apareceu no passe para o golo de Correa, pelo que diz muito da sua fraca exibição.

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