FC Porto 1-0 Benfica; Ai olé, ai olé, valeu o mestre André

Destaques FC Porto:

San Iker: no seu primeiro grande jogo em Portugal, após um encontro em que foi vilão e herói na Ucrânia (como insistiu a imprensa nacional em dizer durante esta semana), foi a primeira figura que guiou o Porto a derrotar o bicampeão nacional. Assertivo, calmo, ágil e decisivo. As duas intervenções na primeira parte a manter o nulo, deram força à equipa que precisava naqueles momentos de “San” Iker. Todo o jogo foi o reflexo do que é Casillas actualmente. Não é apenas um jogador que carrega consigo fanáticos adeptos, a imprensa internacional e um legado em títulos frutos de longos anos no Real Madrid… mas sim uma referência e um dos motivos pelo qual o Dragão se enche consecutivamente este ano. E ele está mesmo de volta…”

André André foi o homem do jogo. Jogou e fez jogar

André André foi o homem do jogo. Jogou e fez jogar

Meio-campo renovado e a dar garantias: Rúben Neves, Imbula e André André formaram o trio de meio-campo, regalando nomes como Danilo Pereira e Herrera para o banco de suplentes. As escolhas não podiam ter sido as mais acertadas: o FC Porto disputava todas as bolas naquela zona, obrigando o Benfica a jogar pelas faixas. André André mostou ter um pulmão fora do comum, aparecendo praticamente em todo o terreno de jogo. O golo foi apenas a cereja no topo do bolo. Merece a titularidade!

Varela, a escolha acertada: jogou pouco mais de 15 minutos e mesmo assim apareceu mais no jogo que Brahimi e Corona juntos. Serviu de joker para Lopetegui e a verdade é que compensou. Na jogada do golo, o toque é artístico e bem pensado. Só poderia ser feito daquela forma… e Varela fez. Mais um que talvez mereça a titularidade em algumas ocasiões.

Aboubakar não parou quieto: o camaronês não se contenta em ser um ponta-de-lança comum que espera pela bola dentro de área. Ora vem buscar jogo atrás para combinar com os colegas do meio-campo, ora cai nas faixas para tentar criar desiquilíbrios na defesa encarnada. Esteve perto de marcar mas Júlio César fez a mancha e defendeu com a ponta da luva e só não concluiu na recarga porque escorregou a meio. Temos jogador. Por falar nisso, quem é que se lembrou de Jackson no clássico? A posição parece estar bem entregue.

Julen Lopetegui: apesar de jogo grande, teve discernimento para deixar grandes nomes no banco de suplentes, para deixar jogar aqueles que estavam realmente em melhor forma. Apesar disso, deixou a ideia que não pede grande intensidade aos jogadores porque também demorou a substituir para que isso acontecesse. A substituição de Aboubakar (estava a ser dos melhores na segunda parte) por Osvaldo não se percebeu. O público respondeu com assobios e lenços brancos. Lopetegui tem o melhor plantel da liga e para ganhar o campeonato só tem de geri-lo da melhor maneira. E isso pode vir a ser o principal problema do treinador espanhol.

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Destaques Benfica:

Miúdos sem medo: Gonçalo Guedes e Nelson Semedo estiveram em bom plano. Ocupando a ala direita benfiquista, ambos não acusaram a pressão e mostraram não ter medo do rival. Em termos defensivos, o lateral respondeu bem perante um Brahimi que por vezes não decidiu da melhor maneira. Ofensivamente tentou dar o seu contributo à equipa, em especial na primeira parte. Na segunda parte, e com o argelino Brahimi a descaír mais para a ala, acabou por ser mais contido nas suas saídas para o ataque. Quanto ao extremo, revela uma maturidade que não tinha demonstrado na época passada. Inteligente tácticamente, a jogar para a equipa e sem excessos de individualismo.

André Almeida foi a surpresa no onze de Rui Vitória. Não comprometeu... até ao lance do golo.

André Almeida foi a surpresa no onze de Rui Vitória. Não comprometeu… até ao lance do golo.

André Almeida borrou a pintura: o polivalente português foi a surpresa do onze e está ligado ao golo portista. Naquele lance pedia-se mais agressividade  – ou seja era imperativo que se recorresse à falta – uma vez que o Benfica estava a ser apanhado em contrapé, mas Almeida pareceu impotente e apático para travar a transição portista. Ainda assim, e até ao momento do golo de André André, Almeida esteve bem e não acusou a falta de ritmo.

A noite de negra de Eliseu: a exibição de Eliseu pode ser resumida em três factos: perdas de bola em zonas críticas; balões para a frente sem objectividade nenhuma; e gato sapato de Corona e Aboubakar. Por esta altura, o lateral açoriano deve estar com os olhos trocados. Ora corria atrás do talentoso mexicano, ora ficava apático perante as fintas de Aboubakar.

Mitroglou não é Cardozo (no bom sentido): quem compara Mitroglou ao antigo goleador benfiquista está redondamente enganado. O grego é muito perigoso de cabeça, sabe tratar a bola q.b e sabe quando a deve soltar. Foram três as vez em que fez tremer Casillas com aqueles cabeceamentos com selo de golo. Ao que parece Raúl Jiménez vai ter que esperar…

Rui Vitória mexeu tarde na equipa: perante a avalanche ofensiva da equipa de Julen Lopetegui, Rui Vitória tardou em responder em campo. Só depois do golo portista é que o técnico benfiquista mudou o sistema tático. Fica a sensação, e é cada vez mais perceptível, que falta um verdadeiro “oito” ao conjunto benfiquista.

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Artigo da autoria de Gonçalo Xavier, gestor da página A Última Barreira (análise Iker Casillas), Rui de Sousa (restantes destaques do FC Porto) e Francisco Amaral Santos (destaques Benfica)

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