Benfica 6-0 Belenenses; Espectáculo do trio Jonas-Mitroglou-Gaitán não deu hipótese

Em vésperas de jogo europeu, Rui Vitória não fez poupanças. Contudo, em relação ao último jogo, concedeu a titularidade a Jardel, Gonçalo Guedes e Talisca em detrimento de Pizzi, Lisandro López e Victor Andrade. Quanto ao Belenenses, o reforço Kuca estreou-se com a camisola da equipa de Belém, sendo o único estrangeiro no onze. Este jogo marcava também o regresso de Carlos Martins ao Estádio da Luz – recorde-se que o internacional português saiu de forma algo azeda da equipa encarnada –  e de Miguel Rosa que finalmente pôde defrontar a equipa onde se formou.

Quanto ao jogo, ainda estavam muitas pessoas a chegar aos seus lugares, quando Mitroglou inaugurou o marcador com um cabeceamento indefensável, após cruzamento de Jonas, aos 5 minutos de jogo. O Benfica marcava pela primeira vez, na Primeira Liga, antes dos 75 minutos, fruto da forte pressão e atitude intensa do onze escalado por Rui Vitória.

O jogo estava intenso, a ser bem disputado e o Benfica não tirava o pé do acelerador. Já depois de Gonçalo Guedes ter rematado à figura de Hugo Ventura, Jonas, após cruzamento de Nico Gaitán, finalizou e aumentava para 4 os seus golos na Primeira Liga. Os 15 minutos à Benfica que deram as vitórias nos últimos jogos, deixaram de ser os últimos quinzes minutos do jogo para serem na quinzena de minutos iniciais. A equipa encarnada presenteava os adeptos com um futebol que ainda não tinha sido visto este ano e o público agradecia.

Chegava a meia hora de jogo e a conjuntura de jogo pouco mudava. O Belenenses não conseguia criar perigo, não fazendo sequer um remate, e o Benfica continuava mandão e a trocar bem a bola. Só aos 35 minutos surgiu o primeiro remate do Belenenses, mas muito desviado e que não causou qualquer tipo de perigo a Júlio César. Foi por intermédio de João Amorim, jogador que tem a curiosidade de ter sido lançado por Rui Vitória, quando este ainda estava no Vitória de Guimarães, na Primeira Liga. E com esse remate, os azuis cresceram na partida e começaram a chegar mais à área do Benfica. Todavia, foi o Benfica a chegar ao golo. Jonas estava endiabrado e bisava na partida, na sequência de um canto cobrado por Nico Gaitán e já após ter havido um desvio de cabeça de Samaris.

O árbitro dava por encerrada a primeira parte. Era consensual entre todos que o Benfica vencia bem. Foi melhor e merecia inteiramente a vantagem de três golos. Nunca, nesta época, a equipa encarnada tinha apresentado um futebol tão positivo e uma reação tão agressiva à perda de bola numa fase tão embrionária do jogo e isso fazia a diferença no resultado.

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Jonas e Gaitán estiveram endiabrados. Fonte: Record

Para a segunda parte, Sá Pinto lançou mais um estreante na equipa em detrimento de Kuca. Era ele Luís Leal, jogador que deixou água na boca, ao serviço do Estoril, antes de se ter mudado para a Arábia Saudita.

O segundo tempo começou praticamente com o jovem Gonçalo Guedes a mostrar serviço, mas o remate saiu frouxo e longe do olhar de Hugo Ventura. Pouco depois, Luís Leal aproveitou uma falha de concentração de Nélson Semedo e testou pela primeira vez no jogo Júlio César.

Aos 53 minutos, Mitroglou não quis ficar atrás de Jonas e bisou, após bela jogada individual de Nico Gaitán e alguma atrapalhação depois na área do Belenenses. Foi mais um golo que partiu de um cruzamento, algo que já foi aqui esmiuçado pelo nosso blogue.

Jonas estava em todo o lado e, aos 60 minutos, Gaitán combina muito bem com o brasileiro (assistência com muita classe) e o argentino carimbou da melhor maneira a bela jogada que ele próprio começou. Mão cheia de golos em 60 minutos em que tudo corria bem à equipa de Rui Vitória. Prova disso surgiu 3 minutos depois: Talisca remata fora de área apanhando Hugo Ventura desprevenido e estava assim feito o 6-0, naquele que foi mais um bonito golo. O brasileiro voltava a marcar no campeonato após aquele ‘hype’ inicial, na época passada.

Aos 65 minutos, Mitroglou saiu sob grande ovação e deu o lugar a Raúl Jiménez. O jogo estava perfeito para Rui Vitória lançar mais um jovem da formação benfiquista. Nuno Santos, jogador natural da Trofa, estreava-se assim na equipa principal do Benfica sendo apadrinhado por Nico Gaitán que cedeu o seu lugar ao jovem internacional sub-20 português. Estavam decorridos 70 minutos de jogo.

O jogo estava a entrar numa fase mais morna, sendo a saída de Jonas, para dar lugar a Pizzi, a única situação que mereceu aplausos pelo público.

Destaques Benfica:

Nico Gaitán – Motivado pela sua recente chamada à seleção argentina, o mago do país das pampas, fez um jogo à sua imagem. Hoje, coroou a sua exibição com um golo, mais duas assistências e muita classe. É jogador para outros campeonatos e Rui Vitória tem muitas razões para estar contente por o argentino não ter saído no mercado de transferências que agora findou.

Jonas – 4 jogos, 5 golos. Renovou esta semana o contrato e que melhor maneira de dizer que está de corpo e alma na Luz? 2 golos, uma assistência e muita qualidade técnica. Vai lançado e confiante para alcançar o prémio de melhor marcador, algo que falhou por muito pouco na época transata.

Kostas Mitroglou – Hoje, o avançado grego mostrou-se mais enquadrado com o esquema tático da equipa e foi mais preponderante na troca de bola do que em jogos anteriores, mostrando-se também disponível para a rápida recuperação de bola. Não se escondeu e viu o seu esforço e dedicação premiados com dois golos.

Gonçalo Guedes/Talisca – O jovem português estreou-se hoje a titular, na Primeira Liga, e não virou a cara à luta. Aproveitou bem a oportunidade que o seu treinador lhe deu. Muito rápido, incisivo e sempre à procura de dar linha de passe aos seus colegas, foi uma aposta ganha por Rui Vitória. Já o jogador natural da Bahia, que foi hoje titular pela primeira vez esta época, emprestou muita qualidade no passe e foi importante na troca e retenção de bola. Marcou um belo golo de fora de área (o primeiro da sua equipa, esta época, pela zona central).

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Gonçalo Guedes esteve muito ativo e foi sempre difícil de travar. Fonte: Record

Destaques Belenenses:

Belenenses – A equipa mais portuguesa do campeonato esteve hoje imensos furos abaixo daquilo que já mostrou ser capaz de fazer. Tudo correu mal à equipa comandada por Sá Pinto, mas a defesa esteve muito permeável e nunca conseguiu conter a avalanche ofensiva da equipa encarnada. Quinta-feira há jogo para a Liga Europa e Sá Pinto com certeza se certificará que este resultado não vai criar mossa no estado psicológico dos seus jogadores.

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