RAIO-X: BOAVISTA

O Boavista foi uma das surpresas da época passada. Depois de ter conseguido garantir a promoção à Primeira Liga pela secretaria, poucos eram aqueles que acreditariam que o Boavista conseguisse alcançar a tão desejada manutenção.
A verdade é que os comandados de Petit fizeram uma época bastante interessante e superaram todas as expetativas. Tal como acontecia há alguns anos, o Boavista conseguiu atrapalhar várias contas de outras equipas que não esperavam a tamanha entrega dos jogadores. Este ano, o objetivo delineado será o mesmo: garantir a manutenção o mais depressa possível. Será assim que Petit irá trabalhar, tentando aliar um futebol atrativo mas nunca abrindo mão dos pontos.

PONTOS FORTES: O trabalho e a dedicação de PetitJá aqui falamos do trabalho desenvolvido pelo técnico neste Boavista, que a temporada passada apareceu de “paraquedas” na 1ª Liga, mas nunca é demais enaltecer o feito do ex-internacional português. O Boavista tem, agora, o ADN de Petit. Tem a raça, o espírito de sacrifício, a personalidade de nunca virar a cara à luta e, acima de tudo, uma enorme vontade de ultrapassar obstáculos. Para além disso, o treinador não gosta de se assumir como protagonista – tal como enquanto jogador profissional – e gosta que os “louros” sejam sempre entregues à equipa no seu todo. Sendo assim, este Boavista prima pela unidade e rejeita individualidades. 

A união entre os jogadores axadrezados é um dos pontos fortes da equipa de Petit.

A união entre os jogadores axadrezados é um dos pontos fortes da equipa de Petit.

PONTOS FRACOS: A inexperiência e a falta de um goleador nato. Tal como no ano passado, o Boavista continua a contar com muito jogadores jovens, oriundos dos escalões inferiores do futebol português. Em determinados casos, essa falta de experiência na 1ª Liga pode resultar em falhas graves e consequências ainda de maior amplitude. Mas, tendo em conta o orçamento que o clube axadrezado tem, é um risco que tem de se correr até porque foi uma estratégia que resultou num passado não muito longínquo. Outro dos problemas que este Boavista enfrenta é a falta de uma referência de área. Falta um goleador a Petit. Um homem que em três remates consiga meter uma bola no fundo das redes. Alguém com sentido de baliza apurado e que garanta a meta de, pelo menos, dez golos no campeonato. Há reforços nesse sentido mas que ainda deixam muitas dúvidas e, apesar do reconhecido esforço de Uchebo, cinco golos para o ponta de lança titular de uma formação da Primeira Liga é uma marca muito curta. 

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PILAR: Tengarrinha. A posição de origem é a de defesa central mas, com o treinador, é titular indiscutível no meio campo como médio mais recuado. Curiosamente, tem algumas semelhanças com o mister na entrega que revela durante os jogos. Na época passada, foi dos jogadores que mais vezes alinhou no esquema de Petit, o que revela que é importante na equipa. No currículo conta com passagens pelo Benfica e Porto, o que lhe traz alguma bagagem de maior poderio. Nos palmarés conta ainda com um campeonato ao serviço dos dragões.

ESTRELA: Beckeles. Não é um fora de série mas é um jogador a ter em conta e que foi um dos melhores no Boavista, na época passada. Atua como lateral na ala direita e a velocidade é uma das principais características. O valor não passa despercebido e a campanha no Boavista tem garantido a titularidade na Seleção das Honduras, pela qual há poucos dias disputou a Gold Cup. No meio de tantos ‘múdos’, Beckeles é visto como alguém que reúne consenso no seio da equipa e que se encontra num patamar de qualidade, acima dos restantes companheiros. Ainda assim, o jogador hondurenho tem mercado – fruto também dos três jogos disputados na Gold Cup – e a permanência nos axadrezados não é garantida.

JOKER: Zé Manuel. O jogador é um daqueles casos estranhos do futebol português. É um extremo com qualidade, que sabe ter a bola nos pés, e com um claro apetite pela baliza adversária. No entanto é de uma irregularidade alarmante. Tanto se destaca como um dos melhores da equipa, como no jogo seguinte desaparece de cena e passa completamente ao lado do jogo. Esta irregularidade exibicional pode ser associada a vários factores, entre eles a idade e a inexperiência. Pois bem, estes serão factores que este ano não servirão de desculpa. Assim, Zé Manuel pode funcionar como “abre-latas” em jogos difíceis, nomeadamente contra adversários diretos. Na época passada marcou seis golos, uma marca que poderá ultrapassar se mantiver os níveis exibicionais.

CONTRATAÇÃO: Luisinho. Vindo da 2ª Liga, Luisinho era uma das estrelas do Académico de Viseu. As exibições e os onze golos, colecionados na temporada passada, despertaram o interesse do Boavista. Nesta pré-época tem entusiasmado os adeptos axadrezados e poderá ser uma das figuras da equipa. Joga como extremo e, apesar de franzino, promete dar dores de cabeça aos laterais adversários.

MISTER: Petit. O trabalho de Petit merece todos os elogios mas ainda assim o treinador axadrezado terá uma tarefa difícil, uma vez que o Boavista é uma das equipas com o orçamento mais curto da 1ª Liga. O facto de conseguir manter alguns jogadores que dão consistência ao sistema táctico, poderá ser um bom presságio para o começo da nova época. Outra coisa a ter em conta é que outra época bem conseguida poderá significar o surgimento de convites para patamares mais elevados.

É notória a boa relação entre Petit e os seus pupilos.

É notória a boa relação entre Petit e os pupilos.

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