RAIO X: VITÓRIA DE SETÚBAL

“Quem tem de ter vergonha é quem não paga! Quem não comeu alhos não cheira a eles. Deviam ter vergonha! Expliquem ao povo como conseguiram as certidões”.

Justa ou não, a acusação de António Fiúza, Presidente do Gil Vicente, levantou o manto do “sistema” que vem sendo denunciado no futebol português. Lembram-se de Dias da Cunha? Outra vez. Mas desta (vez), o líder dos gilistas estava frente-a-frente com os acusados, dois dirigentes do Vitória de Setúbal. Entretanto chegou a resposta aos “Galos”:

Porque é que o Galo canta de olhos fechados?

– Porque ele sabe a música de cor!

Os sadinos conseguiram resistir à (quase) descida de divisão, por se terem atrasado a comprovar que não têm dívidas ao Fisco. Facto que aconteceu com o Gil Vicente, daí a revolta de António Fiúza. À parte dos problemas de secretaria – mas relacionada com as contas do clube – está a volatilidade financeira do Vitória de Setúbal, que afastou alguns dos maiores “tesouros” do plantel. Mas ainda sobram alguns craques…

O Vitória de Setúbal foi fundado a 20 de novembro de 1910.

O Vitória de Setúbal foi fundado a 20 de novembro de 1910.

PONTOS FORTES:  Opções no ataque. O setor mais avançado do terreno é o mais preenchido no plantel dos sadinos. O Vitória de Setúbal tem 11 jogadores que podem ocupar lugares mais próximos da baliza adversária, o que os torna numa potencial equipa goleadora. Este facto indicia que vão haver muitos golos no Bonfim e arredores, só que isso não se verificou na época passada, quando também havia muitas opções. O Vitória de Setúbal foi o clube a marcar menos golos na Liga. Mas em 2015/2016 tudo pode ser diferente. Até no meio campo têm goleadores, como Uli Dávila (emprestado pelo Chelsea), Fábio Pacheco (chegou do Tondela) e Paulo Tavares. 

PONTOS FRACOS: Instabilidade financeira. A Liga de Clubes informou há dias que o Vitória de Setúbal já podia inscrever jogadores, depois de ter regularizado as dívidas que tinha na Segurança Social e Administração Fiscal. Ora, um clube que apresenta debilidades e incertezas quanto ao futuro (muito) próximo, acaba por afastar possíveis contratações e jogadores do próprio balneário. O clube estava impedido de registar contratos de trabalho e de formação. Já há demasiadas memórias (recentes) de casos de insolvência financeira das SAD’s, a Primeira Liga não precisa de mais um.

 

PILAR: Frederico Venâncio. É o central que sonha um dia ser capitão dos sadinos. De todos, e só por ter dito isso, é o que merece o título de pedra basilar da equipa. Um homem que quer ser notado e notável. Internacional sub-21 por Portugal, tem um cabeceamento certeiro, tanto na defesa como no ataque. É confiável e surpreende no meio dos homólogos no ataque. Tem um passo longo eficiente e não arrisca em mandar a bola para fora do campo. Há apenas uma crítica a notar, que pode ser feita a quase todos os defesas a atuar no futebol português: usa e abusa do contacto físico e tem uma agressividade que o pode vir a prejudicar em futuras ocasiões, como os jogos contra Sporting, Benfica e FC Porto.

ESTRELA: Zequinha. Fez parte de todas as seleções de Portugal desde os 13 anos até aos 20. Tem uma capacidade técnica revelada desde cedo, mas ainda não se conseguiu afirmar no futebol português “sénior”. Falta-lhe cabeça, maturidade e alguma sorte. Não se pode dizer que seja um jogador novo – tem 28 anos – mas tem muito para dar ao futebol. O Vitória de Setúbal, e em particular o técnico Quim Machado, vai possivelmente apostar na titularidade alternada com Suk. Quem o viu jogar sabe do que é capaz, falta-lhe alguma vontade e dedicação extra para chegar ao topo.

zequinha

Zequinha é a referência atacante dos sadinos. Ficou célebre quando tentou “roubar” o cartão vermelho do árbitro num jogo do Mundial sub-20 em 2007, quando jogava na seleção com Fábio Coentrão.

JOKER: Suk Hyun-Jun. Quem não se lembrar da exibição do sul-coreano frente ao Sporting, quando jogava no Marítimo, é melhor ir recordar. Tem faro. É ponta-de-lança. Não há melhor descrição de um jogador talhado para marcar golos. É o joker por isso mesmo: não é grande tecnicista, não é um cabeceador nato, não é um sprinter, muito menos um rematador por excelência. Suk é ponta-de-lança. Marca golos. Deve ser o avançado pretérito para entrar nos minutos finais em horas de aperto. Ou então para fazer descansar Zequinha.

CONTRATAÇÃO: William Alves. Há quem diga que no Brasil só se ensina a atacar. Que os defesas centrais que de lá vêm servem apenas para “tapar buracos”. A teoria não é descabida, mas também não se aplica a 100% a William. Sabe defender, sabe atacar. Não é ótimo nas duas funções, mas também não é mau. Por que razão é a contratação deste ano para o Vitória de Setúbal? Há três: conhecimento das ligas internacionais (é o 14º clube que representa na carreira, em três continentes diferentes); conhecimento do futebol português (representou o Feirense, quando estava na Primeira Liga); e a relação com o treinador, que o acompanhou no Feirense durante a curta experiência de seis meses no clube. Foi o suficiente para o técnico querer voltar a tê-lo na equipa, e o Vitória de Setúbal precisa de um bom central.

MISTER: Quim Machado. Mais de 30 anos de futebol nas veias. FC Porto, SC Braga e Vitória de Guimarães. Feirense, Tondela e, agora Vitória de Setúbal. Como jogador e depois como treinador, respetivamente. Joaquim Machado Gonçalves pode não ser o treinador mais emblemático no futebol português. Tem uma Segunda Liga como o único troféu no palmarés de técnico. Foi defesa, e isso reflete-se na forma como gosta de colocar as equipas a jogar. Taticamente prudentes, sem grandes rasgos de genialidade, parece gostar do futebol com introdução, desenvolvimento e conclusão. E não se veem jogadas criativas ou arriscadas no futebol de Quim Machado. Provavelmente porque nunca treinou equipas que lhe desse margem para isso. Mas com Machado, o futuro do Vitória de Setúbal é, provavelmente, de estabilidade.

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