RAIO-X: Arouca

O Futebol Clube de Arouca tem de ser mais do que um clube de futebol de Arouca. Os 63 anos de história dão mais do que o estádio onde jogam contra grandes. Aveiro e Arouca são duas terras diferentes. Também os clubes, estádios e gentes. O estatuto de pequeno rivaliza contra o sonho de ser grande. A classificação de pequeno não pode impedir de querer ser grande. O ano passado foi à risca: 5 pontos de distância e a linha de água afogava as aspirações arouquenses. Faltaram outros tantos para chegar aos melhores da Europa: 20 pontos.

Querem ser grandes e a oportunidade pode chegar já no segundo mês de Liga. Tarefa difícil, é certo. O Arouca vai a Moreira de Cónegos tentar boicotar a esperança representativa das camisolas verdes axadrezadas. Uma semana depois, recebe o bicampeão nacional. Na jornada 3 tem o já conhecido problema da Mata Real pelos pés, a tentar não os pôr pelas mãos. E, como se não fosse suficiente, joga em casa (seja ela qual for) com o FC Porto. Depois desta tempestade, é tentar angariar pontos. Bonança é pouco provável, ou pelo menos espectável. Depois dos dragões, jogam com União da Madeira (fora) e Belenenses (casa). Como se isto tudo fosse fácil, vai a Braga para o sétimo jogo do campeonato. Litos e companhia, toca a correr.

escudo

PONTOS FORTES: A chegada de jogadores pode não ter favorecido as alas. Mas fortaleceu um dos pontos fortes trazidos da época passada. O meio-campo construtor de jogo é imagem de marca do Arouca. Pode não ter dado grandes resultados na época passada, mas este ano há mais rotinas, reforços e esperanças. O clube entrou na Primeira Liga com mais hipóteses de descida do que manutenção. A verdade é que já cá andam há dois anos. E neste ano contam com Nuno Valente (ex-SC Braga), Jailson (ex-Paços de Ferreira) e o ponta de lança Hugo Monteiro, que regressou à casa onde passou 5 épocas, depois de uma de empréstimo. Faltam os resultados.

PONTOS FRACOS: As saídas do plantel. Goicoechea, Balliu, Miguel Oliveira, Diego, André Claro e, sobretudo, Rui Sampaio, Luís Tinoco e Bruno Amaro. O capitão faz falta por ter sido isso mesmo, o capitão. Lito Vidigal perde a voz de comando sem nunca a ter treinado. O técnico já pediu mais soluções para as alas. E é esse o grande problema do Arouca. Tentou poupar os cofres ao libertar jogadores importantes, e agora pode ter ficado sem grandes hipóteses de se reforçar com opções mais baratas, com um nível de qualidade equivalente. A ver vamos.

equipa

Na vitória, frente à Académica, num jogo particular em julho deste ano.

PILAR: Nuno Coelho. É redundante escolher Nuno Coelho para esta categoria apenas porque deverá ser o homem mais recuado no meio campo. É um jogador que também pode jogar a defesa central – tem a polivalência necessária para ser totalista nos jogos da Liga – e que junta a experiência de ter passado pelo Benfica e FC Porto para atingir os objetivos traçados para a próxima época. Tem 27 anos de idade com 12 a jogar na Primeira Liga. 

ESTRELA: Pintassilgo. Ou Carlos Sousa. O extremo de 30 anos vai para a terceira época com a camisola amarela e azul. Renovou por uma época há cerca de um mês. É um criador de jogo e marca alguns golos mas é mais forte nas assistências. O passe (curto e longo) faz de Pintassilgo uma ameaça para qualquer defesa. Ajudou o Arouca de Pedro Emanuel a manter a cabeça à tona da Primeira Liga, agora está na hora de dar a Lito Vidigal o mesmo presente.

JOKER: David Simão. Polivalente, foi considerado um dos mais promissores da formação do Benfica. Ainda vai a tempo de dar o salto para o futebol dos “grandes”. Tem 25 anos e é capaz de jogar em qualquer posição do meio-campo. Sim, é preferencialmente um médio ofensivo com uma qualidade técnica assinalável, o que não invalida a capacidade que tem para trabalhar defensivamente. Chegou ao Arouca em 2013, depois de terminar contrato com o Benfica. A época de 2015/2016 pode resultar numa afirmação para a ex-papoila-saltitante.

david simao

O médio é primo de Rúben Amorim.

CONTRATAÇÃO: Rafael Bracalli. Tem mais anos de futebol português que a maioria dos jogadores portugueses da Primeira Liga. No final da próxima época, soma a nona da carreira. Esteve no Nacional (5) e no FC Porto (2); Olhanense (1) e emigrou para os gregos do Panetolikos. De regresso, no Arouca, é espectável que consiga não sofrer (muitos) mais golos do que os 191 que viu entrar nas competições em Portugal. A rede do Arouca está entregue a Bracalli, um dos melhores guarda-redes do campeonato 2015/2016, em perspetiva.

MISTER: Lito Vidigal. Profundo conhecedor do futebol português. Quão profundo? 27 anos por cá. Como jogador e treinador, já passou por clubes de norte a sul, até às ilhas. Sabe aproveitar as qualidades dos jogadores que tem e, sobretudo, sabe transformar um conjunto em uma equipa. Para o provar, nem é preciso recuar mais de um ano. A época passada do Belenenses (6º lugar no campeonato – acesso às competições europeias) espelha a obra feita que Lito Vidigal deixou na hora da despedida. Este desafio no Arouca pode ser considerado um passo atrás, mas o treinador angolano sabe como dar dois para a frente.

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