Portugal Sub-20 0 –0 Brasil Sub-20 (1-3 após g.p.) Falta de pontaria nas grandes penalidades dita afastamento da equipa portuguesa; muitas oportunidades desperdiçadas; Portugal só se pode queixar de si próprio

Portugal entrou muito bem na partida, com uma forte atitude à imagem do que vinha acontecendo neste Mundial. Nos primeiros 15 minutos, já os jovens portugueses tinham desperdiçado 3 boas oportunidades de golo (João Nunes, Gelson Martins e André Silva). Após esse primeiro quarto de hora, ambas as equipas começaram a anular-se, muito dadas ao jogo tático, deixando para segundo plano os rasgos criativos e começou-se a assistir a um jogo muito disputado a meio-campo (Hélio Sousa colocou Francisco Ramos e Estrela no miolo do 11 titular em detrimento de Gonçalo Guedes e empurrando Rony Lopes para a ala direita). Por força do rumo que o jogo estava a levar, Portugal afastou-se um pouco daquilo que é o seu ADN e trocou o jogo com bola controlada, com muita posse que nos vinha habituando, para um jogo mais direto (viram-se alguns pontapés para a frente sem nexo e precipitados). Em suma, foi uma primeira parte com pouco espectáculo. Nos primeiros quinze minutos da segunda parte a história pouco ou nada mudou. As duas equipas davam primazia às tarefas defensivas e as oportunidades de golo foram nulas, no entanto começou-se a entrar numa fase mais agressiva, obrigando o árbitro a intervir e ir algumas vezes ao bolso buscar o cartão amarelo. A faltarem pouco mais de 25 minutos para os 90, Hélio Sousa retirou Estrela de campo e lançou o jogador-talismã desta selecção, Nuno Santos. Com a entrada do extremo do Benfica, a selecção das quinas ganhou asas, uma melhor relação com a bola, um maior atrevimento e dinâmica. Aos 84’, Rony Lopes disparou ao poste da baliza defendida por Jean, sendo que a bola por puro capricho afastou-se das redes, naquela que foi a melhor oportunidade no tempo regulamentar. Até final, nada de relevante aconteceu e seguiu-se para prolongamento (para o Brasil era a segunda vez que ia a prolongamento no espaço de três dias). À entrada para o prolongamento, Hélio Sousa procedeu a uma alteração, retirando Francisco Ramos para dar lugar ao luso-brasileiro, Raphael Guzzo. O jogo entrou numa fase mais tensa, com os jogadores brasileiros a acusarem o cansaço e a entrarem em alguns despiques com os jogadores portugueses. No último minuto da primeira parte, Nuno Santos numa grande arrancada, que começou ainda atrás do meio-campo, isolou Gelson Martins que, infelizmente, não conseguiu bater o guardião brasileiro, atirando ao lado do poste direito. Já eram muitas as oportunidades falhadas. Na segunda parte, quando faltavam 10 minutos para os 120’, o jogo começou a ficar mais partido e as oportunidades a surgirem de ambos os lados. Ivo Rodrigues entrou para o lugar de Gelson Martins aos 114’. Contudo, o nulo manteve-se até ao apito final. O jogo seguiu para as grandes penalidades. Na lotaria os portugueses pecaram na finalização, demonstrando grande falta de concentração. Falharam Guzzo (não se percebeu bem o que quis fazer, mas correu muito mal), André Silva e Nuno Santos (o seu penalty falhado foi um autêntico hino ao rugby).

futebol_sub-20_-_brasil-portugal

Gelson Martins sai deste Mundial com a cotação em altas

Esta derrota acaba por ser algo injusta, tendo em conta que a equipa portuguesa foi superior durante largos momentos do jogo, dispondo mesmo das melhores oportunidades. Mas, já diz o velhinho ditado “quem não marca, sofre” e neste caso foi nas grandes penalidades. Apesar da eliminação, a equipa de Hélio Sousa demonstrou que tem muito talento e que Portugal tem bons valores para o futuro. Há que aprender com esta derrota, levantar a cabeça que o amanhã há-de ser com certeza risonho para estes talentosos jovens futebolistas.

Destaques:

 Gelson Martins – O extremo do Sporting foi um elemento em maior foco da selecção nacional, passando por ele grande parte das acções ofensivas e foi sempre muito solicitado pelos seus colegas para dar seguimento aos lances. Rápido, incisivo e tecnicista, a Academia de Alcochete volta a colocar no mapa um novo extremo de grande potencial.

 João Nunes – O patrão da defesa do Benfica B e desta selecção sub-20. Sempre muito seguro, atento, com boa leitura de jogo e forte no jogo aéreo, o jovem português manteve o nível exibicional que nos vêm habituando e, juntamente com Domingos Duarte formou uma barreira muito sólida, compacta e difícil de ultrapassar.

 André Silva/Rony Lopes- Ambos dispuseram das melhores oportunidades de golo durante todo o jogo (nos 90 minutos). O avançado portista (e melhor marcador da equipa na competição) foi sempre um elemento muito trabalhador e voluntário na frente de ataque, mas carente de apoio. Correu imenso e acabou o jogo muito desgastado. Quanto ao luso-brasileiro alinhou, hoje, numa posição mais descaída para a linha e perdeu um pouco o seu virtuosismo, mas sem nunca virar a cara à luta. Melhorou com a entrada de Nuno Santos e merecia o golo naquele lance fortuito para os brasileiros.

 Danilo/Lucão- O (ainda) jogador do Sporting de Braga provou (se é que ainda tinha alguma coisa para provar) o porquê de estar a ser desde há muito tempo associado a grandes clubes, nomeadamente a Juventus. Muito forte no jogo aéreo (viu um golo ser-lhe invalidado, num lance que deixou algumas dúvidas), com grande sentido posicional e com bom toque de bola, a braçadeira de capitão assenta-lhe que nem uma luva. Quanto ao jovem central do São Paulo, foi uma boa surpresa. Muito forte na saída com bola, bons pés e uma muralha para quem tentava passar por ele.

Anúncios