O QUE É NACIONAL É BOM – JORGE JESUS

Na luta taco-a-taco entre Jorge Jesus e Lopetegui pelo título de campeão nacional, foi o treinador português a conhecer o sabor da vitória. Depois de ter visto partir sete jogadores importantes durante o Verão, o desafio para revalidar o título era enorme. Para enfrentar a nova temporada, o clube encarnado decide ir buscar para o onze titular Eliseu, Samaris e Jonas. As jornadas vão passando e, mesmo sem encantar, o Benfica de Jorge Jesus vai continuando no topo da tabela.

Em Dezembro, o treinador português vê partir Enzo Pérez para o Valência. O argentino era o motor dos encarnados e a sua substituição não se avizinhava nada fácil. A confiança dos adeptos pareceu esmorecer significativamente. No entanto, e como se fosse um feiticeiro, Jorge Jesus transforma Pizzi no novo médio de construção da sua equipa e o português, não se amedrontando, lá vai ganhando preponderância no onze aos poucos e poucos, contribuindo inclusivamente com assistências e golos importantes no decurso do campeonato.

Ao contrário de épocas anteriores, o futebol do Benfica este ano nunca foi muito espectacular. Contudo, é inegável que o futebol prático, mas ofensivo, rápido e vertical produziu resultados e as águias foram líderes durante praticamente toda a temporada. Adoptando um pragmatismo extremo (depois da perda de dois campeonatos para o Porto de Vítor Pereira outra coisa não seria de esperar), o técnico de 60 anos consegue levar, passados 31 anos, o Benfica ao bicampeonato. Se nos anos em que também conquistou o título de campeão nacional, é legítimo pensar que Luís Filipe Vieira tinha feito um investimento para tal, esta temporada parece ser mais do que justo afirmar que o título de campeão nacional tem o dedo de Jorge Jesus.

Jorge Jesus

O grande objetivo dos responsáveis do clube encarnado e de Jesus sempre foi garantir o campeonato, mas tal não justifica, a meu ver, a miserável participação na Liga dos Campeões. O grupo onde o Benfica estava inserido era, porventura, um dos mais equilibrados da edição deste ano, no entanto a presença na Liga Europa devia ter sido garantida. Uma equipa como o Benfica, à semelhança de Porto e Sporting, tem que tentar sempre chegar o mais longe possível nas competições europeias.     

A saída ou não de Jesus irá, certamente, fazer correr muita tinta durante as próximas semanas mas os adeptos benfiquistas parecem já ter feito a sua opção: renovar com o técnico é obrigatório.

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