“O maior génio que o treino do futebol conheceu nas últimas três décadas: Pep Guardiola” – Rui Pedro Braz

Um dos melhores comentadores desportivos aceitou o convite do Box-to-Box e concedeu-nos uma longa entrevista onde fala sobre toda a atualidade futebolística nacional e internacional. Rui Pedro Braz, comentador da TVI 24 e do programa “Contra Golpe”,  em exclusivo para o Box-to-Box. A nós só nos resta agradecer toda a disponibilidade prestada e todo o seu tempo despendido nas respostas às nossas perguntas. Uma entrevista a não perder!

BXT –  Olhando para o campeonato português, na perspetiva do Rui Pedro Braz, qual é o estilo de jogo em que o Rui Pedro mais se identifica: o do FC Porto, com um estilo mais de posse de bola, ou estilo do SL Benfica, que dá primazia a transições rápidas?

RPB – Não vejo as coisas de forma tão linear. Nem o FC Porto privilegia tanto a posse de bola como tentou fazer no início da temporada, nem o Benfica dá tanta primazia às transições rápidas como fazia num passado recente. No caso do FC Porto, depois de uma fase inicial onde Julen Lopetegui tentou impor o futebol que fez história na última década em Espanha (algo muito próximo de um “tiki-taka” adaptado), acabou por perceber que não tinha jogadores para isso e abandonou a ideia depois de sofrer alguns dissabores, nomeadamente com perdas de bola infantis e em zona proibida frente a Shakhtar Donetsk (na Champions), Sporting (na Taça de Portugal) e Benfica (na Liga). A partir daí, começámos a ver um FC Porto a “esticar” mais o jogo a partir de passes longos dos centrais, e também a aproveitar melhor a capacidade de progressão de Herrera, um jogador extraordinário que, naquele registo inicial do privilégio da posse de bola, acabava por se apagar um pouco, não fazendo uso da sua explosão no corredor central. Também os extremos passaram a ganhar maior influência no jogo interior, não se limitando apenas a ganhar as alas mas surgindo também muitas vezes no corredor central, quer a servir, quer a finalizar. Há vários golos de Tello, Quaresma e Brahimi na presente temporada que são exemplos flagrantes disto mesmo. Quanto ao Benfica, que em Maio do ano passado Jorge Jesus considerou ser “a melhor equipa do Mundo a jogar em “contra-golpe”, também mudou muito o seu ADN futebolístico em função, principalmente, da troca de quatro jogadores: Markovic por Sálvio, Fejsa por Samaris, Siqueira por Eliseu e, acima de tudo, Rodrigo por Jonas. Markovic era um jogador muito mais direto e vertical do que Sálvio; Fejsa não “mastigava” tanto o jogo como Samaris na zona intermediária; Siqueira atacava mais e melhor do que Eliseu, mesmo não tendo a meia-distância do açoriano; e por fim, a maior de todas as diferenças, Rodrigo era um avançado de transição rápida, muito eficaz nos movimentos diagonais a partir das alas para o centro e vice-versa, enquanto Jonas é um jogador de posse, de passe e receção, de exploração de espaços entrelinhas, muito mais semelhante, por exemplo, ao Saviola de 2009/10 – primeiro ano e primeiro título de Jorge Jesus no Benfica. Tudo isto para dizer apenas o seguinte: uma mentira repetida muitas vezes não se torna verdade, e nem o FC Porto é hoje uma equipa mais de posse do que o Benfica, nem o Benfica faz hoje das transições rápidas a sua principal arma. Quanto ao estilo de jogo com que mais me identifico, sendo ambos muito ofensivos e apelativos do ponto de vista da estética do jogo, digamos apenas que me identifico com aquele que conseguir, no final, aliar a eficácia dos triunfos aos predicados apresentados até ao momento.

BXT – Na sua opinião, qual é o principal motivo para a diferença que existe na equipa do Benfica em relação aos jogos realizados em casa e os realizados fora, não só a nível de resultados como a nível das suas exibições?

RPB – Não acho que haja uma diferença assim tão grande entre o Benfica “caseiro” e o Benfica “forasteiro”. É certo que os números contradizem aquilo que acabo de dizer, mas se olharmos para os jogos realizados concluímos facilmente que o Benfica conheceu já grandes dificuldades na Luz na presente temporada (Gil Vicente, Rio Ave e Sporting são disso exemplos) e teve também várias vitórias fáceis fora da Luz (Marítimo, Setúbal e Arouca, para citar apenas três). Acredito mais que são os adversários que jogam melhor quando defrontam o Benfica nos seus redutos e encolhem-se quando visitam a Luz, fruto também de um ambiente muito intenso que os adeptos encarnados têm conseguido transportar para os jogos em casa, onde o Benfica segue com uma média de assistências muito próxima dos 50 mil espectadores. Por fim, recordo apenas o seguinte: nos 8 pontos perdidos pelo Benfica na segunda volta, houve mais um elemento comum aos três resultados além do facto de terem sido todos fora da Luz, e esse elemento chama-se Nico Gaitán, jogador que esteve fora dos três encontros (dois por lesão e um por castigo). A sua influência no jogo do Benfica é, quanto a mim, superior à influência do fator-casa.

BXT – Em relação ao Porto, parece indiscutível que este ano existiu um excelente reforço da equipa tanto em qualidade como em quantidade. No entanto, no campeonato nacional, a equipa tem sido um pouco irregular. Na sua opinião, qual a razão para esta irregularidade?

RPB – A irregularidade do FC Porto é outra falácia que, no meu entender, não corresponde inteiramente à realidade. A equipa demorou algum tempo a encontrar o seu melhor registo numa fase inicial da temporada, mas depois entrou numa dinâmica de vitórias muito difícil de travar. Recorde-se que já esteve a 6 pontos do líder (com possibilidade de ficar a 9 caso o Benfica tivesse ganho em Paços de Ferreira numa partida disputada numa segunda-feira à noite) e neste momento está apenas a 3 pontos e dependendo apenas de si para se sagrar Campeão Nacional. Pelo meio, foi a equipa que chegou mais longe na Europa, tudo isto numa temporada onde o plantel é maioritariamente novo e estreante na Liga Portuguesa, e o treinador está praticamente a estrear-se nestas andanças de “treinador de clube grande”. Tudo isto faz diferença, há dinâmicas e rotinas que só aparecem com o tempo, tempo para trabalhar, tempo esse que Lopetegui ainda não teve. .

BXT – O Sporting, depois do 2º lugar alcançado na época passada, assumiu este ano a candidatura ao título nacional. Na sua opinião, tem sido uma época falhada ou o plantel que Marco Silva tem à sua disposição não poderá comportar tais exigências?

RPR – Está muito longe de ser uma época falhada por parte do Sporting, muito pelo contrário! Por vezes as pessoas têm memória curta, mas aproveito para recordar aqui alguns números que podem ajudar a perceber melhor a razão pela qual defendo que o Sporting, este ano, subiu alguns patamares determinantes sob o comando técnico de Marco Silva. Em 2013/14, sem Europa e caindo de forma precoce em ambas as Taças domésticas, Leonardo Jardim disputou apenas 35 jogos no comando dos leões, somando 67 pontos nas 30 jornadas da Liga Portuguesa. Em 2014/15, com Champions League e consequente transição para a Liga Europa, o Sporting de Marco Silva está na final da Taça de Portugal, não seguiu mais longe na Taça da Liga por imposição da direção do clube (que obrigou à utilização quase exclusiva de juniores e jogadores da equipa B na prova) e soma 63 pontos à passagem da jornada 29, ou seja, vencendo em Moreira de Cónegos fica apenas a 1 da pontuação de Jardim em igual número de jornadas. Isto num ano em que o plantel disputará 52 jogos oficiais, ou seja, mais meia época do que o seu antecessor no mesmo período de tempo. Naturalmente isto faz toda a diferença, não só em termos físicos, mas acima de tudo no tempo de treino, no já referido anteriormente “tempo de trabalho”, fundamental para que um treinador novo possa passar as suas ideias aos jogadores que têm às suas ordens. Neste particular, Marco Silva sofreu do mesmo mal de Julen Lopetegui: plantel novo, plantel jovem, estreia enquanto técnico de “clube grande” e pouco tempo para trabalhar, fruto das quatro competições em que estiveram envolvidos. Também por tudo isto, repito para o Sporting aquilo que referi para o FC Porto: trabalho extraordinariamente meritório, aquele que foi desenvolvido este ano em Alvalade, e nem um eventual desaire no Jamor (onde o Sporting irá defrontar um Sp. Braga fortíssimo é muito bem orientado por Sérgio Conceição) será suficiente para apagar a qualidade daquilo que foi alcançado.

BXT – Em relação à Liga dos Campeões, quem para si tem maiores condições para vencer este ano a principal competição europeia? E porquê?

RPB – As quatro equipas presentes nas meias-finais da Champions League somam entre si 21 conquistas do troféu mais apetecido: 10 para o Real Madrid, 5 para o Bayern Munique, 4 para o Barcelona e 2 para a Juventus. Por si só, estes números são bem demonstrativos da capacidade que cada um destes clubes tem para ganhar a prova rainha do futebol europeu. Tudo irá depender do sorteio, dos momentos de forma e de uma série de factores que, a esta distância, são impossíveis de prever. O Real Madrid, por exemplo, parece uma equipa muito mais frágil a partir do momento em que perde Luka Modric. A Juventus, apesar de ser teoricamente a equipa mais fraca, tem a seu favor o facto de poder “descurar” a Liga Italiana, que já está praticamente no bolso. Este argumento que vale também para o Bayern no que concerne à Bundesliga. O Barcelona parece estar numa fase ascendente e mostra capacidade para voltar ao topo da Europa, mas tem contra si, tal como o Real Madrid, o facto de estar envolvido numa luta muito intensa até ao final da Liga Espanhola. Por tudo isto, creio que o principal favorito, caso recupere as suas maiores estrelas após as recentes lesões, será o Bayern Munique, até porque conta com aquele que é, para mim, o maior génio que o treino do futebol conheceu nas últimas três décadas: Pep Guardiola. Ainda assim, recordo que a lógica não tem, por norma, lugar no mundo do futebol.

BXT – Neste ano civil, mais concretamente após Cristiano Ronaldo ter recebido a bola de ouro, o seu rendimento desportivo tem sido posto em causa por alguma comunicação social, nomeadamente espanhola. Na sua opinião, a passagem de Cristiano Ronaldo pelo Real Madrid poderá estar no fim?

RPB – A Cristiano Ronaldo só se exige uma coisa: tudo! E isso faz com que a crítica seja sempre muito feroz quando o jogador não está no auge das suas capacidades técnicas e físicas. Creio que a vontade do jogador pode ser continuar em Madrid e que a vontade do clube será também a de mantê-lo vestido de branco, mas acredito também que uma proposta alucinante de um dos colossos de Manchester possa devolver CR7 aos relvados da Premier League. Neste momento tudo é possível, e creio que só teremos uma noção mais concreta das reais possibilidades no final da temporada, quando forem conhecidos os vencedores da Liga Espanhola e da Champions League.

BXT – Em relação à seleção portuguesa, há muito que existe a falta de um ponta de lança de créditos firmados. Acha que, por exemplo, Gonçalo Paciência ou Rui Fonte poderão ser jogadores a altura para a seleção portuguesa? Existe mais alguém na sua opinião que poderá ocupar esse lugar?

RPB – Gonçalo Paciência tem tudo para ser um ponta-de-lança de topo mundial. Capacidade física, técnica, mentalidade de campeão, enfim… É um avançado completo. Mas precisa de começar urgentemente a jogar, não pode continuar ostracizado no escalão secundário, sob pena de perder o momento de plena afirmação futebolística. Veja-se o que aconteceu, por exemplo, com Nélson Oliveira, que no meu entender ficou demasiado tempo perdido no futebol de formação e, posteriormente, em projectos futebolísticos que não eram os mais adequados às suas características. Rui Fonte é um caso diferente… Tecnicamente prodigioso e com um faro de golo absolutamente fora do comum, teve uma experiência muito positiva em Espanha mas depois as lesões travaram a plena afirmação do seu potencial. Acredito que ainda irá a tempo de se afirmar e, olhando para as suas características e para o modelo de jogo encarnado, não me parece despropositado que a dupla Rui Fonte/Jonathan Rodriguez possa reeditar no futuro aquilo que a dupla Lima/Jonas protagonizam actualmente. Tudo isto para dizer que sim, no meu entender, Paciência e Fonte podem ser o futuro da nossa selecção. Mas se me pedissem para eleger um ponta-de-lança para liderar o ataque nacional no Euro 2016, eu não tinha dúvidas nenhumas: legitimava a naturalização de Lima no final da presente temporada e elevava o avançado brasileiro do Benfica à condição de internacional A pela turma das quinas.

BTB – Olhando já para época que aí vem: todos os anos se fala na saída de Jorge Jesus do Benfica. De entre os treinadores que atuam em Portugal, quais poderiam ser substitutos à altura de Jesus? Em relação ao estrangeiro, acharia Michel Preud’Homme um bom substituto?

RPB – Portugal tem os melhores treinadores do Mundo, ou pelo menos técnicos que estão ao nível dos melhores do Mundo. Concordo em absoluto com a leitura que Jorge Jesus faz em relação a este tema e também por isso, não acredito que o Benfica se vire para um treinador estrangeiro, mesmo que o seu nome seja Michel Preud’Homme. Entre os que treinam em Portugal, acredito que Rui Vitória e Marco Silva pudessem ser boas opções, sendo que o treinador do Vitória poderia pôr em marcha o projecto de aposta em jogadores da formação encarnada, enquanto Marco Silva não deverá ser opção imediata, fruto da sua ligação contratual ao Sporting. Entre os que estão no estrangeiro, Nuno Espírito Santo e Leonardo Jardim – mais este último – são treinadores de enorme qualidade mas que, neste momento, não estarão ao alcance do Benfica. Resta, portanto, aquele que é para mim o mais interessante e promissor projecto de treinador português para os anos mais próximos: Paulo Sousa. Infelizmente para o Benfica, a ruptura litigiosa de Sousa como clube em 1993, rumando a Alvalade, deverá ser um pecado que os adeptos jamais lhe perdoarão e, como tal, duvido que alguma vez venha a treinar o clube da Luz. Dito isto, acredito que a situação do treinador do Benfica para a próxima temporada deve ficar decidida já no próximo domingo: ganhando, Jorge Jesus manter-se-á na Luz com poderes reforçados e contrato de longa duração, nunca abaixo dos 3 ou 4 anos. Perdendo, creio que se fecha um ciclo e o Benfica terá que encontrar uma solução rápida e eficaz.

BTB – Em relação aos planteis da próxima época dos 3 grandes, dificilmente alguns dos seus melhores jogadores continuarão – exemplos de Gaitan, Salvio, Jackson Martinez, Danilo, Casemiro, Oliver, Nani, entre outros… Acha que, por exemplo, Iuri Medeiros, Gonçalo Guedes e Carlos Eduardo (emprestado ao Nice pelo Porto) poderão ser soluções de imediato para entrar nos onzes das respetivas equipas?

RPB – Iuri Medeiros é um talento enorme, um jovem com um potencial extraordinário que poderá ter uma oportunidade de ficar no plantel leonino, creio que faz todo o sentido depois de meia época a crescer no Arouca, à semelhança daquilo que sucedeu com João Mário no Vitória de Setúbal na época anterior. Contudo, tenho dúvidas de que seja um jogador para entrar imediatamente no onze inicial, a não ser que se verifique um desenvolvimento atípico do jogador nos próximos meses, ou um desinvestimento do clube que leve à necessidade de apostar imediatamente em promessas que ainda precisam de trilhar mais algumas etapas de crescimento. Gonçalo Guedes no Benfica, quanto a mim, tem que ser um processo conduzido de forma diferente, já que estamos perante aquele que será, porventura, o maior produto da formação nacional desde Cristiano Ronaldo, salvaguardando desde já as devidas distâncias entre ambos. Se for para jogar com (muita!!!) regularidade, creio que deve integrar o plantel, caso contrário, deve rodar numa equipa de Primeira Liga que lhe permita crescer paulatinamente. Mas mesmo a escolha dessa equipa deve ser criteriosa, já que o objetivo não é transformar o jogador num extremo de transição e contra-golpe, mas sim moldá-lo à imagem do futebol ofensivo do Benfica, e não é fácil encontrar uma equipa com essa ideia de jogo em Portugal tirando os três “grandes”. Os responsáveis encarnados saberão melhor do que ninguém qual o rumo à dar ao processo. Por fim, Carlos Eduardo, um jogador de elevadíssima qualidade técnica, muito forte nas bolas paradas e com algum sentido tático, adquirido com Marco Silva na Amoreira e posteriormente com Luís Castro no Olival. Apesar da sua qualidade, não acredito que seja superior a Evandro, Quintero e Herrera, jogadores que deverão permanecer no Dragão. Oliver e Casimiro deverão regressar aos “patrões” de Madrid, mas não creio que Carlos Eduardo seja a solução indicada para substituir qualquer um deles. Se Lopetegui saísse (algo que não acredito que venha a acontecer, seja qual for o desfecho da Liga) talvez se abrisse uma janela de oportunidade para o brasileiro. Continuando o Basco no comando técnico dos azuis e brancos, acredito que a solução passe por vendê-lo em França, país onde ganhou mercado fruto de alguns feitos impressionantes com a camisola do Nice.

BTB – Por fim, na sua opinião, o 4x3x3 é o melhor sistema tático para uma equipa que lute por títulos?

RPB – O melhor modelo tático é sempre aquele que tira melhor partido dos jogadores que o técnico tem à sua disposição. Algumas das equipas mais ganhadoras a história, como o Barcelona de Pep Guardiola, atuaram em 4x3x3. Contudo, mais importante do que o modelo é, inevitavelmente, a forma como os jogadores se movimentam nesse mesmo modelo, ou seja, a forma como circulam a bola, a forma como ocupam os espaços, a forma como pressionam o adversário na sua primeira fase de construção de jogo, a forma como o tridente do meio-campo se desdobra em 2×1 ou em 1×2 dependendo dos momentos defensivos e ofensivos do jogo, a forma como os laterais e os extremos se desdobram e provocam desequilíbrios no jogo exterior e no jogo interior… Enfim, a miríade de variáveis que apenas um modelo pode oferecer ao jogo, faz com que neste momento faça muito mais sentido falar de dinâmicas do que de modelos. Naturalmente, qualquer dinâmica e qualquer estratégia têm que partir sempre de um modelo de jogo, mas a assimilação desse modelo deve ser encarada apenas como o princípio de algo e não como um objetivo tático em si. Em suma, o modelo deve ser apenas um meio para atingir um fim, sendo que esse fim é sempre a eficácia obtida a partir da soma das individualidades sobre o terreno de jogo. Sou defensor de que, na maioria das situações, devem ser as características dos jogadores a definir a implementação de determinado modelo, e não o modelo a definir aquilo que se pretende dos jogadores à disposição do técnico. No entanto, há treinadores que alcançam o sucesso moldando os jogadores em função do modelo que pretendem impor, algo que, no meu entender, é muito mais difícil. Jorge Jesus é um excelente exemplo de sucesso nessa dinâmica de dualidade que me parece muito mais arriscada e complexa. Também por isso, merece toda a minha admiração pelo trabalho desenvolvido nos últimos anos.

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