Porto sem fôlego deixa Benfica na frente

Quem visse o jogo desta tarde e não soubesse que a diferença entre FC Porto e SL Benfica era de (apenas) três pontos, dificilmente adivinharia.

Um jogo sem arte, nem nota positiva. Os 63 mil adeptos mereciam mais do que uma 1ª parte parecida com um jogo da distrital. Bolas pelo ar, passes longos e pouca qualidade. Ninguém quis tomar as rédeas do clássico. Ao Benfica interessava-lhe sempre a vitória, mas o empate também servia. No Porto notou-se uma apatia física e mental que trouxe, provavelmente, do 6-1 em Munique.

Nada previa, no entanto, que Jorge Jesus fosse colocar Talisca no onze titular – muito menos na ala. A equipa da casa entrou a defender a 1ª posição do campeonato, sempre sem arriscar nada. Aliás, prova dessa opção de JJ foi a substituição de Talista por Fesja aos 63 minutos e de Pizzi por André Almeida aos 80.

Nota positiva para Jardel e Luisão que conseguiram conter o frouxo fulgor ofensivo azul e branco. Mas as opções do treinador do Benfica podiam ter acabado mal.

Jesus queria segurar o empate e não deu gasolina à equipa para construir um ataque que desse golos. Arriscou e correu bem. Nem Jonas nem Lima foram capazes de criar oportunidades. Só nos lances de bola parada se viu algum perigo.

Perigoso foi o único lance de ataque do Porto na primeira parte. Jackson, cansado, bem tentou meter uma bola dentro das redes, mas não era um bom dia para o avançado. Lopetegui queria uma equipa mais forte, mais combativa e muito mais eficaz. Tirou Rúben Neves ao intervalo e meteu Herrera para dar óleo ao triângulo do meio-campo, mas não se viu grande mudança. Colocou Hernani na faixa, tirando Evandro que não trabalhou o suficiente.

A apatia do clássico só afetou o FC Porto. Agora têm de lutar atrás do prejuízo e esperar que Benfica deslize. O que não parece muito provável, já que o jogo mais difícil, em perspetiva, para os encarnados é com o Guimarães. Mas a equipa de Rui Vitória não parece capaz de roubar pontos a nenhum dos três grandes.

Julen Lopetegui queria uma mão cheia de conquistas; acabou com uma mão cheia de nada. Ninguém lhe tira a vitória no Dragão contra o Bayern, mas o Porto não está habituado a terminar uma época sem títulos. Estará mesmo o Benfica a construir uma nova hegemonia no campeonato português? O FC Porto parece ter entregue hoje o testemunho.

Anúncios