Bayern Munique 6-1 FC Porto; Artilharia alemã avassaladora

Em relação ao jogo da primeira-mão, Pep Guardiola substituiu o desastrado Dante (exibição para esquecer no Dragão) pelo sempre fustigado pelas lesões, Holger Badstuber. No banco já contava com, o habitual cérebro do meio-campo, Bastian Schweinsteiger (nem foi preciso recorrer ao jogador). E se Guardiola conseguiu, na teoria, reforçar, dentro do possível, a sua equipa, Lopetegui viu-se obrigado a remendar como pôde. Começando pela inclusão, algo surpreendente, do mexicano Diego Reyes (decisão que se revelou muito errada), no lado direito da defesa, a substituir o titularíssimo – e com viagem já marcada para Madrid, no final da época – Danilo. Castigado estava também o seu compatriota, Alex Sandro, e, não fosse a não inscrição de José Ángel na prova milionária (provável substituto do brasileiro), deu o lugar a Martins Indi que, apesar de não ser a sua posição natural, não lhe era alheia. Para o lugar que Martins Indi ocupou no primeiro jogo com o Bayern, entrou o espanhol Iván Marcano para o eixo da defesa. Tendo em conta o jogo, no passado Sábado, ante a Académica, Lopetegui mudou 9 titulares, enquanto Guardiola procedeu a 5 alterações relativamente ao jogo a contar para a Bundesliga frente ao Hoffenheim (vitória por 2-0 e com apenas 6 jogadores no banco).

Depois de uma grande vitória alcançada no seu terreno, o Porto não conseguiu dar seguimento a essa vantagem. A equipa foi uma sombra daquilo que mostrou ao longo da Liga dos Campeões, maioritariamente. Os alemães não tiveram dó, nem piedade, e à passagem dos 40 minutos de jogo já venciam por 4 golos sem resposta. Na segunda parte, a partida entrou numa fase mais apática e sem grande história, numa altura em que o Bayern se limitava a gerir o resultado e a tentar explorar mais falhas dos homens portistas. O Porto nunca conseguiu acertar o passo e, se Jackson foi o mais irreverente, o resto da equipa esteve muito aquém das expectativas. Esta semana revela-se absolutamente decisiva para a equipa azul e branca, mas, principalmente, para Julen Lopetegui. A equipa está numa fase de tudo ou nada, que se pode demonstrar muito boa, ou muito má. Um objectivo já ficou pelo caminho, resta-nos esperar para ver se a equipa vai reagir à altura do desafio no jogo de Domingo contra o Benfica (muitos consideram o jogo do título).

A equipa não pôde, hoje, repetir os festejos

Destaques:

Diego Reyes/Martins Indi/Ricardo – Rafinha/Bernat: Com Danilo e Alex Sandro de fora por castigo, Lopetegui foi obrigado a mexer nas posições talvez mais nucleares da equipa portista. Se é verdade que os dois internacionais brasileiros são jogadores de elevado nível, não é menos verdade que não têm substitutos à altura. Dito isto, as opções de Lopetegui para confrontar as ausências dos dois jogadores revelaram-se erradas. Reyes jogou completamente alheado das suas funções, sendo uma autêntica auto-estrada para Bernat e Götze, principalmente. Lopetegui optou assim por retirar o mexicano de campo ainda na primeira-parte, com o relógio a marcar 32 minutos, para dar lugar ao ex-Vitória de Guimarães, Ricardo. O internacional sub-21 português fez o que pôde. Sem grande margem de manobra,  fez uma exibição menos sôfrega de assistir comparando com o seu colega mexicano. Martins Indi não é claramente lateral-esquerdo, mas o técnico espanhol não tinha muito mais por onde escolher. Rafinha, que fez um grande jogo, dispôs de muito espaço (nem sempre bem acompanhado por Brahimi) e o internacional holandês sofreu muito durante a partida.

Marcano:  O jogador espanhol foi um dos piores elementos em jogo e, se na primeira volta foi Dante o desastroso, Marcano roubou-lhe esse protagonismo. Se acertou 5 passes, foi muito. A sua exibição acinzenta-se ainda mais com a sua expulsão aos 87′.

Jackson Martínez: Um jogador claramente acima da média. Lutou até à exaustão, sendo dele os únicos remates da sua equipa. Um resultou em golo, o outro sai a rasar o poste da baliza defendida por Manuel Neuer. Acaba a prova com 7 golos marcados em 8 jogos (bom cartão de visita para se valorizar ainda mais no mercado).

Quaresma/Brahimi: O português, na primeira-mão, foi claramente o melhor jogador em campo. Hoje foi menos um. Sem cabeça, entrou facilmente em despiques (especialmente com Bernat) numa altura em que se pedia calma e concentração à sua equipa. O argelino continua numa sucessão de altos e baixos, estando a entrar numa fase de desempenhos muito inconstantes e irregulares. O Porto precisava muito de ambos, hoje, e a equipa ressentiu-se muito com o fraco nível exibicional dos dois.

Lopetegui: Falhou praticamente em todas as escolhas que fez, hoje. No primeiro jogo, esteve exemplar, mas hoje deitou tudo a perder. Não se pode culpá-lo pelas suspensões de Alex Sandro e Danilo, mas não soube responder adequadamente. A mostrar mais uma vez que erra em altura de decisõesEsta semana pode muito bem ser um reflexo do que se pode vir a passar no final da época.

Porto: O jogo de hoje correu muito mal e é pena que ofusque um pouco o brilhante desempenho até então da equipa portista. Após o primeiro jogo, conseguiu fazer acreditar muita gente que o ano de 2004 se voltasse a repetir e não se pode dizer que cair nos quartos-de-final aos pés do Bayern seja mau. Uma boa prestação na competição, sem dúvida!

Bayern:  Mesmo com Alaba, Ribéry, Robben, Javi Martínez e Benatia de fora, o Bayern mostrou toda a sua força e respondeu com uma exibição arrebatadora. Entrou com tudo na partida e não demorou muito a virar a eliminatório para o seu lado. Continua rumo às meias-finais, sendo um das grandes favoritos à conquista da Liga dos Campeões.

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