Nicolas Anelka – Um currículo que engana

Primeiro que tudo, dizer que Anelka é um ‘flop’ pode ser visto com grande desconfiança. Na verdade, o internacional francês (69 jogos, 14 golos) teve uma carreira recheada de títulos e passada em grandes clubes. Mas agora pedimos que façam uma retrospeção sobre a carreira do jogador; será que ele era assim tão bom? Não terá sido um caso de sobrevalorização? Para muitos, se calhar, a última coisa inesquecível que o francês protagonizou foi aquele penalty falhado na final perdida da Liga dos Campeões ante o rival Manchester United. De destacar também as elevadas quantias monetárias que o jogador movimentou em transferências para vários clubes. No total foram sensivelmente 127 milhões de euros divididos por 12 clubes.

Decorria a época de 1996-1997, quando Anelka trocou o clube de formação, Paris-Saint Germain, pelo Arsenal, ora não fosse tradição de Arsène Wenger contratar jovens jogadores e com especial tendência para franceses. Em Londres, num total de 3 épocas, contabilizou 25 golos repartidos por 73 partidas. Despertou então o interesse do colosso europeu, Real Madrid. O atual clube de Cristiano Ronaldo, Fábio Coentrão, Pepe e companhia desembolsou nada mais, nada menos que 35 milhões de euros para adquirir o passe do internacional francês (tinha custado 760 mil euros ao Arsenal, proporcionando um enorme lucro para os cofres dos ‘gunners’).

 

Anelka conquistou uma Liga dos Campeões com a camisola do Real Madrid, mas sem nunca conseguir convencer ninguém com as suas exibições

Na capital espanhola, fez apenas uma época, não fazendo jus ao epíteto de estrela muito por culpa do dinheiro que havia custado. Se hoje em dia 35 milhões são uma fortuna, imagine-se há 16 anos atrás! Foram, no total, 31 jogos e 7 golos marcados com a camisola dos ‘merengues’, custando assim mais de um milhão por jogo. Os dirigentes do Real Madrid não perderam tempo a livrar-se do francês, que encontrou abrigo no seu clube de formação, o PSG.

Regressou ao seu país, custando novamente um balúrdio. Foram 34,5 milhões! Em Paris, ganhou outro destaque, mas também não conseguiu valorizar todos os cêntimos gastos no seu passe (53 jogos, 16 golos). Com 22 anos, três clubes até ao momento já haviam gasto cerca de 70 milhões no internacional francês. Será que valia assim tanto?

Uma época e meia depois, saiu em janeiro por empréstimo para o Liverpool. Era o regresso a Inglaterra. Em meio ano, alinhou em 22 jogos, fazendo o gosto ao pé em 5 situações. Números que não convencem, diga-se de passagem. Findado o seu empréstimo, o Manchester City apressou-se a assegurar o jogador. Sabendo que, na altura, o emblema de Manchester não era, de todo, o que é agora, fez questão de pagar 15 milhões aos parisienses.

Já era o 5º clube na carreira do jogador. Em Manchester, conseguiu alinhar a um bom nível (não esquecer que, naquela altura, o Manchester era considerado um ‘outsider’ e não um candidato ao título como o é atualmente) durante 2 temporadas e meia. Saiu, novamente em Janeiro, desta feita para o periférico campeonato da Turquia, ao serviço do Fenerbahçe – 11 milhões pagaram os turcos. Algo que é visível na carreira do jogador é que nunca ficou muito tempo no mesmo clube, procedendo muitas vezes em transferências a meia da época (4 vezes, no total). Em Istambul, pisou os relvados por 50 vezes, celebrando 14 golos. Em 2008 veio mais uma transferência, novamente para Inglaterra.

O Bolton Wanderers, equipa de meio da tabela, pagou 12 milhões aos turcos para assegurar os préstimos do francês. Foram 61 jogos e 23 golos, até o Chelsea do magnata Abrahamovic abrir os cordões à bolsa e pagar 18 milhões para obter os serviços do internacional francês. No emblema londrino, foi onde o jogador fez mais jogos na sua carreira e onde ganhou o seu único troféu de melhor marcador (19 golos na Premier League). De 2008 a 2012, Anelka vestiu a camisola dos ‘blues’ em 184 ocasiões, festejando 59 golos. Contudo, a equipa chinesa do Shanghai Shenhua tinha o sonho de ter a dupla do ataque londrino, Didier Drogba e Nicolas Anelka. Dinheiro não era problema para os chineses e não tiveram qualquer problema em seduzir ambos os jogadores com salários astronómicos.

 

Na China, reencontrou Didier Drogba

 

Em Shanghai, a experiência não foi, certamente, o que Anelka esperava (será?) e não demorou muito até voltar para o ‘Velho Continente’ (23 jogos, 3 golos). Mais uma vez, uma grande equipa europeia fez questão de garantir o jogador. A Juventus, aproveitando o final de contrato com o Shanghai Shenhua, chegou-se à frente. No entanto, a escolha do francês voltou a revelar-se infrutífera, sendo apenas em 3 ocasiões opção na ‘Vecchia Signora’.

Terminada a aventura em Itália, veio o chamamento de Inglaterra, mais uma vez. O West Browmich é até agora o último emblema que Anelka representou na Europa. Com 12 jogos e 2 golos pela equipa inglesa, veio também a polémica que levou à rescisão do contrato.

No princípio desta época, Anelka partiu à descoberta em terras indianas, na equipa do Mumbai City, com o qual terminou o contrato em janeiro deste ano. Com tudo o que foi dito neste artigo, fica então a sensação que o francês não foi assim tão bom jogador quanto o pintaram, principalmente pelo dinheiro que investiram nele. No entanto, é de realçar a quantidade de títulos conquistados. Foram 20 no total, dos quais se notabilizam:

– 1 Taça das Confederações;

– 1 Campeonato da Europa;

– 2 Ligas dos Campeões (Real Madrid e Chelsea);

– 1 Supertaça Europeia (Liverpool);

– 2 Ligas Inglesas (Chelsea);

– 1 Liga Italiana;

– 1 Liga Turca.

 

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