FORA DE JOGO #3 – PULSO FIRME: “DOYEN A QUEM DOER”

Bruno de Carvalho é carismático, polémico e irreverente. Além destes traços, o caráter do presidente do Sporting revela-se a cada intervenção (ou black out) que faz. Também se tem percebido, nestes últimos dois anos, que ele não está para brincadeiras. E ainda bem. O problema é que a imensa vontade, de vez em quando, “sai fora da caixa” do bom senso (já explico).

Parte I – Doyen e o Pavilhão João Rocha

Esta sexta-feira, 27, BdC garantiu que o Pavilhão João Rocha não passará de uma pedra num descampado. Vai ser construído no terreno onde esteve o antigo Estádio José Alvalade, para (in)felicidade dos sportinguistas. Certo é que o complexo vai ficar junto ao Alvalade XXI e cria uma zona interdesportiva no mesmo local. Não pode ser mau, nem que seja pela convergência das modalidades num só sítio.

No discurso da cerimónia, Bruno decidiu mandar a farpa para uma empresa de fundos de investimento em jogadores. “Chego a ouvir que o tribunal e a Doyen vão ser o fim do projeto. Aqui, tomando a responsabilidade, digo: Doyen a quem doer, a obra estará pronta em Dezembro de 2016″, prometeu Bruno de Carvalho,  numa clara alusão ao processo litigioso entre a empresa e o Sporting, depois de o clube ter rescindido os contratos de Marcos Rojo e Zakaria Labyad.

Parte II – Diagnóstico dos rivais

As certezas não se ficaram pelo pavilhão. BdC acredita que Benfica e Porto “tremem todos os dias” com o Sporting. Ora bem, aqui está um exemplo de como o presidente peca muitas vezes por excesso. Este é um dos casos em que Bruno de Carvalho exagerou na análise. Os rivais não estão preocupados, pelo menos com aquilo que os leões podem fazer este ano.

Com a luta do título a dez pontos de distância, o objetivo do Sporting é o segundo lugar e a entrada direta para a fase de grupos da Champions. O presidente devia ter sido mais contido, porque Benfica e Porto estão preocupados – isso sim – com a conquista do campeonato. BdC não pode mandar “postas de pescada” só porque lhe apetece. Os créditos vão sendo gastos em declarações como esta.

Os dois anos de mandato ficam marcados pelo excelente trabalho de reconstrução que fez. O problema é que também se destacam em patetices descabidas. Que descredibilizam Bruno de Carvalho.

A falta de bom senso é marca do futebol, bem sei. Mas os exageros realçam o circo de feras que é o futebol português. E é escusado que assim seja.

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