Fez-se história no António Coimbra da Mota!

Na conferência de imprensa de antevisão ao jogo, Rui Águas expressou a ideia de que a sua selecção ia tentar ser melhor do que a Sérvia (que tinha, recorde-se, defrontado Portugal no domingo passado) e a verdade é que, durante a primeira parte, atingiu esse objectivo na perfeição.

Durante os primeiros minutos de jogo, Cabo Verde conseguiu ser superior à equipa das Quinas. Os Tubarões Azuis apresentaram-se desinibidos, jogando num bloco médio-alto e pressionando a selecção portuguesa logo no momento de construção de jogo. Através da velocidade de Héldon, a equipa de Rui Águas conseguiu transições rápidas que criaram algumas dificuldades, em especial a Cédric.

No entanto, a partida foi-se desenrolando e Portugal lá conseguiu equilibrar o jogo. Isto deveu-se essencialmente à actuação dos extremos, que iam muitas vezes para o meio e permitiam dessa forma que os laterais subissem no terreno para efectuar alguns cruzamentos perigosos.

O fim da primeira parte ia aproximando-se e as equipas pareciam estar perfeitamente encaixadas uma na outra. Esta “monotonia” foi quebrada aos 37 minutos. Odaïr Fortes, ao procurar efectuar um cruzamento, leva a bola a embater em Antunes e a trajectória da mesma acaba por atraiçoar Anthony Lopes. Aquilo que era um cruzamento acaba por ser um remate que dá golo. O primeiro tempo não ia chegar ao fim sem que as gentes cabo-verdianas pudessem fazer a festa mais uma vez.  Ao minuto 43, e após um lance de bola parada, Gegé aparece ao segundo poste e faz o segundo golo para os Tubarões Azuis. Muita passividade dos jogadores portugueses na abordagem ao lance e o jogador do Marítimo a introduzir novamente a bola na baliza lusa.

cabo verde

O intervalo fez bem à selecção das Quinas. Na segunda parte, a equipa de Fernando Santos apresentou-se bem mais activa. Os jogadores procuraram meter velocidade e dinâmica no jogo mas as ambições lusas travaram com a expulsão de André Pinto aos 60 minutos (o central do Braga rasteirou Héldon quando este se isolava para a área).

heldon

Até ao fim do jogo, nada de mais relevante a acrescentar. Vitória histórica de Cabo Verde sobre uma equipa portuguesa que não realizou um bom jogo. No entanto, e apesar de o resultado não ter sido agradável, não devemos começar já a pensar que tudo é mau. Há jogadores que foram chamados hoje a jogo que demonstraram ter qualidade para frequentarem mais vezes o lote de seleccionados.   

Factores positivos a reter:

  1. Coesão de Cabo Verde. Com excepção de Vózinha e Calú, todos os restantes jogadores cabo-verdianos que participaram no encontro de hoje jogam na Europa, o que lhes permite adquirir princípios tácticos extremamente exigentes e que faz, consequentemente, de Cabo Verde uma selecção extremamente compacta.
  2. Dupla Bernardo Silva-João Mário. A “aliança” entre os dois jogadores fez alguns estragos na primeira parte. Se o jogador do Sporting foi um elemento fundamental na ligação entre o meio-campo e o ataque, o jogador do Mónaco foi interveniente principal nas jogadas mais perigosas de Portugal durante os primeiros 45 minutos.

Factores negativos do encontro:

  • Pontas-de-lança portugueses. Saiu Hugo Almeida, entrou Éder. Cada vez mais é perceptível que nem um, nem o outro têm competências para jogar na selecção. Talvez seja melhor para Fernando Santos começar a apostar noutras alternativas…
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