FORA DE JOGO #2 – QUEIROZ NÃO É “VIP” NO IRÃO

Carlos Queiroz decidiu (aparentemente) que a aventura no Irão chegou ao fim, pouco tempo depois de ter prolongado o contrato até 2018. O ex-selecionador português justificou que este vaivém acontece devido a “pressões”, apesar de não especificar de onde vêm. Diz apenas que “não queria sair” (nem Queiroz, nem o Fisco iraniano, já percebemos).

Voltando à demissão. Esta não é inédita: o treinador português já tinha manifestado vontade de sair em 2014, no Mundial do Brasil. Agora, o atraso no pagamento de sete milhões de euros à Federação Iraniana de Futebol – pela participação na competição internacional – e as “condições de trabalho” da seleção iraniana estarão na origem desta posição.

O treinador português vai continuar a dirigir os trabalhos da equipa contra o Chile, na Áustria (25 de Março), e contra a Suécia, em Estocolmo (31 de Março).

Carlos Queiroz ainda acompanha a equipa contra o Chile (25 de Março) e Suécia (31 de Março). Getty Images

O modus operandi do ex-atual-próximo(?)-selecionador do Irão raramente me tem surpreendido. Logo me apercebi das competências insuficientes que Carlos Queiroz tem para treinar uma equipa de futebol. A todos os níveis – psicológico, motivacional e, sobretudo, tático.

Sim, ainda me lembro da gestão ruinosa que fez no Mundial 2010, na África do Sul, quando era selecionador de Portugal. Sim, ainda me lembro da postura inadequada em relação a Cristiano Ronaldo.

E sim, ainda me lembro que Queiroz foi um dos responsáveis pelas duas vitórias de Portugal sub-20 nos mundiais de 1989 e 1991. É, talvez, a única grande conquista do português e dos portugueses nas competições de seleções. A partir daí, não me parece que o treinador tenha mérito sob qualquer outro feito conseguido.

No Irão, onde os direitos humanos são violados a toda a hora; onde existe um “Líder Supremo” que quer mais capacidade nuclear; e onde se prioriza o armamento militar… Como é possível não existir uma lista VIP de contribuintes que protega certas personalidades?

Este tema ainda está sujeito ao escrutínio dos media iranianos. É oportuno, escandaloso e originalmente desenhado por portugueses. Imagine que exportámos mais uma pérola para o estrangeiro. Segue, obviamente, as mesmas linhas de orientação do Governo de Portugal.

Há uma کیسه VIP (como eles alegadamente chamam, alegadamente no Irão, ao alegado caso). Vamos tentar?

Os critérios que impedem um trabalhador do Fisco (iraniano), através de um número de contribuinte, a pesquisar e a consultar dados relativos a um determinado “VIP” estão a deixar uma pessoa de fora. Parece que Carlos Queiroz não é “VIP” no Irão, e não se percebe porquê.

Agora é aguardar pela demissão do Sr. Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais porque o projeto foi mal implementado. Como acontece com qualquer país que utiliza ideias portuguesas relacionadas com impostos (estes iranianos não são nada originais…).

Entretanto, Carlos Queiroz, o ainda selecionador nacional de futebol, já viu o problema resolvido.

 

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