FORA DE JOGO #1 – Qual país de merd*?

“Jogo futebol há quinze anos e nunca vi um árbitro como este, neste país de merd*”. Esta acusação de Ibrahimovic é muito interessante, mas não muito simpática. Tanto pelas interpretações possíveis como pela forma como foi dita e pelas reações que desencadeou. Atenção: ele ainda estava em brasa!

O sueco tinha de se conter. Não conseguiu. Deu nisto:

O internacional sueco reagiu mal à arbitragem de Lionel Jaffredo.

O internacional sueco reagiu mal à arbitragem de Lionel Jaffredo.

Ora, quando se marca dois golos para ir empatando – jogando no PSG e sendo um dos melhores pontas de lança do mundo – e julgando o árbitro pelas decisões durante o jogo… era quase inevitável.

A atitude, as palavras e as considerações são inqualificáveis. Nada anormal no mundo do futebol, claro. Mas este caso foi extrapolado para a aura política francesa. Porquê?

Apesar de interessante, emocionante e inqualificável, esta reacção de Ibrahimovic não acontece numa conferência de imprensa, nem num parlamento, ou numa comissão de inquérito qualquer. Isto passa-se num estádio, com um jogador profissional e um árbitro de futebol.

Não parece óbvio que, quando o internacional sueco diz “neste país de merd*” refere-se ao país futebolístico e não à França civilizacional, política e social? É que, depois disto, o jogador atira: “nem sequer merecem o PSG neste país!”. Devia ter dito “neste campeonato”? Devia. Ainda assim, não merecia estes comentários, por ser apenas um fait diver.

Marine Le Pen, líder da Frente Nacional. Virginia Gourmelon, presidente do Conselho Nacional de Ética francês. Patrick Kenner, ministro dos Desportos. Jéróme Guedj, ex-deputado do PS.

Todas estas figuras saltaram da cadeira e intervieram para repudiar a atitude de Ibrahimovic. Marine Le Pen até “sugeriu” que o sueco deveria abandonar o país. Qual país de merd*? Onde se joga futebol, ou onde uma líder da oposição quer a extradição de uma pessoa por ser mal educada?

A única personalidade ponderada foi Bruno Le Maire, antigo ministro francês. Teve bom senso para reconhecer que “há questões mais importantes do que estas declarações”. Bravo.

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