Ben Sahar – De Stamford Bridge para o Muro das Lamentações

Quando Roman Abramovic adquiriu o Chelsea, em 2003, houve uma grande revolução no clube. Grandes nomes foram contratados todos os anos para a equipa principal, mas as camadas jovens não foram esquecidas. A política do clube passava pela aquisição de jovens talentos, oriundos de todas as partes do mundo, de forma a preparar o futuro (esta política tem-se revelado infrutífera). Ben Sahar foi um dos muitos jogadores contratados.

O internacional israelita (conta com 31 jogos e 6 golos) aterrou em Londres com apenas 16 anos, oriundo do Hapoel Tel Aviv, a troco de 500 mil euros. Ben Sahar habituou-se desde cedo a saltar etapas na sua evolução, jogando sempre, pelo menos, um escalão acima da sua idade; e prova disso é o facto de ter estado presente no Euro sub-21, em 2007, com apenas 17 anos (3 jogos, 1 golo).

As oportunidades de ter um lugar na equipa principal eram escassas. Os dirigentes do clube londrino acharam por bem colocar o jogador, na época 2007-2008, a ganhar experiência no QPR, por altura no Championship. Em Janeiro, ao fim de 9 jogos e sem nenhum golo apontado, trocou o emblema londrino para, mais uma vez, ser emprestado: desta feita ao Sheffield Wednesday, até final dessa época (12 jogos, 3 golos). Na época seguinte, iria conhecer mais dois clubes diferentes: o Portsmouth (nem um único jogo), na primeira parte da época, e o De Graafschap (17 jogos, 5 golos), da Holanda.

Na época 2009-2010 veio uma real prova de fogo para o jogador, sendo contratado em definitivo pelo Espanyol por 1 milhão de euros. No entanto, o israelita defraudou as expectativas e, apesar das muitas oportunidades (22 jogos, 1 golo), não conseguiu dar conta do recado. Começava aqui a desenhar-se a rota de declínio do jogador. No ano seguinte, regressou ao seu país natal e ao clube que o viu nascer para o futebol, desta vez emprestado pelo clube de Barcelona. O regresso a casa revelou-se produtivo e foi mesmo o melhor ano do jogador, até agora (44 jogos,  18 golos em que 3 deles foram na Liga dos Campeões).  Regressou então a Barcelona, mas não lhe foi concedida a oportunidade de integrar a equipa principal. Ainda assim, o israelita tinha mercado e o Auxerre reuniu as condições necessárias para o receber por empréstimo.

Ben-Sahar-de-l-Espanyol-Barcelone-a-Auxerre

O israelita, aqui a ser apresentado no Auxerre, tinha tudo para ser um avançado de top

Em França, não conseguiu mostrar o seu valor e voltou a fazer uma época abaixo das expectativas (24 jogos, 4 golos). No ano a seguir, desvinculou-se em definitivo do Espanyol e tornou-se um jogador livre, optando por ingressar no futebol alemão: no histórico emblema de Berlim, Hertha. Contudo, ainda não foi desta que o avançado encontrou o caminho para o sucesso que lhe perspetivaram com tão tenra idade. Com apenas 2 golos marcados em 18 jogos, Sahar foi mais uma vez emprestado (o 6º empréstimo da sua carreira). Continuou na Alemanha, mas ao serviço do Arminia Bielefeld. Apesar de tudo, o jovem jogador não conseguiu convencer os responsáveis do Hertha de Berlim com as suas exibições ao serviço do Arminia (22 jogos, 7 golos) e voltou a ser um jogador livre no final da época transacta.

Este ano,  actualmente com 25 anos, conheceu mais um clube: Willem II, da Holanda. Até ao momento, o jogador tem-se mantido na linha do que nos habituou, marcando 3 golos em 22 jogos.

Ben Sahar é um exemplo de má gestão por parte, neste caso, do Chelsea. A sua carreira foi muito mal gerida. É possível que nem sequer colocássemos o avançado na categoria de flops, se não tivesse deixado o Hapoel Tel Aviv – o único clube onde teve sucesso – para partir tão cedo até Londres. Dito isto, o israelita ainda tem tempo para dar um novo rumo à sua carreira. Ainda assim, nesta fase, já não deve ter muitas forças psicológicas para sair de um ciclo que parece não ter fim.

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