Espaço Opinião – A mentira tem perna curta

E tudo o Mónaco levou.

De facto, quem andava a navegar pela internet ao final da noite na passada terça-feira parece ter ficado com esta ideia. Eu pelo menos fiquei. O Benfica acabava de anunciar, em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), que tinha chegado a acordo com o Mónaco para a transferência definitiva de Bernardo Silva por 15,750 milhões de euros.

Apesar de nos bastidores do mundo do futebol ter sido consensual a ideia de que o Messizinho do Seixal tinha sido mesmo vendido, no início da época, e não apenas emprestado ao clube do principado, confesso que tal notícia me apanhou completamente desprevenido. A minha estupefacção não foi motivada pelas recentes declarações do presidente do Benfica (o qual afirmou que, no futuro, apostar “na prata da casa” era um dos objectivos principais) porque cada vez menos acredito nas palavras dos dirigentes desportivos, mas sim pelo facto de não entender o rumo que Luís Filipe Vieira pretende dar ao clube da Luz.

caixa futebol campus

Por mais que tente, não consigo compreender uma política de gestão que, mesmo tendo óptimos resultados ano após ano nos diferentes escalões de formação (e aqui há que dar todo o mérito a treinadores como João Tralhão, Renato Paiva e Luís Nascimento), continua a não dar oportunidades aos jogadores made in Seixal de se poderem afirmar na equipa principal, optando os dirigentes do clube encarnado por contratar atletas cuja qualidade é, no mínimo, bastante duvidosa (Emerson, Cortez, Luís Felipe e Michel são exemplos perfeitos disso mesmo).

Embora Bernardo Silva contabilize apenas 31 minutos pela equipa principal (10 minutos diante do Cinfães para a Taça de Portugal, 13 minutos frente ao Gil Vicente para a Taça da Liga e oito no Estádio do Dragão contra o FC Porto), será vantajoso vender tão cedo a maior promessa futebolística que o Seixal já formou? Não me parece.

Será vantajoso vender um jogador cheio de potencial como André Gomes por 15 milhões de euros quando se sabe, de antemão, que Enzo Pérez ia sair mais cedo ou mais tarde? Não me parece.

Será vantajoso emprestar Nélson Oliveira pela quinta vez e manter no plantel principal Franco Jara? Não me parece.

Será vantajoso “despachar” Rafael Ramos e Estrela (elementos importantes na campanha sensacional que o Benfica fez na edição do ano passado da UEFA Youth League) para o Orlando City? Não me parece.

A criação do Caixa Futebol Campus (inaugurado a 22 de Setembro de 2006) dava a sensação de que os dirigentes do Benfica tinham finalmente percebido que a melhor solução económica e desportiva para clube passava por uma aposta forte e concreta na formação. No entanto, as épocas vão decorrendo e parece ser cada vez mais legítimo afirmar que tal não passaram de boas intenções…

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