Opinião – O caso dos jovens que dão um salto maior que a perna

Há cada vez mais no mundo do futebol a procura obsessiva pelo  ‘novo Messi’ ou o ‘novo Crisitiano Ronaldo’ e para tal os clubes recrutam jogadores, em idades ainda bastante precoces, oriundos dos mais variados países. Isto é tudo muito bonito e ao olho comum parece muito simples, mas não é bem assim. Qual é o miúdo com 15/16 anos que não gostava de ver o seu nome associado a uma possível transferência para o Real Madrid ou Barcelona, por exemplo? Claro que sobe à cabeça de qualquer um, mas os jogadores têm (ou deviam) de pensar a partir de um ponto de vista meramente futebolístico. Ou seja, deviam ligar mais à sua margem de progressão e não tanto em dar um salto maior que a perna (vejam-se o exemplos de Rui Fonte que passou pelo Arsenal e de José Coelho que passou pelo Inter de Milão). São, então, muitos os jovens jogadores que partem em tão tenra idade dos seus países de origem (muitos são os casos em que vêm de continentes diferentes) e vão rumo a terras desconhecidas. Longe do conforto familiar, pode ser muito complicado para um rapaz de 15 anos adaptar-se a uma realidade tão díspar (os problemas pessoais são apenas um entre muitos outros). Obviamente que existem casos de sucesso (Messi é cabeça de cartaz neste aspecto), mas a probabilidade de o atingirem é muito baixa mesmo.

Fala-se agora que Mink Peeters (já para não falar na coqueluche do momento, Martin Ødegaard, de 15 anos), de 16 anos, que milita nas brilhantes escolas do Ajax de Amsterdão, irá rumar ao Real Madrid. Ora, aqui levantam-se várias perguntas – Não será mais fácil para um jogador tão jovem como ele ficar no Ajax, que é um clube famoso em lançar jovens jogadores na primeira equipa (e com sucesso, diga-se)? Não será mais fácil ficar junto de uma realidade familiar não colocando, assim, pressão desnecessária nele? Estes são apenas 2 exemplos de perguntas que me vêm assim de repente à cabeça, mas podíamos ficar aqui um bom bocado, se quisesse. Ainda assim, não é preciso viajarmos até Espanha (os clubes espanhóis, juntamente com os ingleses, são os que mais adoptam esta política) para encontrarmos casos assim. Por cá também se assiste a inúmeras situações do género, especialmente nos chamados ‘3 Grandes’. Passemos aos números (leia-se que nestas contas não se contabilizarão os jogadores estrangeiros que intercalam entre a equipa principal e as equipas secundárias) – No Benfica contam-se 3 estrangeiros, sem ligação ao nosso país, na equipa de Sub-19 e 6 na equipa ‘B’; No Porto são 8 nos Juniores e 9 na equipa ‘B’; Por último, no Sporting são 11 na equipa secundária leonina e 7 na equipa de Juniores. Esta procura incessante por diamantes por lapidar leva a que muitos jogadores estrangeiros de valor desconhecido (também acontece nas equipas principais) tirem espaço a jogadores nacionais que, se calhar, têm mais hipóteses de integrar a primeira equipa.

odegaard3

Esta é uma moda que tem assombrada os países nomeadamente europeus que parece ter vindo para ficar. Dito isto, de certa forma, esta política tem tudo para fazer sentido se pensarmos da seguinte maneira: Um miúdo de 16 anos que está a dar nas vistas no seu clube, vai, com certeza, ser muito mais barato agora do que quando estiver no auge da sua carreira. Os grandes clubes preparam-se então para dispender 2/3 milhões, no mínimo(o que já é um absurdo, mas há casos superiores), numa estrela ascendente, mas que não passa de um projecto de futuro que pode correr muito mal, em particular para o jogador. Quantos e quantos jogadores de agora 26 anos, por exemplo, que passaram em idades juvenis por clubes de renome, e agora estão a militar em divisões secundárias?

Este é um assunto muito relativo, até porque se eu disser que jogadores como Falcao, Di María e James Rodríguez, por exemplo, não estariam no patamar que estão se não tivessem seguido o trajecto que seguiram, pode-se, muito facilmente, chegar à seguinte pergunta : Será que Messi atingiria o nível que tem apresentado se não tivesse ido para o Barcelona com 11 anos?

Anúncios