OPINIÃO – Sem ‘6’ não há Jesus que os valha

Os adeptos do Benfica suspiram quando os adversários lançam rápidos contra-ataques. Já houve a segurança de Javi Garcia, as teias montadas pela ‘aranha’ Matic. Agora não há ninguém com o feitio destes jogadores para ocupar a posição de médio defensivo, posição fulcral no esquema do treinador Jorge Jesus.

CAC Nemanja Matic 3

Percebe-se que os recém-contratados Samaris e Cristante, pelo menos para já, não dão conta do recado. O que faz deduzir má gestão do clube: Javi Garvia e Matic custaram ao todo 12,5M (tendo em conta que Matic estava avaliado em 5M na troca do negócio David Luiz), enquanto o internacional grego e o esperanças italiano valeram 16M e a qualidade dentro das quatro linhas não é de todo idêntica.

Para piorar a situação, Fejsa (o sucessor natural de Matic, com um estilo de jogo mais à Javi) e Ruben Amorim (estava em bom momento de forma) estão lesionados por tempo indeterminado.

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Voltando às contratações, Samaris tarda em afirmar-se e não reflecte de todo o investimento dado pelo emblema da Luz. Cristante segue na mesma linha apesar de ter o trunfo da idade a seu favor, e se souber esperar pela oportunidade, garantidamente ganhará lugar na equipa nos próximos anos. Os dois jogadores têm exatamente os mesmos problemas: parecem mais ‘8’ que ‘6’, ou seja, constroem melhor do que destroem e são pouco agressivos quando tentam recuperar a bola. Isto, tendo em conta, que na sua frente há jogadores dotados tecnicamente como Salvio, Gaitan e até mais recentemente o fenómeno Talisca. Juntando a isto, os laterais Maxi e Eliseu (atacam bem melhor que defendem) é necessário um pêndulo defensivo que consiga dobrar as costas dos laterais em momentos de transição defensiva. 

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Para a posição ‘6’ (ou ‘4’ como lhe prefere chamar Jorge Jesus), o técnico tem, na minha opinião, como jogadores fiáveis para a tarefa o ‘tapa-buracos’ André Almeida (nos jogos contra equipas pequenas) e o recuo de Enzo Perez para completar a brecha defensiva (JJ tem optado por esta alternativa). O português, sem ser um super jogador, entrega-se à equipa, joga simples e é raçudo na hora de tirar a bola ao adversário. Com o recuo do internacional argentino, perde-se dinâmica no processo ofensivo mas ganha-se maior segurança no eixo defensivo.

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Para acabar, deixo a pergunta: Foram deitados 16M à rua? Samaris e Cristante têm deixado a resposta bem evidente dentro das quatro linhas. Há que esperar por um Fejsa recuperado no início de 2015 já que a venda de Enzo para Valencia no próximo mercado de transferências parece estar mais que eminente…

Rui Sousa

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