Acabaram-se os ‘tachos’

Nova vida desta seleção nacional é o que se pede.

Pela primeira vez em muitos anos (provavelmente desde a vitória do campeonato mundial de sub-20 da ‘geração de ouro’) que uma seleção jovem não ‘ensinava’ a principal como se devem fazer as coisas. O show tático de Rui Jorge é impecável: saber da fragilidade da posição 9 e adaptar isso a um tipo de jogo quase à Barcelona, conseguiu destruir por completo uma Holanda que em teoria cria dos melhores jogadores jovens da atualidade. Uma chapada de luva branca aos treinadores que têm passado por lá, seja nas seleções jovens como na principal.

Em relação aos mais velhos, Fernando Santos assumiu o lugar e pelo que se viu arrumou a casa. Tendo em conta a sua suspensão de 8 jogos, a contratação de Ilídio Vale para seu braço direito parece a mais acertada. O antigo vice-campeão mundial de sub-20 teve um dos momentos mais felizes das seleções nos últimos anos e os jogadores certamente lhe terão o máximo respeito.

Já desde há muito tempo que não via uma convocatória tão completa e imparcial. Deixou-se de olhar para os nomes, e começou-se a focar na boa forma e regularidade dos atletas. Jogadores como Raúl Meireles, João Pereira ou Miguel Veloso não são mais opções credíveis para o patamar de Portugal. E qual foi a vez que algum treinador convocou um jogador do campeonato croata (Ivo Pinto)? Pois, dá que pensar..

Cristiano+Ronaldo+Danny+Spain+v+Portugal+2010+S1nRYDM1YRtl

Tal como nos mais jovens, a seleção ‘A’ também não tem um ponta-de-lança com andamento de jogo  (ex: Hugo Almeida, Hélder Postiga, Nelson Oliveira) e para essa poisção só convocou Éder, do Sporting Braga. Poderá portanto estar aqui, no novo esquema tático de Rui Jorge, uma solução para Fernando Santos. Ronaldo e Nani na posição de extremos, aparecendo em movimentos interiores e com um Danny a jogar a falso 9 ou como ’10’, Portugal poderá dar uso à posse de bola (tem um meio-campo muito forte com Moutinho, Tiago ou até André Gomes e João Mário) para chegar com perigo à baliza adversária vindo de trás.

Veremos as ideias de jogo que Fernando Santos terá para a seleção portuguesa. Mas a primeira parte (a das convocatórias) está feita. Acabou-se a relevância do nome e passou-se ao que interessa: como se joga à bola.  Chega de empresários. Acabaram-se os tachos! Os portugueses suspiram pela seleção dos bons e velhos tempos.

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