Zero ídolos

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Como adepto sportinguista não podia estar mais satisfeito com o trabalho e esforço de Bruno de Carvalho para trazer Nani de volta para o clube, ainda que seja apenas por uma temporada e ainda que o jogador tenha vindo a descer de forma ao longo dos anos após a sua melhor época em Manchester.

É, de caras, um reforço na pura acepção da palavra – não como muitos dos nomes que chegaram a Alvalade mas cujo trabalho de preparação e adaptação ainda é longo – e, por isso, entrou directamente para a equipa titular. Até aqui, tudo me parece normal.

A expectativa de ver Nani outra vez vestido de verde e branco era enorme e tal factor levou muitos sportinguistas tanto ao aeroporto para o receber como ao estádio para o ver em acção. Compreendo perfeitamente que o jogador, não sendo imune ao aparato em relação ao seu retorno, tenha mergulhado – ele também – numa onda de euforia.

O seu jogo foi espelho disso mesmo: como é seu apanágio, procurou desequilibrar o jogo através de lances individuais, tentando fazer de tudo para retribuir o carinho dos adeptos. Gostei de o ver com tal entrega ao jogo, gostei de o ver a agitar o jogo, gostei de o ver a trabalhar para ganharmos o jogo.

Aquilo de que não gostei, e que não pode acontecer nunca, mas nunca, no Sporting Clube de Portugal, foi um jogador ser ou tentar ser superior à própria política do treinador/clube. O Sporting Clube de Portugal é maior do que qualquer jogador que alguma vez jogue ou tenha jogado com o leão ao peito. Se o Adrien Silva é o marcador de penalties, pois pode chegar o Cristiano Ronaldo, o Messi ou o Nani, que o médio centro sportinguista continuará a marcar as grandes penalidades se assim está definido. Pelo menos, assim deveria ser. Caso o Adrien comece a falhar penalties, pois,  parece-me óptimo que se procure outro jogador mais qualificado para o fazer, mas tal não era a situação.

Marco Silva também falhou ao permitir que Nani cobrasse o castigo máximo, mesmo que negar tal acção a um jogador com o renome de Nani seja algo complicado. O treinador serve para isso mesmo.

Fica assim manchada uma tão aguardada estreia, que acabou por não ser tão desastrosa graças ao golo tardio de Mané.

Para o futuro, continuo tão optimista em relação ao Nani como estava aquando da sua chegada. Tem condições para ser o jogador mais influente no Sporting e se a equipa embarcar em boas exibições – algo que ainda está para vir – poder ser um dos jogadores do ano. Mas os penalties? Esses são para o Adrien.

No sporting, não há ídolos.

Luís Vicente

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